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Elite elege guarda-roupa estival

Os grandes nomes da alta-costura mundial esforçam-se sempre por criar desfiles que marcam vidas e perduram para lÁ do tempo. As apresentações das colecções para a Primavera/Verão 2008 não foram excepção. O evento exclusivo, que reúne cerca de 2 milpessoas de todo o mundo, apresentou oito das dez casas juridicamente protegidas com a designação de “haute-couture” e meia dúzia de jovens estilistas – praticamente desconhecidos do grande público – para além dos convidados habituais como o libanês Elie Saab e o português Felipe Oliveira Baptista (ver Um Português em Paris). Ainda que a Alta-Costura tenha estado muito bem representada por nomes como Christian Dior, Chanel, Christian Lacroix, Givenchy, Jean Paul Gaultier, Dominique Sirop, Franck Sorbier e Adeline André, ficou mais uma vez provado que para sobreviver precisa de ir abrindo as suas portas a novos talentos. Hoje não hÁ motivos para continuar a erguer barreiras intransponíveis entre a alta-costura e o prêt-à-porter», afirmou Didier Grumbach – presidente da Câmara de Alta-Costura, acrescentando que os estilistas convidados têm o ‘savoir-faire’ da alta-costura e sobretudo muito talento». Entre os referidos convidados estiveram nomes como o de Nicolas de Cauchois, Lefranc-Ferrant ou Gustavo Lins. Nicolas de Cauchois exibiu ao som do flamengo vestidos esvoaçantes e saias volumosas, que enchiam os corpos das manequins de elegância e sensualidade. A inspiração proveio da mulher do sul» – quer aristocrÁtica, quer boémia – na criação de peças prÁticas, uma vez que a alta-costura deve ser jovem, fÁcil de usar e realçar o corpo da mulher que a veste», afirmou o estilista após o desfile. JÁ, suavidade» foi a palavra-chave da colecção da marca Lefranc-Ferrant (Béatrice Ferrant e Mario Lefranc) com a apresentação de vestidos de seda, estampados suaves e muitas rendas, enquanto que o brasileiro Gustavo Lins fez uma apresentação estÁtica das suas criações em antigos quimonos reinventados e vestidos de linhas espirais. As críticas foram favorÁveis aos novos criadores, sobretudo ao brasileiro cujos coordenados foram considerados pelo jornal francês “Le Figaro” como esculturas em tecidos». O glamour dos “eternos” grandes nomes Ao longo da semana, mais uma vez, os desfiles das grandes casas foram um exemplo de elegância luxuosa e perícia criativa que, no entanto, deixaram de vez para trÁs a ideia de que a alta-costura não é usÁvel no dia-a-dia. Tal ficou provado até por Jean-Paul Gaultier e John Galliano (Dior) – dois “enfants terribles” do mundo da moda – que apresentaram colecções com modelos absolutamente vestíveis. Entre os pontos altos dos desfiles, esteve a Givenchy com o estilista Riccardo Tisci, que optou pela austeridade, com casacos de ar militar e longos vestidos em tons minerais, numa colecção clean com toques de modernidade. No entanto, a verdadeira estruturação surgiu pelas mãos da Armani com coordenados extremamente sedutores, nomeadamente com vestidos esculpidos que marcam uma nova era feminina, mostrando que o corpo perfeito existe mas que, todavia, não estÁ ao alcance de qualquer uma. Glamour não faltou, portanto, em silhuetas marcadas, onde os ombros apareceram estruturados e ajustados ao poder feminino. Seguindo estas tendências com atenção estiveram celebridades como Hillary Swank, Dita Von Teese, Ellen Pompeo, Claudia Cardinale e Sofia Loren. Com o título Um anjo passa», Christian Lacroix deu ao mundo um pouco de poesia», em vestidos esvoaçantes e floridos, inspirados nos quadros de Boticelli. JÁ, Marcel Marongiu trouxe de volta às passerelles os anos 80, na sua primeira colecção desenhada para a casa Guy Laroche. O estilista propôs vestidos com cintura marcada e ombros largos ou pontiagudos, com mangas drapeadas. Karl Lagerfeld, para a casa Chanel, buscou inspiração no fundo do mar, trazendo para a passerelle uma mulher-sereia coberta de escamas de prata. Lagerfeld propôs uma silhueta fina em curtas e fluidas saias em forma de tulipa, acompanhadas de casacos justos com mangas de três quartos. O estilista prestou, ainda, homenagem ao célebre casaco tweed, símbolo da casa Chanel. Na memória colectiva, Chanel é este casaco. Hoje, ele foi adaptado com uma inspiração nova, vinda dos caracóis», declarou Karl Lagerfeld à imprensa, acrescentando que a sua inspiração foi verdadeiramente o fundo do mar, com tons rosas e formas de caracóis». Para finalizar uma semana magnífica de moda, Jean-Paul Gaultier reproduziu novamente uma história teatral e ilusória, trazendo desta vez sereias de mantos prateados, dourados e coloridos. O estilista elegeu os salões do prédio que ocupa no centro de Paris para exibir os seus incríveis bordados e aplicações de pedras e lantejoulas, véus, muito ouro e prata. Com mulheres subaquÁticas de cabelos grandes e ondulados, os seus vestidos marcavam as silhuetas amplas, com grandes mangas, saias acima dos joelhos e bordados com escamas em tons turquesa e esverdeados. Mas não só de tendências ficou marcada a semana de alta-costura parisiense, isto porque nos bastidores continuou a polémica sobre a magreza excessiva das modelos. Preocupados com a situação, as associações de moda de França, ItÁlia, Estados Unidos e Grã-Bretanha decidiram fazer uma nova reflexão sobre o problema. O objectivo passa agora pela criação, segundo o ministro francês da Saúde Xavier Bertrand, de um grupo de trabalho sobre a imagem corporal, cuja missão serÁ apresentar recomendações de forma a combater, de forma definitiva, o problema da anorexia».