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Entre a prudência e a esperança

A Indústria Têxtil e de Vestuário (ITV) em França anunciou, na passada quinta-feira, perspetivas «mistas» para o corrente ano, depois de um 2011 em que o volume de negócios do setor progrediu 4% e a taxa de desemprego diminuiu. As vendas totais da ITV aumentaram 4,5% no ano transato, para cerca de 24 mil milhões de euros, apesar de o mercado nacional ter sofrido uma quebra de 2,6%, revelaram a UIT (Union des Industries Textiles) e a UFIH (Union Française des Industries de l’Habillement) em conferência de imprensa. «O ano de 2011 foi globalmente dinâmico, mas no segundo semestre houve uma desaceleração», afirmou o presidente da UIT, Lucien Deveaux. Para 2012, o setor espera beneficiar da ligeira desvalorização do euro face ao dólar observada nos últimos meses, o que torna os preços mais atrativos, não deixando todavia de sublinhar as incertezas associadas ao abrandamento da economia mundial. Mostrando-se «extremamente prudente» quanto a previsões precisas para 2012, Lucien Deveaux referiu simplesmente que espera um crescimento das vendas em valor mas uma quebra em volume, como já tinha sido o caso no ano passado. A UIT e a UFIH, que também advogaram o IVA social e a reciprocidade das medidas aduaneiras defendidas pelo Presidente Nicolas Sarkozy, esperam beneficiar do debate sobre o “made in France”, num setor que perdeu muitos postos de trabalho nos últimos 20 anos. Em 2011, os efetivos totais da Indústria Têxtil e de Vestuário recuaram 2%, segundo o UIT. O setor emprega atualmente cerca de 110 mil trabalhadores, com 70 mil na têxtil e 40 mil no vestuário, de acordo com Lucien Deveaux, que indicou ainda que, incluindo a distribuição e outros ofícios, a ITV representa 400 mil postos de trabalho em França. As duas federações profissionais solicitaram igualmente uma diminuição do custo de trabalho. Citando os dados do Eurostat, indicaram que o custo salarial por hora em euros na indústria de fabrico francesa aumentou 49% desde 2000, para os 35,7 euros, enquanto a média na zona Euro ficou-se pelos 35%. Além disso, defenderam ainda um aumento controlado do salário mínimo após as eleições, assim como a criação de um dispositivo de apoio público que permita às operárias em fim de carreira e ameaçadas de despedimento permanecer mais dois anos na empresa na qualidade de formadoras de jovens empregadas, na medida em que as mulheres representam a maioria do efetivo de trabalhadores do setor.