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Elastron faz oito em linha

Enquanto um dos maiores fornecedores de revestimentos para a indústria dos estofos, a Elastron já garantiu o seu reconhecimento para lá da fronteira nacional com o prémio de Mérito Empresarial pelo seu investimento na China. Ao portefólio de mais de 100 coleções, junta oito novas, que vão desde a pele natural ao tecido hidrorrepelente.

José Carlos Oliveira

Fundada em 1978, a empresa começou por se dedicar ao comércio de artigos para a indústria do revestimento para estofos no mercado interno. Depois de mais de 20 anos de atividade, alargou o negócio à comercialização de componentes para calçado, tornando-se uma «referência para o mercado nacional», descreve o seu website.

Atualmente, o sector do calçado é uma minoria com 20% do volume de negócios da Elastron, estando o restante ao abrigo da indústria dos estofos. Este ano, a empresa acresce ao seu portefólio de mais 2.000 mil cores e 100 coleções, oito novas: três em pele natural, uma em pele sintética e quatro tecidos com hidrorrepelência. Na opinião de José Carlos Oliveira, CEO da área dos estofos, as novidades estão a ser «muito bem» recebidas pelos clientes, já que «isto é um trabalho que implica uma investigação inicial e de desenvolvimento com a parte comercial».

Concentrando-se no sofá residencial, a Elastron comercializa também para as áreas de contract, automóvel e náutica. «Quando apontamos para um artigo, temos que perceber muito bem onde vai funcionar e o que vai cobrir, porque, muitas vezes, investindo em vários requisitos técnicos, podemos estar a ganhar num segmento, mas podemos também estar a perder no mercado maior», reduzindo a competitividade pelo preço, explica ao Portugal Têxtil.

China antecipa aumento

A crescente dimensão da Elastron despertou o interesse dos sócios na abertura de filiais internacionais. Deste modo, em 2015, o grupo inaugurou as suas instalações no cluster de Yecla, em Espanha e, até 2018, somou duas novas unidades: uma na Alemanha (Elastron Deutschland) e outra na China (Elastron Tongxiang).

Exportando 70% da sua produção para 80 países, onde se destacam Espanha e Itália, José Carlos Oliveira acredita que «em breve», a China irá tornar-se o mercado mais importante, bem como a unidade mais representativa do grupo. «Começamos [a investir] há um ano e, dado que é o maior mercado do mundo, rapidamente acho que vai ultrapassar os outros», revela.

A forte aposta da fornecedora de revestimentos numa das maiores superpotências do hemisfério oriental – que atingiu um total de 2 milhões de euros gastos em infraestrutura, publicidade, promoção da marca e recursos humanos –valeu-lhe o prémio de Mérito Empresarial, em novembro de 2019, durante a VI Gala Portugal-China.

Por um mundo mais inovador e verde

Uma das grandes mais-valias da Elastron prende-se com o desenvolvimento de «tecidos mais inovadores», para «satisfazer mercados exigentes do contract, design interior e exterior», regista a sua plataforma online. O conceito de inovação materializa-se sob a forma da marca própria Advanced Fabrics, cuja seleção está «exclusivamente associada a artigos com tratamentos especiais ou características excecionais que conferem valor acrescentado e diferenciação aos artigos de estofo», indica.

A notoriedade desta marca advém das linhas e/ou características que são incorporadas nos respetivos artigos: Hydro Care Liquid Repelent (uma tecnologia de repelência da água), Easy to Clean (que permite a limpeza de manchas ou nódoas meramente com água), High Scratch Resistance (resistente ao risco), UV Resistance (resistente à radiação ultraviolenta) e Chemical Solvents Free (livre de solventes químicos).

Por outro lado, o grupo assume ainda um compromisso de sustentabilidade que batizou Blueworld. De acordo com o seu website, «em cooperação com os nossos parceiros e baseado numa estratégia de sustentabilidade, a Elastron desenvolve os seus artigos usando tecnologia que protege a saúde humana e ambiental». Deste modo, todos os artigos produzidos pelo grupo respeitam as normas Reach (regulação da União Europeia) e Oeko-Tex, para garantir uma oferta de valor acrescentado aos clientes.

De olhos postos no crescimento

Apesar de ser um dos maiores fornecedores de revestimentos para a indústria dos estofos em Portugal, toda a produção da Elastron é concretizada fora de portas. «Neste momento não produzimos. Investigamos, desenvolvemos ideias, conceitos e depois dirigimo-nos a produtores que consideramos mais competitivos mundialmente, propomos projetos e avançamos com essa parceria, através de um contrato de exclusividade», explica José Carlos Oliveira.

Com uma mão de obra de 178 trabalhadores (mais de 120 só em Portugal) e uma carteira de clientes que ultrapassa os seis mil, o grupo fechou 2019 com uma faturação de 40 milhões de euros, o que significa um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. «[A evolução do] mercado em 2019, de um modo geral, foi complicada. Sabemos que a nível do comércio internacional houve muita confusão com políticas de [Donald] Trump, alguma instabilidade em várias áreas», o que «não foi bom para ninguém», afirma o CEO.

Contudo, José Carlos Oliveira acredita que, em 2020, a Elastron poderá voltar a recuperar o crescimento que, em 2017, lhe valeu a nomeação como uma das 10 empresas mais inspiradoras em Portugal, pela Bolsa de Valores de Londres. Mediante um reforço do investimento na divulgação do grupo e nas feiras, que já totaliza um milhão de euros, o CEO confessa que «as expectativas para este ano são crescer acima dos 20%».