Início Notícias Retalho

Ensinamentos olímpicos

Posicionada em 3.º lugar como equipa mais medalhada, nos Jogos Olímpicos Rio 2016 a Grã-Bretanha arrecadou 67 medalhas, 27 das quais de ouro. Na opinião dos analistas, esta boa performance explica-se, por exemplo, por um louvável trabalho de equipa – indicação que pode trazer ganhos, também, ao retalho.

A par da Grã-Bretanha, também as prestações de atletas individuais podem servir de ensinamento ao retalho, considera o portal de tendências WGSN, que deixa as 10 lições a retirar da 31.ª edição dos Jogos Olímpicos.

Lição n.º 1: Pequenas mudanças, grandes diferenças

“O efeito cumulativo de ganhos marginais” foi uma filosofia que revolucionou o ciclismo britânico e o desporto em geral.

Introduzido por Dave Brailsford, diretor de performance de equipa, para o evento de Londres 2012, o conceito centra-se na ideia de que fazer muitas mudanças pequenas e incrementais resulta numa grande diferença.

Cada aspeto individual do que é preciso para vencer uma corrida é dividido nas suas componentes: desde a costura dos equipamentos ao impacto do excesso de poeira nas áreas da mecânica. Todas as premissas são desafiadas e reavaliadas para ver onde podem ser feitas pequenas melhorias e, portanto, obter vantagens.

Lição n.º 2: Numa equipa não existe individualismo

Em todas as edições dos Jogos Olímpicos há atletas individuais que se esforçam e testam os seus limitem em prol de um objetivo comum.

No triatlo feminino, por exemplo, Lucy Hall (Grã-Bretanha) definiu um ritmo alucinante na natação e ciclismo, cansando as outras concorrentes, para que a companheira de equipa Helen Jenkins pudesse poupar energia e conseguir uma medalha na corrida.

O ciclista Bradley Wiggins (que recebeu a 5.ª medalha de ouro no Rio de Janeiro e é o atleta mais medalhado da equipa da Grã-Bretanha) cita ainda a propósito a mentalidade “Total Team”, comentando que não houve «atletas-estrela na busca da excelência», apenas pessoas certas com as capacidades certas para realizar a tarefa.

Lição n.º 3: Estabelecer prioridades

Alguns países têm questionado como, depois de uma exibição pobre no Campeonato Mundial, em março, a equipa de ciclismo da Grã-Bretanha esteve capaz de surpreender nos Jogos Olímpicos. A resposta resume-se a isto: priorizar – todo o foco e os recursos estavam concentrados no Rio.

A British Olympic Association (BOA) tem sido implacável na afetação de fundos para outros desportos, investindo fortemente em modalidades desportivas nas quais a Grã-Bretanha é historicamente boa (remo, ciclismo, atletismo) para criar uma base sólida e cortar o financiamento de atividades desportivas e atletas que não consigam bons resultados.

Lição n.º 4: Construir alternativas

Apesar de investir neste núcleo duro de desportos vencedores, a missão olímpica da Grã-Bretanha também sabe reconhecer que há sempre novas oportunidades que surgem fora dele.

O rugby e o golfe, dois desportos muito populares no Reino Unido, fizeram a sua estreia olímpica no Rio de Janeiro e saíram com uma medalha no rugby de 7 e um ouro no golfe.

Lição n.º 5: O poder da estratégia e dos objetivos

Com o ciclo de quatro anos, os Jogos Olímpicos proporcionam aos atletas um conjunto de metas claramente definidas e um objetivo inequívoco: ganhar uma medalha de ouro. É esse propósito que ajuda a impulsionar e motivar os atletas para a competição. Constantemente monitorizados e avaliados, os atletas são mantidos no caminho certo para garantir que sejam capazes de alcançar o seu objetivo.

Para a missão olímpica da Grã-Bretanha, o poder do objetivo partilhado foi, também, um motivador-chave, com os vencedores a fazerem referência não só à sua alegria no sucesso individual, mas também ao contributo dado para o objetivo geral de trazer medalhas para a equipa.

Lição n.º 6: Não perder o foco

Mesmo depois de se ter uma estratégia definida, a distração ainda deve ser considerada, sobretudo pela intervenção da concorrência. A este propósito, Bradley Wiggins afirmou que, para vencer, a equipa apenas precisa de «trabalhar o seu plano», independentemente do que os atletas dos outros países estejam a fazer.

Já Michael Phelps (EUA) falou sobre a importância de se concentrar apenas no trabalho que tem em mãos e não ser desviado por aqueles que o rodeiam. «Os vencedores focam-se em ganhar, os perdedores focam-se nos vencedores», disse o atleta.

Lição n.º 7: Levantar-se depois da queda

Esta lição é, literalmente, o caso do atleta Mo Farah que, depois de uma queda, lutou para manter a medalha de ouro. A capacidade de superar o fracasso e vê-lo como uma oportunidade é uma característica-chave dos atletas bem-sucedidos.

Lição n.º 8: Sucesso gera sucesso

No Rio de Janeiro, a boa performance de uns pareceu impulsionar a de outros – como uma espécie de sucesso em cadeia. Embora a equipa da Grã-Bretanha tenha tido um arranque morno, depois das medalhas começarem a chegar, a confiança de toda a equipa só foi aumentando.

Lição n.º 9: Preparar a sucessão

Investir em novos talentos e na próxima geração tem sido um fator-chave para o sucesso da missão olímpica da Grã-Bretanha e resultou em melhorias de performance nos últimos cinco Jogos Olímpicos. O bom planeamento da sucessão garantiu a aposentadoria de lendas olímpicas como Steve Redgrave ou Chris Hoy.

Da mesma forma, o ginasta Max Whitlock (22 anos), a ciclista Becky James (23 anos) e a nadadora Siobhan-Marie O’Connor (20 anos) são agora medalhistas do Rio 2016 e todos surgiram com o “Talent Identification Programme”, que encontra e direciona a próxima geração de atletas olímpicos.

Lição n.º 10: Acreditar e gostar do que se faz

Andy Murray, Bradley Wiggins, Mo Farah e Jessica Ennis: o que liga estes atletas (além das vitórias) é o facto de todos serem autênticos, apaixonados e de já terem experimentado a vitória e a derrota.

No entanto, talvez o melhor e mais recente exemplo de força interior seja o de Usain Bolt. A confiança do triunfo jamaicano (a par do seu inacreditável talento) transformou-o num dos atletas mais queridos e inspiradores do mundo.