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Em busca do El Dorado – Parte 2

O aumento dos custos de produção na China está a levar as marcas e retalhistas a procurar alternativas, mas o Império do Meio tem ainda algumas vantagens em comparação com os vizinhos asiáticos (ver Em busca do El Dorado – Parte 1). Fora da China e da América Central e Latina, Jenny Sim, vice-presidente de sourcing mundial na Foot Locker, uma retalhista listada nas 500 empresas da Fortune nos EUA, vê novas fronteiras na Asean – Egito, Jordânia, Rússia e Europa de Leste.A retalhista de artigos de desporto reduziu a sua base de aprovisionamento para ser mais concentrada, com algumas operações transferidas para o Bangladesh, Camboja e Vietname. Mas como Sim sublinha, «quando consideramos transferir para países emergentes temos de ver os riscos e os ganhos. Enquanto produtores, retalhistas e importadores temos também de pensar sobre o que podemos fazer de uma perspetiva a longo prazo. Quais são as competências de base [no novo país ou mercado], qual é o nicho? Qual é o valor acrescentado a longo prazo para o negócio? Não vamos para um país ou trabalhar com um fornecedor apenas por causa dos custos, apenas porque queremos poupar alguns cêntimos. Isso não faz sentido. Precisamos de pensar um pouco a mais longo prazo e questionar o que todos podemos fazer». Outros executivos do retalho revelam que a sua empresa se irá focar em novos países apenas com fornecedores existentes e comprovados, com os quais já tenham trabalhado durante vários anos noutro país. Consolidação do aprovisionamento Da perspetiva de um produtor e fornecedor, Ranjan Mahtani, CEO da Epic Group, que produz predominantemente no Bangladesh, refere que «nos próximos dois ou cinco anos vamos ver uma consolidação no aprovisionamento como nunca antes vista. A nossa indústria é a única que está a enfrentar deflação: as calças que eram vendidas por 15 dólares há 15 anos são agora vendidas por 12 dólares. Mas embora os preços estejam a descer, a realidade nesta parte do mundo é que os custos estão a subir. Como equilibramos este aumento de preço?». Parcerias estratégicas serão a chave, afirma Mahtani, sendo necessário a colaboração entre retalhistas e os seus fornecedores para compensar os custos do trabalho conseguindo melhorar as eficiências. «Terá de haver algum aumento ao consumidor, mas o resto virá da engenharia de produto, melhoria das eficiências e automação», resume. O resultado é que «não pode haver uma cadeia de aprovisionamento frágil dependendo de alguns países», justifica, e em cinco a 10 ou 15 anos «vamos ver um equilíbrio – podem ser domésticos, podem estar na América Latina, mas cada país irá ter o seu próprio nicho», conclui o CEO da Epic Group.