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Endutex quer acelerar em 2019

Indústria automóvel e vestuário de proteção são as áreas de aposta da Endutex para atingir um crescimento de 5% este ano. A empresa especialista em revestimentos espera, assim, regressar à expansão no volume de negócios, mantendo o investimento constante em novos equipamentos e I&D.

A tónica na inovação faz parte do quotidiano da Endutex, que ao longo do ano tem vindo a trabalhar em novos projetos. «Não estamos só a desenvolver um produto. Estamos a desenvolver vários produtos porque trabalhamos com várias indústrias e, como tal, para cada uma, temos sempre um a três produtos a serem desenvolvidos a pedido dos clientes. O nosso departamento de I&D desenvolve em simultâneo vários pedidos», explica Vítor Abreu, CEO da empresa.

A Endutex trabalha em novos artigos tanto «com base nas nossas ideias e na nossa perceção do mercado», como também em «colaboração com os clientes». Os mais recentes desenvolvimentos são prova desta estratégia. «No sector automóvel temos novos projetos para adaptar alguns dos nossos produtos aos requisitos específicos dos clientes», aponta Vítor Abreu, que dá mais exemplos: «no sector de ecrãs de cinema estamos agora a desenvolver, para um cliente, o mesmo tipo de artigo mas mais leve. E na área da impressão digital também temos vários artigos novos, desde artigos para sublimação como artigos para caixas de luz».

Para manter o nível de inovação, a Endutex tem vindo a investir «acima de tudo nas pessoas, para manter a dinâmica da empresa» – que atualmente possui um efetivo de 225 trabalhadores –, mas também em equipamentos. «A maior parte dos equipamentos do nosso laboratório é miniaturas dos nossos equipamentos fabris. Comprámos mais duas máquinas miniaturas para simular as condições de fabrico. Outro aspeto tem a ver com a parte de testes, porque muitos dos nossos desenvolvimentos têm de ser validados por ensaios físicos que comprovem que a qualidade desenvolvida está de acordo com a exigência dos clientes. Temos desde câmaras climáticas a câmaras de envelhecimento acelerado», revela o CEO ao Portugal Têxtil.

Sectores e mercados-chave

Atualmente, a empresa de revestimentos exporta 80% da sua produção, sobretudo para os mercados europeus, com destaque para Espanha, Inglaterra, Polónia, Alemanha e França. O outro lado do Atlântico tem também aumentado as suas compras. «Para nós é estratégico aumentar as vendas para os EUA», afirma Vítor Abreu.

Quanto às áreas de atuação, «a impressão digital é uma área que tem crescido substancialmente» e representa cerca de 50% do volume de negócios, mas para 2019 o CEO da Endutex está «otimista na área do automóvel», assim como no vestuário de proteção, «uma outra área que tem crescido». Duas áreas que poderão alimentar o crescimento da empresa que, nos primeiros quatro meses do ano, está «até, de certa maneira, melhor do que a minha estimativa», confessa Vítor Abreu.

Para 2019, «espero um ano interessante, dentro da linha de 2018, mas ligeiramente melhor». A meta é aumentar em 5% a faturação, depois da queda de 2% do volume de negócios em 2018, que terminou acima dos 38 milhões de euros. As matérias-primas, contudo, poderão ser um entrave a este desempenho. «As matérias-primas são um fator muito volátil. Não faço a mínima ideia de qual será o custo das matérias-primas daqui a três meses. Em circunstâncias normais, a haver alterações, serão mínimas. Mas é tudo de uma volatilidade tal que, hoje em dia, o mundo às vezes muda numa semana. Por isso, espero alguma estabilidade e que o ciclo económico pelo menos não piore em relação ao que está a acontecer em termos da Europa e EUA. O que quero para 2019 é que, ao trazer-nos surpresas, que traga pela positiva e não pela negativa», conclui Vítor Abreu.