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Embargo ao algodão externo

O Egito suspendeu todas as importações de algodão numa tentativa de estimular a produção e comercialização da produção local, revelou o ministério da Agricultura, sinalizando uma mudança de curso apenas seis meses depois de anunciar a eliminação do apoio aos agricultores do país.

«A decisão visa proteger a produção local de algodão e solucionar os seus problemas de marketing», explicou em comunicado o ministério da Agricultura, acrescentando que as importações expedidas antes de 4 de julho seriam ainda aceites. «O ministério está interessado em recuperar a glória do algodão egípcio a todos os níveis», sublinhou.

O mercado egípcio para o algodão de fibra extralonga, de elevada qualidade, do em tempos apelidado de “ouro branco”, tem vindo a perder preponderância nos últimos anos. O ministério suspendeu em janeiro todos os apoios estatais concedidos aos produtores de algodão e intimou os agricultores a não aumentarem a produção, a menos que tenham já contratos de venda firmados. Nesse momento, o ministério anunciou que o cultivo de algodão egípcio extralongo, que compete com a variedade americana Pima, na categoria de fibras de elevada qualidade, é muito dispendioso.

Simultaneamente, destacou o facto de as próprias empresas têxteis egípcias terem alterado o seu foco de atividade, concentrando-se agora na fabricação de produtos de baixa qualidade, recorrendo, para tal, a importações de algodão cru de baixo preço. O presidente da Câmara Egípcia de Indústrias Têxteis solicitou aos agricultores que cultivassem algodão de fibra curta e média de forma a apoiarem a indústria têxtil do país que, de acordo com o comunicado, será afetado pela escassez de importações de algodão de baixo preço. «A decisão irá abrir a porta a uma expansão na importação de têxteis», afirmou Mohammed al-Morshedy à agência de notícias estatal MENA.

O Egito liberalizou o sector de algodão em 1994, expondo os agricultores a preços globais voláteis e aos crescentes custos de fertilizantes. A área plantada de algodão caiu drasticamente desde o auge da década de 1960, quando o cultivo de algodão ocupava mais de 924.000 hectares, estimulado pelos preços estatais tabelados. Atualmente, a produção ronda os 147.000 hectares, de acordo com os comerciantes de algodão. De forma a colmatar a carência instalada, o Egito importa algodão proveniente da Grécia, EUA, Burkina Faso e Benim. As importações de algodão deverão aumentar 30%, fixando-se em 450 mil fardos, anunciou o Departamento de Agricultura Americano, em resultado da decisão de retirar os subsídios concedidos à agricultura.