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Ecologicamente lucrativo

Uma iniciativa ecológica recentemente implementada em fábricas têxteis chinesas promove a redução do consumo de água, energia e químicos nocivos, garantindo uma poupança anual de 14,7 milhões de dólares em custos operacionais das unidades de fabrico, responsáveis pelo fornecimento a grandes marcas e retalhistas de vestuário.

Esta estimativa foi calculada pelo programa Clean By Design, desenvolvido pelo Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC na sigla inglesa), que tem cooperado com 33 fábricas têxteis chinesas nos últimos dois anos, muitas das quais aprovisionam marcas como Target, H&M, Gap e Levi Strauss.

Através da implementação de medidas simples de eficiência, as unidades de fiação «reduziram drasticamente a poluição gerada, cortando em mais de 36% o uso de água e 22% a utilização de energia por fábrica, e um total de pelo menos 400 toneladas de químicos», sugere uma análise recente. Devido ao sucesso da iniciativa, o programa será estendido a outras áreas fortemente industrializadas do território chinês ao longo deste ano.

A iniciativa espera agora atrair uma maior participação das marcas através de um alinhamento com a Coligação do Vestuário Sustentável, que representa mais de 40% da produção global de vestuário, prosseguindo no sentido de estabelecer um modelo global para a fabricação sustentável na cadeia de aprovisionamento de moda.

«Moda de qualidade pode também ser moda ecológica», explicou Linda Greer, cientista do NRDC e diretora do programa Clean By Design.

Poluição na China
O programa incide sobre a indústria têxtil chinesa em consequência da sua «notória» intensidade de utilização de energia e água e atividade poluente. A China produz, atualmente, mais de 50% dos tecidos fabricados a nível mundial, respondendo por 80 mil milhões de metros anualmente.

No entanto, enfrenta problemas cada vez mais graves em resultado dos elevados índices de poluição. A indústria têxtil comporta a utilização de elevadas quantidades de água e energia, absorvendo 250 toneladas de água por cada 10 mil metros de tecido produzidos, consumindo 110 milhões de toneladas de carvão anualmente. A indústria têxtil chinesa ocupa o terceiro lugar entre as principais fontes produtoras de águas residuais no contexto nacional e é a segunda maior consumidora de produtos químicos do país.

O novo relatório produzido pelo NRDC identifica mais de 200 projetos de melhoramento, que têm por base as “10 melhores práticas” estipuladas pelo programa. Estas foram implementadas em 2014 por 33 fábricas têxteis das áreas chinesas de Shaoxing e Guangzhou, importantes núcleos de produção têxtil mundiais, que reúnem a maior concentração de unidades fabris do sector.

As medidas aplicadas não obrigaram a um reequipamento de larga escala da indústria têxtil, sendo na sua maioria isentas de custos ou de baixo custo, de fácil implementação e «quase sempre se amortizam em menos de um ano».

Elas incluem a instalação de contadores para medição do consumo de água, vapor e energia elétrica, melhor isolamento de tubos de vapor, isolamento dos tanques de corantes, reparação de fugas de ar em sistemas de ar comprimido e recuperação de calor.

Os resultados promovidos pela implementação do programa Clean By Design em 2014 incluíram a poupança de 3 milhões de toneladas de água, numa média de 9% por cada unidade produtiva, enquanto cada uma das cinco principais fábricas do sector alcançou poupanças superiores a 20% no consumo de água.

A poupança energética permitiu a redução do consumo de 61 mil toneladas de carvão, com uma média de 6% de poupança por fábrica. Cada uma das cinco principais unidades produtivas reduziu o seu consumo de energia em pelo menos 10%. A aplicação do programa permitiu a economia de 36 milhões de kilowatts de eletricidade, constituindo uma média de 4,2% por unidade produtiva, enquanto cada uma das cinco principais fábricas do sector garantiu uma salvaguarda de mais de 6,5%.

A introdução destas medidas proporcionou a redução de, pelo menos, 400 toneladas de químicos utilizados, na sua maioria corantes.

A aplicação do programa proporcionou uma poupança de 14,7milhões de dólares ao nível dos custos operacionais, com um tempo de retorno de apenas 14 meses. O retorno anual por unidade fixou-se nos 440 mil dólares, com as cinco principais fábricas a somarem uma poupança de 800 mil dólares anuais.

«Este plano de ação prático e replicável providencia um modelo a seguir pelas empresas para que conduzam uma transformação sustentável da indústria da moda», afirmou Greer.

Esta iniciativa surge num momento em que países em desenvolvimento como a China estão a intensificar os seus esforços para controlar e fazer cumprir as normas ambientais.