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Em busca do soutien perdido

A corrida pelo próximo soutien desportivo tem vindo a aquecer as especialistas em vestuário desportivo. Nike, Under Armour e Lululemon são algumas das marcas que querem cortar a meta em primeiro lugar.

O primeiro soutien desportivo, de acordo com a Bloomberg, chegou ao mercado em 1977. Nos últimos anos, a tendência crescente de usar peças desportivas fora do ambiente de ginásio – athleisure – levou os retalhistas a repensarem, também, o soutien desportivo.

Para os analistas, o último soutien desportivo da Nike é uma maravilha da engenharia.

Com apenas dois painéis e um elemento de ligação, o ultraleve Nike FE/NOM Flyknit Bra apresenta uma significativa redução em materiais e costura, sendo 30% mais leve do que qualquer outro soutien da gigante desportiva.

Este é também o primeiro soutien desportivo a utilizar a tecnologia Nike Flyknit e oferece máximo suporte e conforto durante qualquer tipo de treino, seja ioga, corrida ou treino de alta intensidade. Para chegar ao produto final e desenvolver a mais potente arma para o campo de batalha das marcas desportivas, foram necessárias mais de 600 horas de testes biométricos.

Já em maio, a Lululemon Athletica apresentou o seu novo modelo de alças cruzadas, batizado “Enlite”, feito com um tecido parecido ao usado nas calças de ioga da marca, que absorvem a transpiração.

No ano passado, a Victoria’s Secret lançou a linha atlética e elástica Victoria Sport e startups como a Knix Wear e a OMsignal entraram também em campo, oferecendo alternativas às grandes marcas.

Mercado com suporte

Em 2016, os soutiens desportivos como categoria de vestuário cresceram mais de 20% em termos comparáveis, para cerca de 3,5 mil milhões de dólares (aproximadamente 3 mil milhões de euros), nos EUA, de acordo com os dados da A.T. Kearney.

Simultaneamente, as consumidoras estão a descartar os soutiens tradicionais almofadados e com aros, pelo que os fabricantes tiveram de se adaptar.

As consumidoras mais jovens, em particular, mostram grande apetência pelos soutiens desportivos. Uma pesquisa realizada em 2015 pelo NPD Group mostrou que 41% das millennials tinham usado soutiens desportivos na semana anterior ao inquérito. O número ficou nos 21% para mulheres mais velhas.

Os soutiens atuais têm copas e diferentes níveis de compressão para diferentes atividades. Os novos materiais oferecem características como a absorção de transpiração, a ventilação e o controlo de odor.

«Não se encontram muitas inovações revolucionárias por causa das especificações técnicas e pelo facto de o soutien precisar de ter melhor performance do que qualquer outra peça de vestuário», explicou Liz Dunn, CEO da consultora Talmage Advisors.

Ao contrário de outras peças de roupa íntimas, nos soutiens a performance é uma necessidade. Como nenhum músculo controla o seu movimento, os seios podem causar desconforto durante a atividade física.

Os investigadores estão nos estágios iniciais de estudos sobre o movimento dos seios durante o exercício físico e sobre qual será a melhor forma de suporte.

Além disso, não existem dois seios – nem mesmo na mesma mulher – que sejam idênticos em posição, tamanho e densidade. Pelo que a descoberta do soutien desportivo perfeito, por mais que as equipas de design e I&D das marcas se esforcem e apesar do caminho do conforto já percorrido, ainda não conta com o total apoio da ciência.