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Empresas lusas criam vestuário que responde à luz

Os desenvolvimentos realizados pelo consórcio composto pela Pafil, Falcão Fibras, Tinamar, A. Sampaio, CITEVE e CeNTI permitem uma melhor visibilidade em ambientes com pouca luz e estão a ser aplicados em vestuário de desporto outdoor e em vestuário de trabalho.

No âmbito deste projeto, inserido numa atividade nuclear do Texboost, as diferentes entidades estudaram as fibras, fios, arquiteturas e acabamentos que possibilitaram melhores resultados para «o desenvolvimento de materiais responsivos à luz para a criação de vestuário técnico e funcional que permita melhorar a visibilidade em ambientes obscurecidos», explicou Gilda Santos, technical project manager no CITEVE, na apresentação dos resultados.

«Foram estudados alguns aditivos, fluorescentes e fosforescentes, quatro tecnologias de aplicação, nomeadamente a extrusão, a impregnação, o esgotamento e o coating por raclagem. Como substratos base, o poliéster, a poliamida e o tereftalato de polibutileno (PBT)», indicou.

As diferentes opções foram estudadas e as mais promissoras foram submetidas a diferentes ensaios, incluindo solidez à lavagem a 40 ºC e com secagem em suspensão e à exposição à luz durante 10 dias.

Ao nível dos pigmentos fluorescentes, «o desempenho analisado em termos de cor, de acordo com as normas de alta visibilidade, quer para uso profissional, quer para não profissional, permitiu a seleção de um protótipo de poliamida com 10% do pigmento 2 incorporado», revelou a technical project manager do CITEVE.

Gilda Santos [Citeve]
Em termos de aditivos fosforescentes, «a análise do desempenho em termos de luminância e tempo de decaimento, de acordo com a norma de sinalização de emergência, permitiu selecionar dois protótipos», revelou Gilda Santos, sendo um em poliamida com 20% com o pigmento 1 e um outro de PBT com 30% do mesmo pigmento.

Depois da análise aos acabamentos funcionais, foi possível selecionar o pigmento amarelo com concentração de 15% e um pigmento magenta com uma concentração de 2%, este último apenas para alta visibilidade não-profissional.

Este trabalho de investigação e desenvolvimento resultou em protótipos para vestuário de desporto e vestuário de trabalho e de proteção, que foram trabalhados no tricolab no CITEVE «para verificar a sua viabilidade industrial», afirmou Rita Marques, investigadora do centro tecnológico.

Na área de desporto, as peças cumprem a norma para uso não-profissional e apresentam alguns detalhes de alta visibilidade. «É muito importante, porque atualmente temos muitos utilizadores que praticam atividade física à noite. Com esta funcionalidade, conseguimos conferir-lhes proteção», salientou Rita Marques.

Rita Marques [Citeve]
Já no vestuário de trabalho, «a principal inovação é o design do fato», referiu. «Geralmente, os trabalhadores têm fatos mais largos e nós quisemos conferir um fitting mais apelativo, com as estruturas têxteis que foram desenvolvidas», apontou, sublinhando ainda que este tipo de funcionalidade é «normalmente obtida através do tingimento. Aqui estamos a utilizar uma tecnologia diferente: o coating [revestimento]».