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Empresa canadiana sobe ao pódio

Aquando das cerimónias de abertura da 19ª edição das Olimpíadas de Inverno em Salt Lake City, começou também a corrida à mercadoria de moda olímpica. Para uma pequena empresa canadiana, o ouro não existe só quando a medalha sobe ao pódio, mas também na peça de vestuário que acompanha o vencedor. Não poderá existir melhor exemplo do que as Olimpíadas podem fazer por um negócio, do que o exemplo da Roots of Canada, uma pequena empresa de calçado criada por dois jovens de Detroit que cresceu e se tornou numa empresa de artigos desportivos bem conceituada. Para a maior parte do mundo, as cerimónias de abertura dos Jogos de Inverno 2002 foram um grande espectáculo, realçado pela parada dos atletas. Mas para esta empresa de sportswear sediada fora de Toronto, foi mais como que ganhar a trifecta – à medida que as equipas olímpicas da América, Canadá e Inglaterra marchavam usando Roots. “Nós estamos maravilhados com a quantidade de negócios que se pode fazer neste período de duas semanas”, disse o co-fundador da empresa, Michael Budman, “acho que foi a semente para tudo”. Budman e um colega de Detroit passaram de uma loja e de um produto em 1973, para 200 lojas (140 no Canadá, 7 nos Estados Unidos e 80 no Extremo Oriente). Hoje em dia a empresa forra pullovers, chapéus e outras peças que estão à venda para todos os atletas de bancada em todo o mundo. É o que se chama hoje em dia uma marca “lifestyle”. “Nós acreditamos na marca Roots”, afirma Budman, “não temos uma ideia pré-fabricada aqui: isto é a nossa vida, a qual vivemos há 28 ou 29 anos”. A empresa estava a ir bem durante os anos 70 e 80, mas num crescimento lento que acabava por criar um impasse. Mas depois chegou 1988, e o fenómeno chamado equipa jamaicana. “Tudo remonta a 1988 quando a equipa jamaicana chegou a Toronto literalmente sem casacos!”, disse Budman. Então, como que por brincadeira, a Roots fez-lhes alguns. O sucesso levou a que a Roots vestisse toda a equipa canadiana nos jogos em Nagano em 1998. “Tudo se conjugou” afirmou Budman. “os fatos, a equipa – foi a equipa canadiana com mais sucesso na história canadiense”. Isto levou a que o Comité Olímpico Americano (COA) pedisse à Roots que os vestisse este ano. “Os nossos atletas gostaram verdadeiramente do equipamento dos atletas canadianos feito pela Roots”, adiantou o porta voz do COA, Mike Moran. O Comité Olímpico deslocou-se à Roots depois de um negócio falhado com Tommy Hilfiger, e a mudança para a empresa canadiana produziu o primeiro mercado retalhista para o equipamento da equipa olímpica americana. Produtores estrangeiros, tais como a Adidas, produziram os uniformes americanos no passado, e Moran revelou que o negócio com a Roots irá estender-se aos uniformes que os atletas americanos irão usar na abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004. O que é um bom negócio – considerando que cada atleta tem cerca de 40 peças de roupa. “Para a equipa americana são 57 – um pouco mais…” acrescenta Budman. Depois, ainda há a faceta promocional de ter as suas roupas a serem exibidas nas cerimónias de abertura – que bateu recordes de audiências televisivas este ano. “Posso dizer-lhe o seguinte: as vendas têm sido fenomenais no retalho neste momento”, afirma Budman. Para termos consciência do quanto as Olimpíadas têm ajudado a Roots, existe um bom exemplo: a popular moda do chapéu virado para trás, tipo boina, a que se chama de “poor boy”, que foi desvendado em Nagano em 1998 e que mantem fortes vendas. O que faz os estilos serem tão populares? Por uma razão, a Roots ouve com muita atenção os seus clientes, de acordo com Emily Cook, um membro da equipa americana de esqui livre. “Os atletas podem dar a sua opinião sobre o que eles procuram, conforto, cores, coisas do género”, acrescenta, “eles usaram realmente os palpites dos atletas”. O uniforme da parada de abertura inclui uma camisola de algodão azul clara com riscas brancas e vermelhas, um casaco de lã azul patriota com arranjos em pele, calças de lã e uma boina com inscrições vermelhas. Cada atleta recebe o uniforme de ascensão ao pódio – só para o caso, adianta o designer da Roots, Adrian Aitcheson. É um casaco de pele azul patriota – que não está à venda nas lojas Roots. Mas Aitcheson está confiante de que o design será visto por uma vasta audiência. “Claro, estamos a falar de americanos. Eles estarão no pódio das medalhas de prata, logo do lado dos canadianos”, acrescenta com um riso.