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Economia mundial abranda

Da Europa à China, passando pelos EUA, há sinais de arrefecimento da economia mundial. A situação pode, segundo a OCDE, ser agravada por situações políticas e restrições ao comércio mas também ser parcialmente colmatada com pacotes fiscais coordenados, nomeadamente na Europa.

Com a economia mundial a abrandar e com vários riscos a anunciarem novos problemas, as perspetivas económicas são agora piores em quase todos os países do G20, segundo um novo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Ao mesmo tempo, as previsões no “US Economic Forecast Flash”, da Macroeconomic Advisers by IHS Markit, prevê que o produto interno bruto (PIB) dos EUA abrande para cerca de 2% em 2019 e 2020, à medida que o estímulo fiscal atingir o pico e se desvanecer em seguida.

«Vulnerabilidades provenientes da China e o enfraquecimento da economia europeia, em combinação com um abrandamento no comércio e na produção mundial, a incerteza política e riscos nos mercados financeiros podem minar um crescimento forte e sustentável a médio prazo em todo o mundo», aponta a OCDE.

A OCDE projeta que a economia global cresça 3,3% em 2019 e 3,4% em 2020. O estudo destaca que revisões em baixa em comparação com o Economic Outlook de novembro estão a sentir-se na Europa, nomeadamente na Alemanha, em Itália e no Reino Unido, assim como no Canadá e na Turquia.

Restrições ao comércio

As previsões sublinham que mais restrições ao comércio, como taxas impostas no ano passado pelos EUA e pela China, e a incerteza política podem gerar mais efeitos adversos no crescimento mundial. Na China, a OCDE afirma que o estímulo político deverá ajudar a compensar os fracos desenvolvimentos comerciais, mas persistem riscos de um acentuado abrandamento, o que pode afetar o crescimento global e as perspetivas de comércio.

«A economia mundial está a enfrentar dificuldades cada vez mais sérias», refere o economista-chefe da OCDE, Laurence Boone. «Um abrandamento mais acentuado em qualquer uma das principais regiões pode perturbar a atividade em todo o mundo, sobretudo se contaminar os mercados financeiros. Os governos devem intensificar o diálogo multilateral para limitar os riscos e coordenar ações políticas para evitar mais uma recessão», acrescenta.

A OCDE pediu aos bancos centrais para continuarem a dar apoio, mas enfatizou que a política monetária por si só não consegue resolver a quebra na Europa ou melhorar as perspetivas modestas a médio prazo. Um novo pacote fiscal coordenado em países com baixa dívida na Europa, juntamente com reformas estruturais nos países da Zona Euro, podem ajudar a impulsionar uma recuperação, aumentar a produtividade e alimentar o crescimento dos salários, enumera a OCDE.

Nos EUA, Joel Prakken, economista-chefe, e os diretores-executivos Patrick Newport e Ben Herzon, da Macroeconomic Advisers by IHS Markit, antecipam que o crescimento do PIB vá abrandar acentuadamente no primeiro trimestre, para 1,3%. Isto tem por base o menor consumo em dezembro, que está a levar a um fraco dinamismo no primeiro trimestre e a reverter um pico de consumo provocado pelas condições meteorológicas no final do ano passado.

«Depois de 2020, o crescimento do PIB deverá abrandar mais, para uma média anual de 1,7% até 2023, enquanto a taxa de desemprego, depois de ter chegado a um nível baixo de 3,5%, deverá subir – um perfil que achamos que equilibra os riscos entre uma previsão de continuação de uma tendência de crescimento e uma recessão completa», afirmam os economistas. «As condições financeiras melhoraram ultimamente, com os valores patrimoniais a partir das previsões deste mês a serem 5% mais altos do que no mês passado», concluem.