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Emojis invadem as marcas

De corações a representações pictóricas de animais a sapatilhas personalizadas e versões animadas de celebridades, diversas marcas adotaram já a nova tendência dos emojis, uma nova forma de linguagem digital que não conhece barreiras e humaniza a comunicação.

«À medida que os emojis evoluem de simples acrescentos às mensagens de texto para um código pictórico de reconhecimento global, poderemos estar na eminência de desenvolver a primeira linguagem verdadeiramente universal?» Esta foi a questão colocada pelo relatório “Sem palavras – a evolução dos emojis”. Existem atualmente 41,5 mil milhões de mensagens enviadas e 6 mil milhões de emojis, emoticons ou stickers enviados em todo o mundo, diariamente, através de um aplicativo de mensagens, de acordo com a empresa Swyft Media.

Algumas das mais reconhecidas marcas globais estão atentas à tendência. Em diferentes sectores, diversas organizações estreiam-se neste campo, criando campanhas que incluem ícones emojis ou stickers relevantes. Esta estratégia apresenta-se, simultaneamente, como uma ação efetiva de relações públicas, numa tentativa de adaptação às tendências emergentes, assim como uma oportunidade de ampliar a base de clientes, anulando as barreiras linguísticas.

«Os emojis representam uma mudança cultural marcante no vernáculo, rumo a uma forma mais visual de comunicação, presenteando as marcas com uma oportunidade de transmitirem as suas mensagens de forma ainda mais criativa. Para os linguistas, os emojis acrescentam sal à comunicação, superando a parte simples da semântica da linguagem e tornando-a mais divertida e expressiva», indicou a produtora de conteúdos Digiday. John McWhorter, professor de linguística do Centro de Estudos Americanos da Universidade de Columbia, nos EUA, acrescentou que «os emojis transmitem o aspeto humano da comunicação».

Mascas como Coca-Cola, Ikea, Burger King, Oreo, Bud Light e GE são apenas algumas das empresas que já se estrearam neste nova forma de linguagem. O relatório sobre a utilização de emojis foca-se particularmente na experiência da PETA, Footlocker e Burberry.

A organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA, na sigla inglesa) introduziu uma campanha baseada unicamente em emojis de forma a destacar a crueldade contra os animais e apelar a doações. O vídeo, intitulado “Cruelty Beyond Words”, usou facas, martelos e seringas a par de coelhos, macacos, tigres e esqueletos. A campanha era dirigida a uma geração de jovens que, como referiu a organização, talvez não reconheça os porta-vozes e celebridades que se associam a esta causa, mas que compreendem a linguagem emoji.

A Footlocker lançou recentemente o seu primeiro aplicativo e introduziu uma biblioteca de emojis que inclui 80 representações de sapatilhas, que reproduzem modelos de marcas como a Nike, Converse, Adidas e Under Armour, e cuja atualização será feita a par do lançamento de novos produtos. «Da mesma forma que os utilizadores de smartphones comunicam entre si usando vários emojis, os clientes podem agora partilhar a sua paixão por sapatilhas de uma forma nova e visual», explicam em comunicado. A agência BBDO New York, responsável pelo desenvolvimento do conceito, acredita que «a comunicação entre os amantes de sapatilhas nunca mais será igual». Esta foi, também, uma forma eficaz de estimular o download do novo aplicativo da marca.

A marca de moda britânica Burberry associou-se ao aplicativo de mensagens japonês Line, reconhecido pelos seus emojis e stickers, na criação de um filme animado, apresentado na temporada das semanas da moda internacionais. Nele figuravam os principais personagens da Line, Cony e Brown, vestidos com os clássicos trench coats da marca, em passeio pela capital britânica, na qual se cruzaram com versões animadas de Anna Wintour, Christopher Bailey, Cara Delevingne e Mario Testino, que também figuravam no aplicativo.