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Empresas do Médio Oriente bem sucedidas

Três empresas – Centuary Investment Group, Elyon Textile and Technology e Delta Galil – falam dos desafios e das oportunidades de produzir vestuário e têxteis na Jordânia, Egipto e Israel. Omar Salah, fundador e presidente da Centuary Investment Group, sediada na Jordânia, tem uma visão optimista no que respeita às mudanças que estão a ser feitas na economia da Jordânia e no aumento de exportações que o país está a ter. Muito deste progresso é resultado da implementação das Qualifying Industrial Zones (QIZs), que permitem às empresas que produzem nestas regiões, exportarem produtos para os EUA livres de quotas e taxas alfandegárias. A Centuary está colocada em bolsa na Jordânia e conta com mais de 6000 trabalhadores. Esta empresa trabalha com 11 parceiros, na sua maioria da indústria do vestuário, mas também com empresas de outras áreas industrias incluindo calçado, electrónica e joalharia. «Nós estabelecemos parcerias que asseguram o plano de marketing, o desenvolvimento do produto e o design em que contamos com o «know-how» ou experiência específica para a linha de produtos na qual se estejam a especializar. Basicamente nós tratamos de tudo desde o desenhar a fabrica até construí-la, recrutar as pessoas, lidamos com toda a papelada e burocracias, administramos e tratamos da logística», diz Salah. Quanto a exportar para os EUA, a Jordânia apresenta uma grande flexibilidade. Nas palavras do director da Centuary «em primeiro lugar podemos apostar no Tratado de Comércio Livre entre Israel e os EUA, que é provavelmente um dos melhores tratados de livre comércio que existe….E existem meios para utilizarmos a nossa proximidade com o governo na Jordânia e com os governos em Israel e nos EUA para construirmos aquele tipo de relações onde possamos saber quais os produtos que estão livres de taxas alfandegárias, mesmo antes de constituirmos a parceria e avançarmos com o projecto» . No que respeita a obter os tecidos necessários para as empresas da Centuary, Salah diz que a Jordânia não tem uma grande indústria têxtil, mas que recebe bons carregamentos de tecidos do Egipto, Turquia e Paquistão e que «verificou que de um ponto de vista competitivo é mais fácil importar», acrescentou. «Nós gostaríamos de ver empresas…falarem com os seus vendedores favoritos e dizer-lhes ‘sabem, nós achamos que este item seria muito mais barato se fosse feito na Jordânia, porque é que não vão para lá e montam uma fabrica?’. (…) estamos a entrar numa era em que tudo está a tornar-se cada vez mais centrado no consumidor, e eu penso que as empresas que terão mais sucesso são aquelas que têm as mais fortes relações com os retalhistas. E onde se produz será irrelevante desde que se consiga satisfazer as necessidades dos clientes», argumenta. Com a indústria têxtil como sua espinha dorsal , a empresa egípcia Elyon Textile and Technology, trabalha com diferentes sectores da indústria. Os seus serviços, explica Shalom Mandelbaum, director da empresa, envolvem o desenvolvimento de uma fábrica desde a raiz até que esta esteja a funcionar com 80% de eficiência, a reorganização de fábricas, a resolução de problemas de produção e a consulta e implementação de software General Sewing Data (GSD). A Elyon, que também possui fábricas para têxteis e vestuário em Israel, Rússia, Ucrânia e Moldávia, está centrada em responder às necessidades dos consumidores , diz Mandelbaum. Por exemplo, num projecto de «chave-na-mão», a Elyon irá cuidar de tudo, incluindo a construção das instalações, a contratação e a formação de pessoal na planificação de programação e produção, recrutamento para as áreas de administração e marketing. A Elyon foi fundada há aproximadamente 15 anos, trazendo o «know-how» israelita para a antiga União Soviética. Nos primeiros anos, a empresa começou com cerca de 15 a 20 projectos de fábricas de vestuário, com relativamente pequenas operações em Israel, até atingir os gigantes da moda em fábricas com cerca de 4500 empregados. A Elyon tem parceiros egípcios e jordanos e conhecem membros do governo e da indústria local. “Entrar como completo um estranho num país é pedir para perder dinheiro. Assim, a primeira coisa que fazemos na maioria das operações é tentar encontrar alguém nesse país em quem possamos confiar», diz Mandelbaum. Em relação ás dificuldades de trabalhar no Egipto, “não é só uma questão de linguagem, é uma questão de conceito” acrescenta. Por exemplo, se apanhar um taxi nos EUA ou em qualquer outro país ocidental e estiver a 20 minutos do aeroporto no meio da cidade na hora de ponta e tiver um voo dentro de 20 minutos, o motorista irá dizer-lhe que é impossível. No Egipto, o motorista irá dizer “inshalla”, que quer dizer com a ajuda de Deus. Basicamente, quer dizer “se Deus tornar o meu taxi num helicóptero, e ele pode fazê-lo, então tudo correrá bem”, explica Mandelbaum. Como resultado, no Egipto é importante saber parafrasear a questão que queremos colocar. Por exemplo, “Será capaz de entregar 20.000 dúzias por semana a tempo?” terá a seguinte resposta: “inshalla”. Uma melhor forma de colocar esta questão será: “Quantas dúzias deste produto consegue produzir numa semana?”. Mandelbaum acredita que neste momento a Jordânia se encontra na direcção certa, e que a parceria entre a Jordânia e Israel irá continuar a fornecer produtos para o mercado Americano. Por outro lado, Mandelbaum pensa que o Egipto pode estar a perder excelentes oportunidades pois o algodão egípcio situa-se entre os melhores do mundo, com fios de fibra extremamente longos que são tão finos que ao tacto até parecem seda. Infelizmente, diz Mandelbaum, ele não conhece nenhum moinho de algodão no Egipto que possa trabalhar este algodão de grande qualidade. “Eles estão a pegar no melhor algodão do mundo e a fabricar fios 30/1, que é o algodão básico que se utiliza para fazer T-Shirts e Sweatshirts”. As condições no Egipto estão a mudar e a Elyon teve bons resultados com algumas fábricas neste país, diz Mandelbaum. “O necessário é que o supervisor, o engenheiro e o proprietário puxem todos para o mesmo lado”. As coisas nem sempre correm bem, mas «é aqui que nós entramos, para que seriam precisos consultores se não houvessem problemas?». Fundada há 25 anos, a Delta Galil sediada em Israel é hoje um dos maiores produtores de roupa interior do mundo e possivelmente a maior produtora de «private label», afirma Dov Lautman seu fundador e administrador. Empregando mais de 12000 trabalhadores, a empresa fabrica meias, roupa para bébé e roupa interior. A Delta Galil fabrica 90% da sua produção em fábricas próprias, diz Lautman, cada uma delas com cerca de 3000 empregados em Israel, Egipto e Jordânia, tendo uma forte presença no Médio Oriente. A empresa também tem joint ventures na Turquia, Bulgária e Roménia, e como resultado das recentes aquisições de empresas americanas, tem uam fábrica nas Honduras e uma sede de outsourcing em Hong Kong. A Delta tem escritórios de ligação em Nova Iorque, Paris, Londres e Madrid, bem como um centro de distribuição em Israel para o seu mercado local. O total de vendas da empresa no ano passado foi de 95 milhões de contos e os analistas prevêem cerca de 132 milhões para o corrente ano. A empresa especializou-se em roupa interior para homen e senhora e produz para marcas como a Ralph Lauren, Calvin Klein, Donna Karan e Hugo Boss. A roupa interior para os dois últimos é 100% fabricada pela empresa israelita. A Delta tem ainda negócios com a Gap, Structure, Victoria’s Secret e JCPenney. Também produz a sua própria gama neste segmento sob a marca Delta que vende exclusivamente em Israel. “O conceito chave é ser melhor do que os concorrentes, e é isso que tentamos fazer” conclui Lautman.