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El Corte Inglés é uma passerelle

Concluindo a reportagem sobre a presença nacional no El Corte Inglés de Lisboa, o Jornal Têxtil falou com os três estilistas presentes neste grande armazém. Satisfação, optimismo e desalento caracterizam a experiência. Anabela Baldaque É uma passerelle Jornal Têxtil – Como tem sido a sua experiência a trabalhar com o El Corte Inglés? Anabela Baldaque – Tem sido muito positiva, porque o El Corte Inglés tem uma tradição no mercado português e é conhecido por muita gente. Por outro lado, as peças não são muito repetidas, e isso faz com que não me canse a mim como criadora e não canse o público. Também é bom o facto de eles separarem as marcas dos criadores das marcas da indústria. Existe uma certa diferenciação de produto e isso agrada-me. JT – Imagine que tem um tamanho de determinado modelo e produziu 10 peças, mas que ao fim de dois ou três dias, numa situação extrema, já estariam vendidas, haverá mais pedidos, produz mais? AB– Iguais àquelas não. Tomámos a opção de não produzir em série. Vamos ter sempre em especial atenção a exclusividade. Existe um limite de três por modelo, um 36, um 38 e um 40. JT – E tem funcionado bem nesses moldes? AB– Sim, mas agora estão a correr ainda melhor. Temos já uma comunicação maior entre a minha equipa de trabalho e a equipa do El Corte Inglés. Fomos afinando este trabalho conjunto. JT – Numa primeira fase, quantas peças colocou lá na totalidade? AB– Cerca de 80 peças, que se mantiveram por 6 meses, foi-se vendendo até se escoar o produto. JT – Serve de indicador de mercado para outros pontos de venda? AB– É diferente porque provavelmente o que sai melhor no El Corte Inglés não é o que sai melhor na minha loja. Não existe assim uma indicação directa. JT – Ainda em relação ao El Corte Inglés, as vendas aumentaram desde a inauguração? AB– Sim. Em relação ao El Corte Inglés para o qual eu vendia em Madrid a experiência acabou, portanto não vamos vender mais para Madrid pois, segundo eles, precisam de espaço para vender mais marcas espanholas. Provavelmente lá a minha experiência não deve ter sido tão boa. Mas em contrapartida, duplicaram o número das vendas aqui. Neste momento já fizeram a encomenda de Inverno JT – Uma coisa que os leitores adoram: números? De vendas? AB– Ronda os dez mil euros, não é muito. A nível do El Corte Inglés é irrisório. JT – Não imagina outros pontos de distribuição, numa estratégia de futuro… AB– A minha opção vai para o El Corte Inglés, porque é uma casa de tradição, é uma passarela. É evidente que gostava que em vez das peças serem «esmagadas» houvesse um certo espaço entre elas, mas tenho que compreender que é um espaço comercial e não um espaço de apresentação. Tem que haver um equilíbrio. Mas há poucos estilistas lá, tanto portugueses como espanhóis, e eu senti-me honrada por ser uma das escolhidas. José António Tenente Encomendas aumentam Jornal Têxtil – Que comentário faz à sua presença no El Corte Inglés? José António Tenente – Eu penso que tem corrido bastante bem, tendo em conta que o El Corte Inglés abriu no Inverno, em plena estação. Pode dizer-se que houve uma melhoria significativa. Mesmo os responsáveis que contactam connosco regularmente poderão comfirmar que a colecção junto do público teve um salto grande no que se refere ao volume de vendas. Importa salientar que a equipa de compras do El Corte Inglés fez uma aposta grande na nossa colecção, e até mesmo a nível de impacto de imagem. O Inverno correu muito bem e se calhar a nível de vendas o Verão está a correr ainda melhor. O Corte Inglés já está em plena velocidade de cruzeiro e já da para fazer uma primeira avaliação. JT – Neste ponto de venda em particular está a democratizar a marca, quer dizer, torná-la acessível a um grande público. Não vê aqui qualquer desvantagem? JAT – Eu penso que não. A faixa de público a que se destina a nossa marca é basicamente a mesma, porque os preços são comuns nos vários pontos de venda, e portanto, há no Corte Inglés um grande conjunto de pessoas que vêm mas que não compram. Portanto, a faixa de público que compra, ou que poderá comprar no Corte Inglés ou nas nossas lojas, é basicamente a mesma. Portanto, há uma democratização mas é no mais fácil acesso. A nossa loja em Lisboa está sediada no Carmo, junto da Baixa, que tem alguns entraves a nível de acessos, de estacionamentos, e portanto, o Corte Inglés é um local preferencial neste aspecto. Agora, quando fala em democratização, não há também da nossa parte uma política de produzir uma colecção específica para um grande armazém. Trata-se da nossa colecção, com os nossos preços, e portanto, não há propriamente uma diferenciação. JT – Que adaptações é que teve de fazer? Aumentou a sua equipa, a capacidade de produção, investiu em material para dar resposta a esta nova parceria? JAT – Não, não fizemos alterações significativas, até porque a nossa estrutura, a que está montada actualmente, responde perfeitamente a estas exigências. JT – De quantas peças é que estamos a falar para o Corte Inglés? JAT – Estamos a falar em média de 500 peças por estação. Portanto, era muito bom sinal que nós refizéssemos e reestruturássemos a equipa, mas para já ainda não aconteceu. Mas este é um bom número médio de peças, pois não há uma loja em Portugal que compre essas quantidades, ou não haverá muitas. JT – Mas está satisfeito com o modelo em geral? JAT – Há muitas coisas da parte deles que podem melhorar, assim como também há aspectos da nossa parte que poderão melhorar. É preciso aperfeiçoar as adaptações ao mercado português, porque a direcção geral é uma direcção espanhola, portanto, habituada a um mercado de 40 milhões e nós somos apenas 10. Mas se calhar em muitas coisas nós estamos muito perto deles. No entanto, também temos muitas diferenças, e porventura de algumas delas a própria direcção vai tendo noção a partir de agora. JT – Por último, uma das questões mais pertinentes actualmente, será a ligação dos criadores à indústria quer como resposta à capacidade de produção, quer até como rentabilização da própria colecção. Qual é o seu comentário? JAT – É o mais vantajoso possível. Aliás, temos tido relações mais ou menos privilegiadas com fábricas pois trabalhamos com elas desde há algum tempo. Eventualmente haverá algumas unidades que têm mais abertura, mais versatilidade, que nos apoiam mais que outras. Penso que actualmente a própria indústria mudou muito o seu ponto de vista, já não se pode viver na esperança dos grandes clientes e d as grandes encomendas. Portanto, muitas dessas unidades tiveram que se reformular, tiveram que se reestruturar, e se calhar que abrir novas perspectivas e daí hoje ser mais facil trabalhar com a industria. No meu caso, os industriais gostam de trabalhar connosco, e nós com eles. Os Maneis Questão de imagem Jornal Têxtil – Como é que tem corrido a apresentação das suas colecções no El Corte Inglés? José Manuel Gonçalves – Para mim o Corte Inglés é um bom ponto comercial. E o meu ponto de partida neste processo é tentar perceber se funciona ou não. Até agora, e eles estão informados sobre o que eu penso, não estou necessariamente feliz com nada do que se passa em termos de imagem. Percebo que são grandes armazéns, mas acho que o tratamento de marca de designers tem de ser diferente do das marcas e da roupa mais comercial. Mesmo essa tem que ter uma imagem específica e tratada. A escolha da parte do El Corte Inglés nas nossas colecções é objectivamente uma escolha com uma perspectiva comercial, portanto e o