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Em 2003 haverá liberdade de horários

«Os grandes centros comerciais não são perigosos para os comerciantes mais pequenos, dado existirem duas formas de comércio: o urbano e o periférico», é uma das afirmações que se destaca de uma entrevista que Javier Coll, Secretário Geral da Associação de Comerciantes Têxteis e Alfaiataria (ACTA), concedeu ao jornal espanhol Noticiero Textil. Javier Coll, engenheiro Industrial, assessor Técnico Comercial e especializado em Urbanismo Comercial, com 57 anos de idade, está desde 1978 naquele cargo da ACTA , tendo destinado cerca de 40% da sua vida a esta actividade. Com cerca de 600 associados na região da Catalunha, fundamentalmente em Barcelona, cidade onde têm uma forte penetração, aquela associação engloba o sector do comércio e alfaiataria, apesar deste último praticamente ter desaparecido. «Hoje em dia é difícil a existência do tradicional alfaiate em Espanha, oficio que vivia da confecção por medida». Com o passar dos anos, a ACTA foi perdendo associados, pois os estabelecimentos foram encerrando aos poucos. Para Coll, o urbanismo comercial foi muito cruel com o comércio em Espanha porque sentenciou de morte alguns estabelecimentos históricos. Coll aposta na sobrevivência dos retalhistas multimarca, que na sua opinião, se manterão como principal força, apesar da aparição de outros formatos de distribuição e da mudança de hábitos na cultura do consumidor. Os grandes centros comerciais não são perigosos para os comerciantes mais pequenos, dado existirem o comércio urbano e o periférico. Os horários são um dos principais problemas existentes entre os dois. Ao comércio periférico interessa-lhe liberdade de horários para que o consumidor possa comprar quando se desloca à periferia aos fins-de-semana. Ao comércio urbano interessa-lhe manter a estrutura de horários porque o consumidor desaparece dos centros urbanos aos fins-de-semana. Teoricamente em 2003 haverá total liberdade de horários. Questionado sobre a influência dos grandes armazéns, Javier Coll, afirma que a presença destes «no mercado foi histórica, ainda que muitos deles tenham também fechado. O sector que nós representamos, o comércio têxtil multimarca, foi perdendo quota de mercado de forma importante.» Em relação ao fenómeno de concentração e de como afecta o comércio têxtil multimarca, Coll não nega essa realidade, pois a concentração fortalece a concorrência, e isso é saudável e proveitoso. Mas essa tendência vai obrigar o retalhista a gerir melhor o seu negócio, a ser mais activo e profissional. No que diz respeito à reconversão do sector têxtil em Espanha, ela teve início logo após as Olimpíadas de 92, quando o presidente Felipe Gonzalez reconheceu que existia uma situação de crise. Esta situação, explica Javier Coll, causou «uma enorme contracção da procura, o que provocou uma derrocada na distribuição têxtil que além do mais tinha perdido a pouco e pouco a quota de presença no consumo familiar.» A reconversão consistiu, segundo Coll, na profissionalização do sector, ou seja passar parte da actividade de distribuição anteriormente realizada pelo comércio tradicional para empresas especificas de distribuição, melhorando a gestão das compras. O que significa efectivamente uma melhoria nas relações com os fornecedores. Referindo-se ao fenómeno Marks & Spencer, Javier Coll faz várias leituras do problema. Uma pode ser a de uma empresa que realizou a expansão com um produto enganado e agora tem de voltar às origens. Mas também se pode dizer que tentou introduzir-se no mercado da Catalunha, num ponto de venda muito bem situado e o sector resistiu. Este é então, na opinião do entrevistado, um êxito do sector multimarca que não só fez frente a uma concorrência lícita e leal, mas como a venceu. Uma das principais polémicas que envolveu recentemente as grandes superfícies foi a pressão para que a campanha de saldos não coincidisse com a entrada em vigor do euro. Tudo correu bem, mas segundo o Secretário Geral, «a posição das grandes superfícies de pedir para que se modificasse a entrada em vigor do euro, chegou a ser absurda». Para o futuro, Javier Coll, acredita nos têxteis-lar, por estar na sua opinião mais ligado à cultura. «O consumidor valoriza cada vez mais a qualidade de vida, e a qualidade de vida passa por parâmetros de boa comida, boas viagens, mas também um lar confortável,…».