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El Corte Inglés ganha corrida pela Marks & Spencer

Já há algum tempo que se falava da existência de vários aspirantes à compra de algum dos vários estabelecimentos espanhóis da Marks & Spencer que deveriam ter fechado no início deste mês. Falava-se da cadeia americana Gap, a Sueca Hennes & Mauritz, a francesa Fnac, o grupo liderado pela Associação Têxtil da Galiza, a Mercadona, e como novos protagonistas, o grupo El Corte Inglés (interessado em cinco estabelecimentos) e a Inditex, chegando até mesmo a Cortefiel a ser uma das interessadas. No dia 30 de Outubro, representantes do El Corte Inglés reuniram-se com os porta-voz dos trabalhadores da cadeia inglesa para os informar que tinham apresentado uma oferta global para as nove lojas da cadeia espanhola (excluindo as três lojas de franchising existentes nas Canárias) e para as duas existentes em Portugal, com o compromisso firme e irrevogável de manter nos seus postos de trabalho os empregados, podendo optar por incorporá-los nas lojas do El Corte Inglés ou então socorrer-se das clausulas de rescisão de contrato em vigor na regulamentação da própria Marks & Spencer. A 2 de Novembro foi a própria M&S a que reuniu a administração da empresa para comunicar-lhes a aceitação da dita oferta e o iminente fecho do acordo de compra e venda com o El Corte Inglés. Naturalmente transmitem-se as unidades de negócio bem como os imóveis que são propriedade da cadeia britânica. Para além disso é também transferido o arrendamento. Mas, tecnicamente não há compra de activos específicos: o grupo espanhol adquire assim a totalidade do capital da sociedade, que é o mesmo que dizer, as acções. Há quatro lojas em Madrid, duas em Barcelona, uma em Bilbau, outra em Sevilha e uma outra em Valência. Inicialmente o El Corte Inglés estava reticente em se encarregar das lojas situadas nos centros comerciais, pois ficam muito distantes do seu modelo de estabelecimento, mas no final acabou por aceitar. A Marks & Spencer não chegou a receber nenhuma oferta pela totalidade da rede até finais de Outubro, até que a Inditex avançou com uma proposta, mas não assumia o pessoal. Foi neste momento que o Corte Inglés entrou na corrida lançando uma proposta aos nove centros, incluindo a responsabilidade de manter os funcionários. O acordo final foi comunicado conjuntamente por ambas as partes no dia 2 de Novembro, quando a Marks & Spencer anunciou que cessaria as suas actividades no dia 15 de Dezembro, ou seja, uma semana antes do fecho limite previsto no seu plano de encerramento. O acordo excluía os centros portugueses da cadeia britânica, para os quais se continuava a negociar (a Mercadona é uma das proponentes). O preço global da operação foi de 150 milhões de euros, segundo estimativas dos peritos do sector, já que oficialmente não se apontou nenhum montante. No dia 5 do passado mês, o El Corte Inglés levou o projecto para a aquisição da totalidade do capital da filial espanhola da M&S ao Ministério da Economia, que deverá aceitar ou não a proposta no prazo de um mês. Ao mesmo tempo, o grupo comprador anunciou a sua vontade de reabrir todos os estabelecimentos adquiridos antes da campanha de Natal, que é o mesmo que dizer que só estarão fechados por alguns dias. A este respeito deve lembrar-se que, quando o grupo espanhol comprou vários hipermercados do Carrefour, o fecho para a mudança de imagem e a adequação dos produtos foi somente de dois dias.