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Embargos da UE em seis categorias de artigos chineses

Uma delegação da comissão da UE encontra-se na China para discutir o problema. Os produtores chineses de vestuário estão a transferir a produção para outros locais da Ásia para fugir às restrições. As encomendas de t-shirts (4), blusas (7), sutiãs (31) e fios de linho (115) estão agora acumulados nas alfândegas europeias juntamente com os já embargados pullovers (5) e calças (6).

 

  Utilização das Quotas por Categoria de Produtos

Categoria Produtos Unidade Quota Quota Utilizada
Tecido de Algodão  ton. 26.217 36%
T-shirts 1000 Peças 150.985 100%
Pullovers 1000 Peças 68.974 196%
Calças – Homem 1000 Peças 104.045 108%
Blusas 1000 Peças 24.761 100%
Vestidos 1000 Peças 7.959 94%
Sutiãs 1000 Peças 96.086 100%
Lençóis ton. 6.451 88%
Toalhas ton. 5.521 77%
Fio Linho ton. 1.911 100%

 Nota: a cinzento são as categorias que ultrapassaram as quotas definidas no acordo de 10 de Junho

 

Europa dividida

Existe uma divisão entre os produtores europeus de vestuário e retalhistas, com os primeiros a sublinhar a necessidade de proteger a indústria fraca e os últimos dependentes das importações baratas. Esta divisão fez-se notar nos círculos políticos existentes na UE. Os países do norte da Europa estão em discordância com países como a Itália e França que ainda mantêm a produção têxtil nacional. Alguns países do Norte escreveram à comissão da UE exigindo uma maior flexibilidade no acordo para permitir que os retalhistas consigam aceder a mais produtos. Por outro lado, temem que a economia venha também a ser prejudicada com os consumidores a pagar os custos adicionais. A comissão europeia respondeu anunciando recentemente a sua intenção de resolver o assunto procurando aumentar a quota de 2005 em determinados produtos transferindo cerca de nove por cento da percentagem de 2006.

 

Debaixo de ataque

Contudo, a comissão tem sido criticada por ambas as facções. Os retalhistas queixam-se dos efeitos negativos das quotas, enquanto os produtores europeus temem que o acordo não tenha trazido grandes benefícios no que respeita à protecção da indústria. Os retalhistas europeus já avisaram várias vezes a comissão sobre as consequências se a situação permanecer inalterada por muito tempo. «As consequências possíveis serão as faltas de artigos nas prateleiras. Os retalhistas vão dirigir-se rapidamente a outras fontes, os preços vão subir e o consumidor vai pagar», afirmou Jean-Marc Genids, da associação francesa de retalhistas, CNHS.  

 

A principal queixa dos retalhistas é que as encomendas ano foram feitas na China muito antes de o acordo ter sido firmado. São estes artigos que poderão ser “libertados” num futuro ajuste de flexibilidade do anterior acordo de Junho.

 

Negociações

Um porta-voz da comissão, Rupert Krietemeyer, confirmou que Bruxelas não tinha antecipado o aumento tão rápido das importações após o acordo de Junho e tentou despreocupar os retalhistas. «Sabíamos que as quotas acabariam por ser esgotadas um dia, mas não esperávamos que acontecesse tão rapidamente. Sabemos que a situação é muito séria para os importadores e estamos a tentar ajudá-los». Um membro da comissão também tentou acalmar os receios dos produtores nacionais relativamente a uma renegociação do acordo. «Não existe razão para renegociar o acordo de Xangai».

 

Uma equipa de peritos de comércio da UE viajou até à China para falar hoje com as partes envolvidas e tentar encontrar uma solução para o problema que cada vez se acentua mais. Entretanto, os executivos da UE deverão encontrar-se com representantes de todos os 25 países membro, na Quinta-feira, em Bruxelas, para continuara a analisar e discutir o problema. A reunião do comité têxtil da UE vai também estudar opções.

 

Preocupações chinesas

Os produtores chineses de têxteis e vestuário estão apreensivos com a situação actual na Europa e também com as longas negociações com os EUA. Algumas empresas anunciaram a sua intenção de deslocalizar a produção para países vizinhos tais como o Cambodja, Vietname e Bangladesh, com o objectivo de contornar as barreiras comerciais. A Shangai Weixin Clothing Sales Company, já confirmou a mudança da sua produção para outros países. O Bangladesh tem vindo a registar um crescente interesse por parte dos chineses na produção têxtil do país existindo já vários acordos. Cao Xinyu, da câmara do comércio das importações e exportações têxteis, considera que os embargos actualmente existentes são injustos considerando que muitos contratos foram assinados em datas anteriores ao acordo de Junho e afirmou, «temos esperança que a UE possa reavaliar o sistema de quotas – isto resolveria não só o problema da China, mas também o da Europa». Contudo, afirmou, «as perspectivas não são optimistas».