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Empa cria penso que mata bactérias

Investigadores do Empa desenvolveram membranas celulósicas equipadas com péptidos antimicrobianos capazes de combater as infeções bacterianas em feridas e ajudar a prevenir infeções generalizadas mortais.

Katharina Maniura [©Empa/Mareycke Frehner]

Quando os germes entram numa ferida, podem despoletar uma infeção prolongada que, no melhor dos casos, atrasa ou impede a cura completa e, nos piores dos casos, espalha o problema pelo corpo e cria uma infeção generalizada, conhecida por sepsis.

A resistência aos antibióticos está a tornar-se num problema cada vez mais disseminado, sobretudo em feridas complexas, uma vez que bactérias como os estafilococos se tornaram mais resistentes ao que anteriormente chegou a ser uma arma miraculosa da medicina. Para tentar resolver este problema, os investigadores do Empa desenvolveram membranas celulósicas que permitem, desde cedo, combater as infeções.

A equipa liderada por Katharina Maniura, investigadora do laboratório Biointerfaces do Empa, em St. Gallen, na Suíça, criou membranas finas a partir de celulose usando a tecnologia de eletrofiação. As fibras celulósicas, com um diâmetro inferior a um micrómetro, foram fiadas e deram origem a um material delicado, tridimensional e com múltiplas camadas. As membranas tornaram-se particularmente flexíveis e, ao mesmo tempo, estáveis, depois dos investigadores terem acrescentado poliuretano no processo de fiação.

Para obter o carácter antibacteriano, os investigadores criaram péptidos multifuncionais que, afirmam, podem ligar-se às fibras celulósicas e ter atividade antimicrobiana. De acordo com os cientistas, os péptidos têm várias vantagens em comparação com proteínas maiores: são mais fáceis de produzir e mais estáveis do que proteínas, podendo reagir de forma mais sensível às condições químicas numa ferida.

Pele protegida

Quando as membranas celulósicas são tratadas com este tipo de solução, a estrutura das fibras fica saturada com péptidos.

Equipa do Biointerfaces [©Empa]
Em experiências com células em cultura, os investigadores demonstraram que as membranas que contêm péptidos são bem toleradas pelas células da pele humana. Contudo, as membranas celulósicas revelaram ser uma sentença de morte para bactérias como o estafilococo, que são muitas vezes encontradas em feridas mal saradas. «Nas culturas bacterianas, mais de 99,99% dos germes foram mortos por membranas contendo péptidos», revela Katharina Maniura.

No futuro, as membranas antimicrobianas serão equipadas com funções adicionais, permitindo, por exemplo, «a libertação controlada de mais substâncias terapêuticas», aponta a investigadora.