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Economia verde traz mais emprego

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho garante que a transição para negócios mais sustentáveis vai criar 24 milhões de postos de trabalho.

Uma economia mais verde ajudará a adicionar postos de trabalho a nível mundial, nomeadamente na região Ásia-Pacífico, segundo um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) batizado “World Employment and Social Outlook 2018: Greening with Jobs”.

Este relatório conclui que a transição para um modelo mais ecológico de fazer negócios pode criar 14 milhões de postos de trabalho só na Ásia-Pacífico, sobretudo em sectores como a indústria e a agricultura sustentáveis.

O impacto no terreno desta revolução global pode ser notório já a partir de 2030, caso as políticas certas sejam implementadas no terreno.

Deborah Greenfield

Segundo o estudo, a quota de empregos que assenta no ecossistema varia muito de região para região, com África e a Ásia, assim como o Pacífico a serem as maiores, com 58% e 49% respetivamente. A maioria dos empregos neste âmbito é na agricultura (80%), mas a indústria têxtil e vestuário também é afetada (pesa cerca de 9%) em segmentos como a produção de fibras, purificação de água, gestão de desperdícios têxteis, reciclagem e aterros.

«Os resultados deste relatório sublinham que os empregos estão muito dependentes de um ambiente saudável e dos serviços que permitem», destaca a diretora-geral da OIT, Deborah Greenfield. «A economia verde pode ajudar a que milhões de pessoas saiam de uma situação de pobreza e melhorar condições de vida para a atual e futuras gerações», afirma.

O estudo revela ainda que a maior parte dos sectores da economia global irão beneficiar da criação de emprego, com seis milhões de novos empregos associados à «economia circular», que inclui atividades como a reciclagem, reparação, aluguer e reutilização, explicaram os autores.

A criação líquida de emprego a nível mundial com a transição para um modelo mais verde de fazer negócios tem um potencial de 24 milhões de postos de trabalho. Além dos 14 milhões da Ásia-Pacífico, o estudo prevê três milhões na América e dois milhões na Europa.

Os autores do relatório pedem aos países que tomem medidas urgentes para treinar os trabalhadores nas competências necessárias a este processo. Catherine Saget, que liderou este trabalho, acredita que «mudanças de políticas nestas regiões podem contrabalançar perdas de empregos antecipadas e o seu impacto negativo». «Os países com rendimentos baixos ou médios ainda precisam de apoio para recolher dados e adotar estratégias financeiras no sentido de uma transição justa para uma economia sustentável e uma sociedade que inclua todos os grupos da sociedade», acrescenta a autora. Na maioria dos países analisados, estas competências ainda não fazem parte dos programas de educação.

O relatório realça também a necessidade de sinergias entre proteção social e políticas ambientais que apoiem não só um nível de vencimentos que chegue para viver como também a transição para uma economia mais verde.