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Egito ruma lentamente à Visão 2025

Depois de recuperar da revolução de 2011, o Egito está a ter dificuldades em entrar no caminho certo para a meta definida na estratégia Visão 2025, que, entre vários objetivos, pretende quadruplicar as exportações de vestuário e têxteis e criar um milhão de postos de trabalho no sector.

Lançada em 2015 pelo Conselho de Exportação de Pronto-a-Vestir, a parceria entre o Ministério do Comércio e da Indústria e empresários têxteis, batizada Visão 2025, definiu como meta atingir os 10 mil milhões de dólares (cerca de 8,9 mil milhões de euros) em exportações na indústria têxtil e vestuário, o que representa um crescimento anual de 15% em vendas internacionais. Este ritmo de crescimento era atingível no período pré-revolução, mas, atualmente, as mudanças políticas e económicas que se seguiram a 2011 estão a criar alguns entraves. Outro objetivo da estratégia é atingir os 17,5 mil milhões de dólares em investimento. No entanto, o necessário crescimento a dois dígitos para atingir este desígnio ainda não foi alcançado.

«As nossas exportações estão a recuperar, depois de alguns anos em queda e da desvalorização da libra egípcia em 2016. Em 2017 e em 2018, registámos um ligeiro incremento, entre 7% e 8%, um valor que, ainda assim, é menor do que o do crescimento antes da revolução de 2011, altura em que as exportações atingiram os 2,4 mil milhões de dólares», indica Mohamed Kassem, ex-presidente do Conselho de Exportação de Pronto-a-Vestir e presidente da Sociedade Egípcia para o Desenvolvimento de Parques Industriais Têxteis, ao just-syle.com. «Independentemente disso, estamos na direção certa», garante Kassem.

Em 2011, as exportações de vestuário do Egito cresceram 12%, atingindo 1,55 mil milhões de dólares. Em 2012, caíram 8%. Em 2015 e 2016, baixaram novamente, 3% e 8%, respetivamente. Em 2017, subiram 15%, para, mais tarde, em 2018, ascenderem 9,5%, para 1,59 mil milhões de dólares, segundo o Conselho das Exportações de Vestuário, que substituiu, no final de 2018, o Conselho de Exportação de Pronto-a-Vestir. O crescimento das exportações têxteis, a montante, em 2017, atingiu os 800 milhões de dólares em receitas.

Esforços governamentais

Entretanto, o governo egípcio está a levar a cabo reformas económicas na tentativa de fomentar os investimentos necessários para melhorar a produção – como um investimento, aprovado em 2017, que modernizou os controlos regulamentares e reduziu as barreiras ao investimento internacional.

O governo está também a requalificar as 32 empresas estatais que têm dominado a produção local, que representam 50% da fiação e 60% da tecelagem do país. Algumas empresas foram encerradas, enquanto outras emergiram, com novos investimentos no sector algodoeiro e na fiação.

«Tem havido muito atividade por parte do sector público para reavivar uma indústria que esteve muito tempo estagnada. O governo também está a dialogar com comunidades exportadoras dentro do sector. É uma medida positiva, que acrescenta valor à indústria, especialmente nos têxteis», afirma Samer Riad, diretor-geral do Riad Group.

Visão para a cadeia de aprovisionamento

O plano Visão 2025 inclui um compromisso em estabelecer toda a cadeia de aprovisionamento no Egito, particularmente a montante, nos fios e tecidos, para fornecer a produtores locais, assim como para a exportação.

Mohamed Kassem aponta que «há interesse por parte dos investidores, tanto a montante como a jusante, mas na produção de vestuário está a acontecer de um modo mais rápido. A afluência no sector do vestuário terá um efeito atrativo para desenvolver a parte a montante, já que os investidores precisam de visualizar uma forte procura forte antes de realizarem investimentos. Isto já está a acontecer», assegura.

Prova disso é que a produtora de têxteis e vestuário Shandong Ruyi irá investir na cidade Sadat. Em janeiro, a Ningxia Mankai Investment Co revelou que irá proceder a um investimento inicial de 121,6 milhões de dólares para desenvolver o Parque Industrial Têxtil da Mankai, que irá abranger 3,1 milhões de metros quadrados e incluir 592 fábricas.

As empresas de vestuário chinesas estão a investir no Egito para aproveitarem o programa de qualificação de zonas industriais, que dá acesso livre de impostos aos EUA aos produtos egípcios se, pelo menos, 10,5% das componentes dos artigos provierem de Israel. Trata-se de uma forma alternativa de exportação, tendo em conta os receios dos empresários chineses em relação à aceleração da guerra comercial com os EUA.

O Egito também pretende atrair empresas têxteis da China, Coreia do Sul e Bangladesh para um novo parque industrial têxtil de 1,2 milhões de metros quadrados na cidade El Minya, enquanto outro projeto está a ser desenvolvido em Suez.

Mohamed Kassem estima que serão investidos 370 milhões de dólares no sector nos próximos anos. Ainda que isto signifique que não irão atingir a meta dos 10 mil milhões de dólares, estabelecida na Visão 2025, o empresário acredita que será possível chegar aos 5 mil milhões de dólares em exportações em 2025, ou mesmo mais cedo.

Kassem considera que será pouco provável que haja uma duplicação do número de trabalhadores, já que atualmente trabalham no sector um milhão de pessoas. «Duplicar o número de trabalhadores demorará algum tempo, já que o desenvolvimento não está a acontece ao mesmo ritmo que previmos na Visão 2025», explica.

Entre outras iniciativas para impulsionar as exportações, a Associação Egípcia do Algodão e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial uniram esforços num projeto piloto para lançar a Better Cotton Initiative (BCI), pela primeira vez, no Egito.