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East Ocean navega em alto-mar

Apesar de ser uma empresa pequena, a East Ocean não tem mãos a medir na produção de swimwear. O aumento de cerca de 20% na faturação, para 1,6 milhões de euros, é a prova de que a sazonalidade do produto não afeta o sucesso do negócio.

José Machado

Sediada na Póvoa de Varzim, a empresa de swimwear nasceu em 1998. No entanto, só em 2010 se dedicou por completo ao segmento dos calções de banho para criança e adulto do género masculino.

A East Ocean, que trabalha exclusivamente em regime private label, subcontrata vários serviços. «Fazemos o desenvolvimento dos produtos, das amostras e das coleções. Depois subcontratamos a confeção, a estamparia e compramos as matérias-primas. Temos uma parceria com uma estamparia e com uma empresa de sublimação», revela o CEO José Machado.

O poliéster é a fibra de eleição para a composição da oferta de produtos. Além da resistência, características como qualidade e sustentabilidade também fazem parte da origem da escolha. «Cerca de 70 a 80% da nossa produção é em poliéster dito normal e poliéster reciclado. Fazemos alguma coisa em poliamida, mas muito pouco. A tendência é para continuar no poliéster porque, primeiro é mais fácil de reciclar e segundo porque é uma matéria-prima que garante melhor qualidade para este tipo de artigo. Tem maior solidez à luz do que a poliamida, maior solidez à água do mar e ao cloro. Para [roupa de] banho é uma fibra melhor», explica ao Portugal Têxtil.

A quota de exportação da East Ocean é de aproximadamente 98%. O facto de trabalhar apenas com um cliente a nível nacional, a Lion Porches, justifica a elevada percentagem. Espanha, França e Inglaterra são os principais mercados de exportação da empresa, que conta com um efetivo de oito trabalhadores. Os EUA, Austrália, Itália e Holanda também integram a lista de clientes da especialista em calções de banho, que tem como objetivo conquistar o hemisfério sul. «O que nos interessa mais neste momento são os países do hemisfério sul e, de certa maneira, os países do norte da Europa. Nos EUA já estamos relativamente bem posicionados com algumas marcas de topo. Já fizemos também vendas para a Colômbia», afirma José Machado.

Superar obstáculos

Ainda que a sazonalidade não seja um obstáculo direto para a East Ocean, visto que não afeta a produtividade da empresa, a estratégia é influenciada por esta condição. «Estamos a tentar diversificar o mercado de exportação porque isto é sazonal, só trabalhamos para o verão. Mas como somos só oito [trabalhadores] conseguimos passar bem os períodos mais calmos», assegura o CEO. «Para nós não é difícil. Como as produções são de outubro a abril/maio, entretanto temos coleções que nos dão até agosto e temos pequenas produções que acabam por colmatar um bocadinho», esclarece.

Acompanhar a evolução dos mercados e ser uma empresa «flexível» é a forma da East Ocean se precaver dos óbices da conjuntura económica atual. «Nota-se que o mercado não está a reagir muito bem. As pessoas estão com medo de comprar. O mercado inglês é relativamente forte para nós e os clientes ingleses estão com alguma contenção na compra», adianta José Machado. Contudo e a contrariar este panorama, o volume de negócios «aumentou em relação ao ano anterior cerca de 20%». «A maior parte das empresas fechou contas no dia 31 de dezembro, mas nós fechamos a 31 de setembro. Portanto, o nosso ano acabou agora e faturamos 1,6 milhões de euros», indica.

Para aumentar a visibilidade e estabelecer novos contactos, a participação em feiras é crucial para a especialista em calções de banho. Pela terceira vez, a empresa marcou presença na MarediModa, em Cannes. A Première Vision também faz parte dos horizontes da East Ocean para «se dar a conhecer a outros mercados e clientes», destaca o CEO.