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Ecoticket garante patente

Para combater a ameaça das doenças transmitidas por mosquitos, a Ecoticket desenvolveu uma fórmula para fixar o repelente a fibras têxteis. O processo tem já a patente aprovada em Portugal, com a proteção da propriedade intelectual a deve alargar-se em breve ao resto da Europa e ao Brasil.

Em 2008, a Ecoticket arrancou como uma empresa de I&D para fazer investigação na área das nanopartículas funcionais e o primeiro resultado foi a produção de nanopartículas funcionais e ecológicas. O desenvolvimento da atividade, contudo, levou a empresa, fundada e liderada pelo professor catedrático da Universidade do Minho, Jaime Rocha Gomes, por outro caminho, não focado na produção. «Neste momento, a patente não cobre a primeira tecnologia, que é a produção de nanopartículas, mas cobre tudo o que diz respeito à funcionalidade das partículas e a ligação das partículas ao têxtil. Portanto, tudo o que seja aplicação de partículas de sílica com repelente de mosquito está coberto pela nossa patente», afirmou Jaime Rocha Gomes, numa entrevista publicada na edição de dezembro de 2016 do Jornal Têxtil. «Somos uma empresa de I&D e comercialização – não produzimos, subcontratamos a produção. A nossa aposta é, em primeiro lugar, em I&D e nos direitos da patente», explicou.

Atualmente, a Ecoticket está focada na comercialização do MoskoRepel – que engloba soluções industriais mas também soluções para o consumidor final e aplicação doméstica. «Temos uma solução para máquina doméstica; um spray, que se divide em dois, um aquoso, para o consumidor final, e um spray para a indústria, para as redes mosquiteiras, que é à base de álcool; duas soluções industriais, uma para aplicar por esgotamento e outra em contínuo, para fardas e produtos do género; uma para a máquina industrial de lavagem, de tingir em peça, para materiais já confecionados; e um gel para tintas, onde ainda não tivemos nenhum progresso real em termos comerciais», enumerou o fundador.

A patente, submetida para a Europa e para o Brasil, pretende salvaguardar a aplicação, até porque a tecnologia, garantiu Jaime Rocha Gomes, é verdadeiramente única. «Ninguém consegue fazer o que fazemos – com o ir3535 não há ninguém a conseguir fixar em têxtil. Podem fazer com o DEET, que é muito conhecido, que é o mais forte de todos – esse aí é microencapsulado e depois as microcápsulas são fixas. Mas este nem se pode microencapsular», detalhou.

Um processo de fixação que assume um carácter ecológico. «Nós fugimos das partículas por causa da diretiva europeia que deverá sair. Quando sair, todas, mesmo as de sílica que supostamente não têm qualquer problema, vão ser banidas da Europa. Nós já vamos mais à frente. Só vendemos o repelente, sem partículas, e fixamos o repelente», referiu. Além disso, os compostos da fórmula foram cuidadosamente selecionados. «Há silanos em todo o lado, é um produto inócuo, não faz mal. É um composto químico, mas só não pode ir para os olhos, como a maior parte dos compostos químicos. De resto é um produto que está em muitas composições. E os outros produtos também são produtos inócuos, não lhe posso dizer quais são, mas verificamos antes de os pôr lá, ou teríamos problemas mais tarde», destacou Jaime Rocha Gomes.

Em termos comerciais, a empresa está a apontar baterias aos mercados da América do Sul e de África, onde as doenças propagadas pelos mosquitos têm prevalência. Para já, os primeiros contactos são promissores e podem abrir portas a mais de 50 mercados internacionais. «Temos uma ligação com uma empresa, um broker internacional. É uma empresa finlandesa que está a promover o nosso processo e temos já, em estado muito avançado, um grande cliente em Angola, para aplicação em têxtil e tinta», revelou. «Temos também um agente e um potencial distribuidor em zonas diferentes do Brasil. Em Portugal temos uma empresa – não é uma empresa industrial, mas é uma empresa que coloca encomendas em Portugal. Já estão a mandar amostras, porque produzem no El Salvador para os EUA. O cliente deles é uma grande empresa de fardas, de montanhismo e para os caçadores, e todos eles usam repelente. E essa empresa é líder no mercado», acrescentou o fundador da Ecoticket.

Com a investigação realizada até agora – da qual já nasceu também um produto antimicrobiano, que se distingue do que existe no mercado por ser hidrofílico –, a Ecoticket poderá ainda evoluir para outros resultados. «Há a questão de saber se é possível registar uma patente – a atual é dedicada ao repelente e à reação do repelente», afirmou Jaime Rocha Gomes. «Comecei a usar silanos para fixar as partículas de silano puro. Depois o silano puro, em certas situações, verifica-se que não é muito eficiente, nem é estável e comecei a fazer a formulação de silanos para diferentes aplicações. Depois descobri que reage com a sílica por polimerização, mas tem uma reação química com o próprio repelente – isso é que foi uma grande descoberta e registei a patente», explicou. «Isto pode ir para outros produtos químicos, pode ir para enzimas, que têm o N também», indicou. «Agora que percebi que esta reação não é só para o NH2, dá para N’s em várias situações, pode ser [que avance para outras investigações]», concluiu o fundador da Ecoticket.