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Empresas antecipam mais de meio ano para recuperar

Com a confiança em baixa e a certeza de que as medidas governamentais são insuficientes, os mais de 220 CEO e administradores de médias e grandes empresas inquiridos em Portugal pelo Kaizen Institute Western Europe preveem reduzir os postos de trabalho e recuperar o nível de atividade entre seis a 12 meses.

Numa edição especial que abrangeu o período de 8 a 13 de abril, o Barómetro Kaizen, pensado para aferir a perspetiva das empresas que atuam em Portugal face à nova conjuntura social e económica provocada pela pandemia de Covid-19, mostrou que o grau de confiança dos gestores na economia nacional encontra-se nos 8,4 valores em 20, um valor inferior ao do último barómetro realizado pelo Kaizen Institute, em fevereiro deste ano, quando o grau de confiança se apresentava em 12,1.

A maioria (81%) dos inquiridos considera que as medidas de apoio implementadas pelo Governo para a crise atual são insuficientes. Ainda assim, metade dos inquiridos já recorreu ou planeia recorrer ao lay-off simplificado, 43% utilizaram ou pensam utilizar flexibilização do pagamento de impostos, 34% usaram os subsídios em caso de isolamento, doença e apoio à família, 24% pretendem recorrer ao incentivo financeiro extraordinário para apoio à normalização da atividade da empresa e 4% recorreram ou tencionam recorrer ao apoio extraordinário para formação profissional. 26% indicaram que não recorreram nem planeiam recorrer a programas de apoio.

«Por considerarem que estas medidas não estão a ser suficientes, os empresários com quem o Kaizen Institute colaborou indicaram várias iniciativas que consideram importantes e que gostariam que fossem implementadas. 40% dos inquiridos destacaram questões como a isenção de comissões nas Linhas de Crédito disponibilizadas pelo Estado, a adoção do apoio financeiro às famílias ou a possibilidade de isenção de contribuições sociais a empregadores que optem por pagar acima dos valores previstos pela lei em caso de lay-off», enumera, em comunicado, António Costa, senior partner do Kaizen Institute Western Europe.

Um ano para recuperar

No mês de março, 46% dos inquiridos indicaram que a faturação da sua empresa ficou até 25% abaixo do previsto, 20% reportaram quebras entre 25% e 50% e 12% uma descida superior a 50%. Os restantes 22% deram conta de um crescimento acima do previsto.

A generalidade das empresas inquiridas também reduziu os custos para fazer face à queda da faturação: 62% baixaram a despesa até 20%, 8% entre 20% a 40% e 4% fizeram cortes superiores a 40%. Os restantes 26% não fizeram qualquer redução.

«Feito um mês desde que foi decretado o Estado de Emergência, as empresas já sentem consequências da conjuntura que vivemos. Muitas já tiveram de reduzir o número de trabalhadores e muitas outras procuram formas para se conseguirem adaptar da melhor forma possível a esta nova realidade», afirma António Costa.

15% das empresas inquiridas reduziram os postos de trabalho até 10% e 5% fizeram mesmo uma diminuição entre 10% e 30%. Há ainda 34% dos inquiridos que, embora ainda não tenham diminuído o número de trabalhadores, tencionam fazê-lo. 45%, contudo, não fazem intenção de reduzir os postos de trabalho. A maioria das empresas (54%) tem pelo menos um quarto dos seus colaboradores em teletrabalho, realidade que na opinião dos empresários (57%) resulta numa menor eficiência e desempenho.

Quanto à retoma dos níveis de atividade, a maioria dos empresários (60%) prevê que seja necessário um período entre seis e mais de 12 meses para retomar o nível de atividade pré Covid-19.

«É um período fora do normal e de adaptação para todos. O ponto positivo é que grande parte das empresas que inquirimos estava preparada para manter a sua atividade em pleno, Esta preparação facilitou a adaptação imediata de postos de trabalho, o horário dos turnos e a adoção de medidas para movimentar materiais, limitar pessoas por área e até para contactar com o exterior. No caso dos colaboradores em teletrabalho, contribuiu para a imediatez da transição, que nesta fase é fundamental», destaca António Costa.