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Empresas de qualidade nas malhas

Presença habitual nos maiores eventos de moda, Katty Xiomara pretende continuar as suas recentes parcerias com a Zippy, através da produção de colecções infantis, e com a FigFort, com quem recentemente apresentou a sua nova linha de lingerie denominada de XIK. Em conversa com o Jornal Têxtil, (JT) a estilista viajou no tempo e apresentou as novas tendências para a próxima estação, assim como deixou no ar o desejo de poder continuar a sua campanha de expansão a nível internacional. Jornal Têxtil (JT) – Como nasceu a paixão pelo estilismo?Katty Xiomara (KX) – Foi nascendo… acho que tem a ver com o universo feminino, com a vaidade. Na verdade, nunca pensei encarar o estilismo como profissão, mas acabou por acontecer. A formação acabou também por ser uma surpresa. Primeiro porque era um curso bastante completo e, quando estive no Citex, descobri que podíamos observar todos os campos que intervêm no processo de concretização e fabrico das próprias peças e não só na parte criativa. E todo esse mundo acabou por me fascinar, nunca deixando todavia de criar. JT – Tem participado em distintas parcerias moda/indústria: Kispo, TRL, Fernando Valente… Como se processou cada uma?KX – Normalmente são convites feitos pelas empresas que surgem em conversas de bastidores ou situações mais informais. Depois, umas parcerias acabam por acontecer, outras não, e umas são mais curtas, outras mais longas. Na realidade, cada parceria vai-me dando mais maturidade e vai-me fazendo entender qual o interesse da própria empresa em conjunto com o meu. Portanto, quanto mais recente for a parceria mais a desfruto. Trata-se de uma evolução própria, que torna estas parcerias cada vez mais interessantes, como foram as duas últimas que tive, com a Zippy e a FigFort Tive outras parcerias, como com a Kispo que durou pouco tempo, porque houve uma mudança de estratégia, que já não se encaixava dentro do inicialmente previsto; a Xiomar, com a TRL, também sofreu mudanças e a estratégia não foi bem estudada, pois tratava-se de um produto extremamente difícil de vender. Primeiro, porque era um produto de uma só estação do ano e, depois, quando se quer atingir uma faixa de preços média, que é a mais complicada, tudo à sua volta deve ser muito estudado, e como os resultados obtidos não foram satisfatórios, achámos por bem terminar com a parceria. JT – É uma das estilistas nacionais com maior experiência na indústria. Quais são as principais diferenças entre a Katty Xiomara criadora da sua própria marca (moda conceptual) e a Katty Xiomara criadora para as marcas da indústria (moda industrial)?KX – A maior diferença é que tenho de orientar a minha criatividade segundo os padrões de uma marca que já existe. Esse não foi o caso da XIK, que é Katty Xiomara íntimo e que é uma marca nova, criada por mim de raiz. Nos outros casos tenho de usar a minha criatividade e o meu cunho pessoal dentro dos cânones da marca. Existe um processo muito longo, no qual dependemos de muitas pessoas e portanto tem de haver um equilíbrio entre todas as partes. Sendo assim, este tipo de colecções tem de ser elaborado de forma diferente das peças de autor. Estou convencida que muitas das peças "Katty Xiomara" nem sequer são produzidas, nem concretizadas comercialmente e as que são acabam por ter um valor acrescentado, ao contrário das peças para marcas da indústria que tem obrigatoriamente que ser concretizadas, e de preferência bem concretizadas, a nível comercial. JT – E neste âmbito, em que marcas nacionais e/ou internacionais se revê? KX – Em termos de produtores de tecidos há muitos. A nível nacional, nas malhas temos imensas empresas de qualidade. Eu, por exemplo, costumo trabalhar com a Matias Araújo, a Sidónios, a Fernando Valente e algumas delas fazem a aplicação destas tecnologias, mas é muito específico porque está relacionado com os pedidos dos clientes. Em termos de tecidos, a nível nacional tenho algumas referências mas a título internacional tenho uma gama que admiro muito e que se designa de Le Monte, que alia o design ao conceito técnico.Em termos de marcas gosto das mais específicas de activewear, fatos de neve, marcas como a North Face. JT – Há cerca de um ano atrás criou a linha "Katty Xiomara for Zippy"… Como surgiu, e vai ter continuidade?KX – É uma área diferente, com um "target" diferente mas do qual gosto muito… Embora seja uma colecção desenhada dentro da colecção da Zippy, designada de "Katty Xiomara for Zippy" tem um "target" mais elevado mas nunca chega a ser o "target" que normalmente temos como designer. Com a Zippy existe uma elasticidade maior e tenho de trabalhar as peças como constantes desafios. É uma experiência que me dá muito prazer e que vai ser para continuar. No entanto, vou tentar simplificar as peças, de forma a torná-las ainda mais viáveis e acessíveis a um maior número de pessoas. JT – Como encara a criação de moda para as massas. Aliás a Katty Xiomara está a utilizar um modelo estratégico na Zippy, semelhante ao que a H&M tem utilizado com Karl Lagarfeld, Stella McCartney ou Viktor & Rolf… KX – Suponho que a título nacional pode ser comparável e acho estas alianças óptimas, porque realmente trata-se de uma forma de podermos oferecer algum design de assinatura, a um preço mais acessível. Este tipo de criações, até para nós seriam difíceis de concretizar, se não tivéssemos uma cadeia comercial por detrás, que produzisse o suficiente, para atingirmos um preço mais baixo e viável. Portanto acaba por ser tão bom para nós como para a própria marca e, na minha opinião o que a H&M faz acaba por colocar a marca num patamar acima do da Zara, por exemplo. Apesar de ambas serem semelhantes, a verdade é que a H&M consegue oferecer mais alguma coisa aos seus clientes… JT – A internacionalização é um dos seus objectivos. Em que países é que se encontram já as tuas colecções à venda?KX – Vendo em Espanha, Alemanha e em Portugal. JT – A sua participação na Bread & Butter Barcelona é um dos maiores impulsos a essa internacionalização? KX – A participação na Bread & Butter Barcelona tem sido muito importante para promover a minha internacionalização e tem-se verificado uma experiência bastante interessante. Isto porque, apesar das quantidades serem sempre pequenas, as lojas vão crescendo e isso tem sido bastante bom para mim. Temos conseguido estabelecer alguns contactos com agentes, e este feedback e possibilidade de colocar a minha marca no estrangeiro, ainda que pontualmente, é muito positivo. JT – Quais são as suas expectativas e as novidades para a próxima edição da Bread & Butter, a decorrer este mês?KX – A maior novidade é que vamos levar a colecção de lingerie à feira, tendo já algumas marcações com clientes. JT – As suas colecções são descritas como sendo muito femininas, sensuais e divertidas… Concorda?KX – Eu penso que o cunho pessoal, assim como o feminino está sempre presente e depois há muitas coisas que sinto e sei que aplico às minhas colecções. Para mim, é muito difícil trabalhar com poucas cores, gosto de padrões, conjugação de paletes de cor e de materiais distintos e de misturar diversos materiais numa única peça. JT – Recentemente apresentou uma nova linha de roupa interior designada de XIK. Como surgiu esta incursão neste segmento? Em traços gerais como defines esta colecção?KX – Acaba por ter algumas características semelhantes ao meu vestuário. Primeiro, porque é uma colecção bastante feminina, com uma mistura de materiais bastante extensa. Depois, o facto de serem peças tão delicadas, fez com que as mesmas tivessem de ser trabalhadas de forma especial, onde não descurei a aplicação de detalhes. Além disso, foi uma colecção criada em quatro linhas distintas, o que acaba por ter um percurso criativo e de oferta um pouco diferente do que é feito com o vestuário. Mas, penso que se trata de uma colecção revivalista e extremamente feminina, sendo uma colecção de lingerie que consegue ir mais além…Esta colecção de lingerie foi criada através de uma parceria com a FigFort e tem sido uma experiência muito diferente por serem peças que acho que têm um trabalho extremo, que deve ser muito cuidado e trata-se de uma área que sempre quis abordar. Portanto, nesta fase, sinto que estou a fazer bem e que há um bom conjunto de situações que fizeram com que a colecção tivesse corrido bem. Primeiro, porque em termos técnicos foi muito bem elaborada e, depois, porque o design também correu bem, assim como a selecção dos materiais. Este tipo de produtos precisam de um parceiro técnico em termos de produção, e a FigFort tem excelentes condições técnicas de trabalho e inclusive um certo know-how em termos de conhecimento do mercado, o que ajuda bastante. JT – A Katty Xiomara tem realizado outros projectos originais. Criou figurinos para uma companhia de dança, participou na iniciativa "Design to compete" da SEAT e mais recentemente com a Sony. Que mais-valias lhe proporcionaram estas experiências?KX – São parcerias que vão surgindo e que são extremamente interessantes, porque acabam por ser um quebrar do ritmo de trabalho, uma vez que normalmente pedem-nos para criar coisas completamente distintas das que fazemos quando criamos uma colecção. Por exemplo já me pediram para criar um capacete, ou para refazer um fato de corrida, e estes são desafios criativos que me dão prazer elaborar. O que aconteceu com o saco da Playstation, foi um exercício criativo que teve de ter muita pesquisa pelo meio e que me obrigou a começar a jogar e o resultado foi extremamente agradável, com uma recepção bastante positiva, tanto que não paro de receber e-mails para voltar a criar uma bolsa. No entanto, é uma bolsa exclusiva para a Playstation e são eles que estão a gerir a oferta limitada.