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Energia trava recuperação da ITV

A indústria europeia de têxteis e vestuário está a mostrar-se resiliente e a sair da crise provocada pela pandemia de Covid-19, mas os elevados custos com a energia e as dificuldades relacionadas com os transportes e matérias-primas estão, segundo a Euratex, a colocar desafios acrescidos à retoma.

Os dados do mais recente inquérito económico da confederação europeia do têxtil e vestuário mostram uma recuperação da indústria, com a atividade têxtil a superar o nível pré-pandemia no quarto trimestre, com um aumento de 3,6% face ao mesmo período de 2019, enquanto o sector do vestuário revela melhorias, mas se mantém ainda 11,5% abaixo do registado no último trimestre de 2019.

Em termos trimestrais, indica a Euratex, o volume de negócios revela sinais de melhoria nestes sectores na UE. O volume de negócios no têxtil aumentou 3,3% no segundo trimestre de 2021, depois de ter contraído ligeiramente no primeiro trimestre de 2021. De igual forma, a atividade empresarial no sector do vestuário cresceu 7% no segundo trimestre de 2021, depois de ter aumentado 1% no trimestre anterior.

Também no segundo trimestre de 2021, a balança comercial da UE-27 para a indústria têxtil e vestuário melhorou, resultando sobretudo de um aumento das vendas de exportação em mercados terceiros e de uma queda das importações têxteis: as exportações extra-UE de têxteis e vestuário cresceram 49% em comparação com o trimestre homólogo do ano anterior, enquanto as importações caíram 26% em relação ao mesmo trimestre de 2020. «As importações da UE provenientes da China e do Reino Unido entraram em colapso devido à combinação do Brexit e à procura mais fraca na Europa», salienta a Euratex em comunicado.

Ao nível da criação de emprego, o segundo trimestre de 2021 trouxe uma estabilização na indústria têxtil (-0,2% em termos trimestrais), enquanto no sector do vestuário, o emprego continuou a ser afetado por níveis mais baixos de atividade produtiva durante a primeira parte do ano (-1,2%). Em comparação com o nível pré-pandemia no quarto trimestre de 2019, o emprego na UE no segundo trimestre de 2021 baixou 4,4% nos têxteis e 11,8% no vestuário.

Futuro a curto prazo em risco

Apesar de assinalar uma retoma, a Euratex sublinha que «esta frágil recuperação é dificultada pelo aumento dos custos de transporte e pelo aumento dos preços das matérias-primas e da energia». Segundo a confederação, o custo da energia, em particular o gás, aumentou mais de três vezes desde o início deste ano. «Desde o anúncio do pacote “Fit for 55” da UE, vimos os preços do CO2 subirem acima dos 60 euros. Isto tem inevitavelmente um impacto na competitividade da indústria, especialmente num contexto global», sustenta a Euratex, que acrescenta, em comunicado, que a recuperação futura está também ameaçada por alguns fatores que limitam a produção, como a escassez de mão de obra e equipamentos, que estão a pressionar ainda mais a indústria têxtil e de vestuário.

«As nossas empresas mostraram grande resiliência durante a pandemia e o seu mais recente desempenho na exportação é um sinal encorajador de recuperação. No entanto, esta recuperação pode ser perturbada pela atual cadeia de abastecimento e pelos problemas energéticos. Mais uma vez, os recentes desenvolvimentos mostram que esta transição para uma produção mais sustentável só pode funcionar se for organizada num contexto global, evitando saídas da UE por causa das taxas de carbono e com condições de igualdade eficazes. Isto deve ser considerado na próxima estratégia têxtil da UE», considera Dirk Vantyghem, diretor-geral da Euratex.

Recentemente a Euratex apresentou a sua visão para esta nova estratégia têxtil, que se foca na inovação, na qualidade, na eficiência e na sustentabilidade da indústria.