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Em prol da inovação

Segundo um artigo de opinião de David Birnbaum, publicado pelo just-style, a palavra de 2014 é inovação. Para o sector de vestuário, a inovação assume muitas formas, desde o design e a tecnologia até à cultura. O computador trouxe-nos o desenho assistido por computador (CAD), bem como a fabricação assistida por computador (CAM). Trouxe-nos a gestão do ciclo de vida do produto (PLM). Dado o atual custo elevado destes programas, o que limita as vendas às empresas maiores, é muito cedo para definir a natureza e a extensão da mudança. Temos de esperar que os preços do PLM desçam para uns mais razoáveis 59,95 dólares disponível através da Amazon. Numa altura em que as tendências da moda desapareceram, os consumidores estão à procura de algo realmente novo, e não apenas ideias repiscadas do passado. A inovação está a tornar-se uma estratégia viável. O problema com a inovação prende-se com o facto de ser um processo complexo que exige inovadores talentosos que são, por definição, instáveis. Além disso, a inovação não é apenas invenção. Steve Jobs, que foi sem dúvida o mais talentoso inovador do nosso tempo, não era um inventor. O seu talento residia na capacidade de cooptar outros inventores talentosos para criar as coisas que Jobs necessitava para realizar o seu conceito inovador. Para serem bem-sucedidas, as empresas estão a procurar criar centros de inovação, como a Apple. Se as pessoas das tecnologias de informação (TI) conseguem fazê-lo, por que não nós? Na realidade, fizemo-lo. Em 1968, Maïmé Arnodin e Denis Fayolle estabeleceram a Agence Mfia em Paris. Parte agência de publicidade, parte estúdio de design, a MAFIA tornou-se na primeira loja de inovação do sector. Os dois parceiros encontraram bons colaboradores e tornaram-nos melhores. Os seus clientes incluíam alguns dos grandes nomes da época, como Yves St Laurent. A Mafia, no seu trabalho com a 3 Suisses, levou para o catálogo designers como Agnés B, Azzedine Alaïa, Jean Paul Gautier e Sonia Rikiel, derrubando assim para sempre a barreira entre o design de alta moda e as roupas para o consumidor médio. À medida que as empresas de vestuário avançam no sentido de estabelecer centros de inovação dentro de portas, deviam estudar o trabalho de Steve Jobs e particularmente de Maïmé Arnodin e Denis Fayolle. Existem aqui lições a reter: (i) a indústria de TI, da qual a Apple é o principal exemplo, baseia-se na inovação e sabe como criar inovação internamente; (ii) à medida que a empresa cresce, da qual a Microsoft é o principal exemplo, a organização assume a liderança e a inovação desaparece. A questão baseia-se no seguinte: como criar e manter uma cultura de inovação. Aqui temos de olhar para o exemplo da Agence Mafia. -As receitas da inovação são de tal ordem que um único esforço por parte de uma pessoa pode trazer um ganho financeiro maior do que o custo total de todo o centro de inovação ao longo de décadas. -Todo o esforço deve ser feito para recuperar e desenvolver a inovação. -Por natureza, a inovação é contra-corporativa. -Os inovadores talentosos irão trabalhar horas extraordinárias, desde que acreditem que o seu trabalho é visto como importante. -A administração deve assegurar constantemente aos inovadores de que o seu talento é grande e o seu trabalho apreciado. -Aos inovadores deve ser dada liberdade quase ilimitada. A este respeito a MAFIA permite aos seus trabalhadores tempo ilimitado para examinar fontes de novas ideias. Alguns possuíam um dia de folga por semana para visitar galerias de arte. Dois jovens viajaram de Paris a Milão para visitar uma fábrica de vidro. Tudo e qualquer coisa pode despoletar a próxima grande inovação. -A própria existência do centro de inovação interno cria a sua própria oposição visceral dos que estão fora e excluídos. Eles nunca devem ser autorizados a interferir. -O projeto de centro de inovação começa a partir do topo e, posteriormente, deve ser controlado a partir do topo. -Mais importante: a inovação só pode existir numa empresa com uma cultura de inovação incorporada. O conceito de centro de inovação está na sua fase inicial. Mais empresas profissionais, como a VF Corp, adotaram a ideia e parecem estar no bom caminho. A VF contratou inovadores de sucesso para gerir os seus centros e vai, sem dúvida alguma, estar atenta a este projeto fundamental. O futuro da indústria de vestuário mundial encontra-se na nossa capacidade de promover a inovação. Aqueles que entendem e incentivam o processo vão ser bem-sucedidos. Por outro lado, os que não compreenderem e incentivarem o processo estão condenados ao fracasso.