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Empresas portuguesas surpreendem designers europeus

Da fibra à confeção, os participantes no Concurso Europeu de Jovens Designers ficaram a conhecer melhor a indústria têxtil e vestuário portuguesa, num périplo de dois dias que passou pela Valérius 360, o CITEVE, a Riopele, a Adalberto, a Petratex e a Calvelex e que deixou “sementes” para o futuro.

Adalberto

Foram dois dias agitados para os 20 jovens designers que participam no concurso organizado pela iniciativa ModaPortugal, que, como habitualmente, procurou promover a indústria portuguesa junto dos futuros decisores do mundo da moda. Sustentabilidade, inovação e design, a par com capacidade produtiva, foram os grandes denominadores comuns que surpreenderam muitos dos novos talentos provenientes da Finlândia, França, Itália, Reino Unido, Suíça e Portugal.

Valérius 360

Na Valérius 360, o processo de reciclagem de têxteis, da separação à fiação de fibras recicladas, deixou clara a aposta que a indústria nacional tem feito na sustentabilidade e que, como realçou Eugénia Teixeira, responsável de sustentabilidade e circularidade do grupo Valérius, tem de começar no momento da criação. «É fundamental motivar os designers a pensar em todas as fases do processo e conceção do produto moda, assim como a analisar o seu ciclo de vida e o impacto das diversas fibras no momento de escolha de matérias-primas», lembrou.

«Este primeiro contacto com a realidade industrial foi uma agradável surpresa», confessou Frederico di Niso, estudante da Polimoda, admitindo que a visita à Valérius 360 fortaleceu quer a sua «consciência e conhecimento relativamente ao tema da sustentabilidade», quer a «imagem positiva sobre a ITV portuguesa», com a qual ambiciona colaborar na produção das suas coleções no futuro.

Citeve

No CITEVE, o foco esteve no acompanhamento de projetos de certificação que o centro tecnológico faz para as empresas do sector, nomeadamente em áreas como a bioeconomia, circularidade e sustentabilidade, como referiu Cristina Castro, relações públicas da instituição, durante a sua apresentação. «Temos parcerias em desenvolvimento com grandes empresas que estão muito envolvidas e empenhadas em fazer melhor e diferente e que têm inspirado outras de menor dimensão a nos procurarem para seguir os seus bons exemplos», afirmou Cristina Castro, que abordou ainda os novos investimentos que estão a ser feitos pelo CITEVE, nomeadamente na reorganização e ampliação das suas instalações.

Mais do que produtores

Já na Riopele, foi a dimensão e verticalização do negócio que mais impressionaram os jovens designers. «A Riopele foi inspiradora, assertiva e criativa na forma como abordou as suas diversas áreas de especialização, da I&D aos acabamentos», classificou Mouyakabi Diomande, do Institut Français de la Mode, no final da visita à empresa, que foi conduzida por Ângela Teles, gestora de produto sustentável e projetos de inovação, para quem a visita destes jovens designers «permitiu a troca de impressões do que é a realidade e quais as dificuldades da ITV e do que é o futuro do ponto de vistas dos novos designers, sendo bastante educacional para ambas as partes». Aliás, assumiu, «a par da pesquisa de novas tendências e dos inputs das marcas e clientes, esta aproximação entre designers de moda e fábricas condiciona e impulsiona os novos desenvolvimentos da Riopele».

Riopele

Um contacto também favorecido pela Adalberto, que lançou a plataforma Adalberto Studio com o objetivo de «apoiar os recém-designers neste mercado tão dinâmico que é a moda, vê-los crescer e crescer com eles», indicou Joana Girão Oliveira, diretora de marketing da empresa especialista em estamparia, tingimento e acabamentos. Através dessa plataforma, os estudantes e finalistas da área do têxtil e da moda podem «consultar as coleções lançadas a cada estação, com os prints e bases desenvolvidos e apresentados pela Adalberto, solicitar amostras e adquirir as quantidades pretendidas, sem mínimos de produção», apontou.

Neste périplo pela indústria nacional, os jovens designers europeus tiveram ainda a oportunidade de conhecer a Petratex, que se apresentou como um centro de desenvolvimento têxtil, 100% exportador – França, Itália, Espanha, Alemanha, EUA, Canadá, Japão e Inglaterra são os principais mercados – e 100% digital, constituído por «equipas multifacetadas e altamente especializadas, que se dividem por clientes, mercados ou categorias de produto», como explicou Luísa Lirio, assistente do CEO da empresa, que no seu portefólio conta com 159 marcas internacionais. «Na Petratex, não queremos ser meros produtores. Não trabalhamos com marcas mass market, mas antes com clientes que procuram um serviço on-demand e customizado», sublinhou. «Queremos desenvolver os produtos lado a lado com todos os nossos clientes e oferecer-lhes o melhor serviço possível, independentemente da sua dimensão. Muitas vezes, trabalhamos com start-ups que acabam por crescer com a Petratex, assim como a Petratex cresce com a inovação e criatividade desses clientes», referiu a assistente do CEO.

Futuros clientes

Uma estratégia que cativou os jovens, com Benjamin Ethan, estudante da London College of Fashion a questionar mesmo a possibilidade de haver «vagas em aberto para designers de moda». Nada de novo para Luísa Lirio, já habituada ao entusiasmo dos visitantes. «A Petratex recebe, com alguma frequência, alunos de universidades de moda portuguesas e internacionais. Alguns deles, posteriormente, integram as equipas criativas de marcas que já são ou se tornam clientes da Petratex e é sempre muito agradável voltar a reencontrá-los e ver que ficaram com uma ideia positiva da nossa empresa», afirmou ao Portugal Têxtil.

A fechar este verdadeiro périplo pela indústria nacional, os jovens designers que participaram no concurso europeu promovido pela ModaPortugal, uma iniciativa do CENIT em parceria com a ANIVEC, pararam na Calvelex, onde César Araújo, CEO da empresa de confeção e também presidente da ANIVEC, deu uma visão geral sobre o mercado nacional de produção de moda e dos esforços que estão a ser feitos ao nível da sustentabilidade. «A roupa tem que deixar de ser descartável e passar a ser reciclável, sem deixar de parte o conforto, funcionalidade e durabilidade», sublinhou.

Calvelex

«Já tinha visitado algumas fábricas, já usei o Cash-and-Carry da Riopele e até alguns tecidos da Calvelex, mas nunca tinha visitado fábricas com a dimensão das que visitamos ao longo destes dois dias e que trabalham tão proximamente com o mercado de luxo», realçou Andreia Reimão, finalista do Modatex e uma das representantes portuguesas no concurso.

«Não imaginava que a ITV portuguesa estivesse tão na vanguarda, especialmente nos processos de desenvolvimento têxtil e sustentabilidade», confessou, por seu lado, Zoé Marmier, aluna da Head Genève.

«O evento ModaPortugal traz a Portugal o que chamamos de “semente”, que são os jovens que não só nos trazem novas perspetivas do negócio da moda, como nos ajudam a pensar o futuro, já que são eles também os nossos futuros clientes e colaboradores», destacou César Araújo. «Estes jovens talentos chegam sem conhecer a realidade das nossas fábricas e saem daqui apaixonados e com a certeza que Portugal é um excelente território de produção», concluiu.