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Elmate de olho no 3D

A produtora de vestuário em malha está já a preparar o futuro e, para o próximo ano, antecipa o investimento em teares wholegarment para dar continuidade ao negócio.

Passaram-se já 30 anos desde que Abílio Pereira decidiu criar a Elmate, mas mais do que o passado, a mente do empresário, que tem a esposa e a filha, Elsa Pereira, a trabalhar consigo, está voltada para o futuro e para a solução de um problema que afeta cada vez mais as empresas nacionais. «Atendendo à falta de mão de obra, daqui a 15 ou 20 anos provavelmente não vai haver pessoal para trabalhar numa confeção e quem quiser cá ficar tem que arranjar alternativas», explica ao Jornal Têxtil. Por isso mesmo, Abílio Pereira está a ponderar realizar um novo investimento, já em 2019, para adquirir teares wholegarment, também referidos como teares de malhas 3D, que produzem a peça a três dimensões e sem costuras. «É ainda um projeto», sublinha. «Estive no Japão a ver os teares da Shima Seiki e as máquinas estão muito avançadas, já fazem coisas muito interessantes. E o futuro vai passar por aí», acredita.

Ordem para investir

Os investimentos têm sido uma parte importante da empresa, que nos últimos dois anos desembolsou, com o apoio do Portugal 2020, cerca de 750 mil euros em energias renováveis, na certificação da qualidade e no parque de máquinas. «Nos dois últimos anos foram nove teares novos, para renovar e também com outras características. Por exemplo, investimos em quatro teares de jogo 16 para os quais havia uma procura do mercado e que não tínhamos. Renovámos e aumentámos o parque ao mesmo tempo», revela o empresário.

Atualmente, a Elmate emprega 56 pessoas e tem a produção de malhas exteriores para homem, senhora e criança, que ronda as 20 mil peças por mês, dependendo do modelo, completamente tomada até outubro e com uma agenda já bastante preenchida para o próximo ano. «Não aumenta mais porque não há mais pessoas para trabalhar», reconhece Abílio Pereira. Aliás, confirma Elsa Pereira, «há cada vez mais procura. Desde que entrei na empresa, há quatro anos, que sinto isso. E é procura não apenas no geral, mas mais de clientes que se identificam com o nosso perfil, que estão interessados em qualidade e em pagar por essa qualidade. Deixámos de trabalhar com alguns clientes de segmentos mais baixos, que procuram preços competitivos e com os quais acabamos por não ter tanta rentabilidade. E o mercado francês, principalmente de homem, procura cada vez mais Portugal e a Elmate».

Homem em crescimento

O segmento de homem, de resto, tem vindo a crescer dentro das vendas da empresa, em detrimento do segmento de mulher e também de criança. «Agora trabalhamos muito menos para criança do que aquilo que trabalhávamos, em parte por opção nossa», admite Elsa Pereira. «Muita gente não tem noção do trabalho que dá fazer criança e depois, quando se apresentam os preços, acham que é um exagero. Mas não é», acrescenta Abílio Pereira.

No segmento de criança, a Baby Dior continua a ser um cliente de referência e de longa data, a que se juntam nomes como a Ami (marca fundada pelo designer francês Alexandre Mattiussi), no segmento masculino, e a Sunspel, marca britânica com vestuário para homem e senhora, entre outros.

Quase tudo o que é produzido na Elmate acaba nos mercados externos, nomeadamente em França, que se assume como o principal destino, Inglaterra, Holanda e Finlândia. Há pouco mais de um ano, a empresa avançou ainda para a presença em feiras internacionais. «Sentimos a necessidade de arranjar mais clientes e darmos a conhecer mais a empresa», aponta o fundador.

Com um crescimento constante nos últimos anos do volume de negócios, que em 2017 rondou os 2 milhões de euros (+17% face a 2016), os projetos para a Elmate não param. «Sempre tive objetivos para a empresa. E os objetivos que delineei há 20 anos foram mais ou menos atingidos: ter um parque de máquinas à volta de 30 teares – temos 30 teares –, trabalhar uma gama média-alta… Só não foi conseguido criar uma marca, talvez fique para a próxima geração», afirma Abílio Pereira. «Apesar de poder passar por criar uma marca própria, de poder passar por investir e investigar outros terrenos, este, de produtores de qualidade, que foi o caminho que o meu pai percorreu e é nisso que somos fortes neste momento, é a parte do negócio que acho importante. Por muita concorrência que haja, por tudo o que possa haver na têxtil – sabemos que infelizmente é muito volátil – é uma parte que terá sempre futuro na Europa», acredita Elsa Pereira.