Início Notícias Mercados

Economia de consumo

A referência “made in China” é um clássico do retalho contemporâneo. Porém, a nova tendência complementa o arquétipo mundial de produção, configurando-o como um destino emergente de consumo.

Durante décadas, a China exportou produtos baratos para o resto do mundo, mesmo quando o consumo interno decrescia. Agora, os consumidores do país estão na iminência de uma reinicialização. Se o governo cumprir a sua promessa de transformar a economia, estimulando o consumo, a base de consumidores da China tem o potencial de superar os 67 biliões de dólares durante a próxima década, de acordo com o Instituto Demand, uma organização dirigida conjuntamente pelo grupo de investigação The Conference Board e pela empresa Nielsen.

O interesse mundial nos compradores chineses é já elevado. A artista americana Taylor Swift estabeleceu uma parceria com a JD.com, a segunda maior empresa de comércio eletrónico da China, para vender uma nova linha de moda projetada especificamente para os consumidores chineses. No cinema, as vendas de ingressos estão a aumentar, com a receita de bilheteira do primeiro semestre deste ano a alcançar os 3,2 mil milhões de dólares, em comparação com apenas 64 milhões de dólares em 2008.

Os resultados económicos difíceis denotam, também, uma mudança, embora lenta. O consumo na China contribuiu em 60% para o crescimento do produto interno bruto no primeiro semestre, ainda que o país tenha crescido ao ritmo mais lento dos últimos 25 anos. Parte do aumento dos gastos estará dependente da iniciativa do governo de afastar a economia do investimento alimentado pela dívida, focando-o no consumo. Porém, esta não será uma transformação rápida: a quota do consumo na economia diminuiu para 28% em 2011, face a 76% em 1952, segundo o Demand Institute. «Há sinais de que o declínio da quota do consumo no PIB pode ter diminuído, mas não foi, certamente, ainda revertido», afirmaram os principais autores do relatório, Louise Keely e Brian Anderson.

Na sua análise, o Demand Institute estimou dois cenários, ambos com base no abrandamento do crescimento do PIB, de cerca de 7% para 4% em 2019, valor no qual permanecerá até 2025. No primeiro cenário – que afirmam ser o mais provável –, a quota do consumo no PIB permanecerá constante, em cerca de 28% entre 2015 e 2025, com gastos totais de 53 biliões de dólares. No segundo caso, no qual o consumo representaria 46% da produção em 2025, ou no qual os gastos anuais aumentariam 126%, o consumo alcançará os 68 biliões de dólares. A análise baseia-se na evolução de 167 países entre 1950 e 2011.

Os países com fundamentos subjacentes similares aos da China assistiram a uma estabilização do consumo, em relação ao PIB, por algum tempo, antes da cessão da queda. Se o consumo chinês ganhar força, será a partir de uma base relativamente baixa. Recorrendo aos dados comparativos mais recentes, relativos a 2011, o consumo na China representou 28% do PIB real, de acordo com o relatório, contrastando com 76% nos EUA, 67% no Brasil, 60% no Japão, 59% na Alemanha e 52% na Índia.