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Egito de olhos postos nas exportações verdes

A recém-formada Sustainable Fashion Alliance do Egito está a ajudar o país a criar marcas de têxtil e vestuário éticas e também a auxiliar o desenvolvimento deste conceito ao abordar potenciais problemas na cadeia de aprovisionamento e ainda a direcionar o Governo nesta área.

[©Saqhoute]

O Egito é um dos principais exportadores de têxteis e vestuário, com as exportações de 2020 cifradas em 2,3 mil milhões de dólares (1,96 mil milhões de euros), segundo os dados do Governo. A produção de vestuário sustentável, orgânica e ética continua, no entanto, a ocupar uma pequena parte do sector no panorama geral, pelo menos até à data

Na caminhada verde, esta indústria deparou-se com vários desafios como é exemplo a Saqhoute, uma marca sustentável de pronto-a-vestir para senhora, sediada no Cairo, que, apesar de ter sentido uma mudança no sentimento do consumidor com uma maior preferência por artigos slow fashion, tanto estrangeiros como locais, teve dificuldades no aprovisionamento de tecidos. «O meu maior problema é que, como uma pequena marca de slow fashion, não possuo os requisitos mínimos para quantidades têxteis, exigindo à volta de 100 a 150 metros. As fábricas não estão interessadas em quantidades tão pequenas. É um desafio no Egito», afirma Norhan El Sakkout, fundadora e diretora criativo da Saqhoute, ao Just Style.

Como solução, a marca optou por adquirir stock fora da estação ou descartado. «Pego em material morto limitado e faço o design à volta do tecido. É uma solução a curto prazo para um problema a longo prazo», explica Norhan El Sakkout, adiantando que outras marcas tiveram que importar material reciclado do exterior, o que acaba por ser «contraintuitivo para ser sustentável».

Precisamente para dar resposta a estes desafios, foi criada a Sustainable Fashion Alliance MENA (Middle East North Africa) por sete fornecedores têxteis regionais, nomeadamente a Saqhoute e a Scarabaeus Sacer, e conta já com 606 membros. «Queremos trabalhar juntos para desenvolver marcas social e ambientalmente sustentáveis. Para superar estes obstáculos, juntos, vamos abordar fábricas maiores para fazer pedidos e pressionar o Governo a ajudar nas questões de importação e exportação», revela a fundadora da Saqhoute.

De dentro para fora

«A intenção de todos é começar localmente para testar produtos, uma vez que os erros não são tão facilmente perdoados no exterior, onde mais marcas estão disponíveis», admite Norhan El Sakkout.

[©Scarabaeus Sacer]
Cerca de 40% das vendas da Saqhoute são realizadas além-fronteiras, com o crescimento do comércio eletrónico no ano passado a ter impulsionado as exportações. Neste âmbito, a marca estabeleceu uma parceria com a authentique.co, plataforma de vendas online do Canadá, para promover marcas do Médio Oriente na Europa e na América do Norte.

A Scarabaeus Sacer que está encarregue de produzir a própria coleção de vestuário com algodão orgânico egípcio rastreável e com embalagem ecológica, focou-se na exportação nos últimos dois anos.

«Fabricamos de tudo no Egito e estamos a fazer business to business [B2B] e business to consumer [B2C] no exterior, visto que o intervalo de preços é elevado devido ao algodão orgânico egípcio que usamos. O mais fácil é vender no exterior, e com valores maiores», assegura Ali El Nawawi, cofundador da Scarabaeus Sacer, destacando que o aumento da procura por produtos adquiridos pela proximidade também beneficiou a marca.

«Vimos a procura por parte de empresas alemãs a aumentar graças aos problemas de aprovisionamento na China, com marcas em busca de novos fornecedores. As pessoas também estão mais dispostas a experimentar outras marcas, especialmente se comercializadas como ecológicas ​​e reutilizáveis», aponta.

Este ano, a Scarabaeus Sacer assinou acordos com marcas alemãs de luxo para produzir pedidos de 50 mil polos. «No futuro não faremos séries de um milhão de peças, mas cerca de 150 mil», estima o cofundador.