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Entre nicho e globalização

«é preciso aceitar a ideia de que a alta-costura representa hoje o nível de topo do pronto-a-vestir», afirma Didier Grumbach, presidente da Fédération Française de la Couture. Um ponto de vista que não é unânime no mundo do luxo, que viu o número de casas de alta-costura diminuir desde a II Guerra Mundial: de uma centena em 1945 para as actuais 11. Isto apesar dos critérios da designação terem sido tornados menos rígidos em 2001. Com efeito, fora as históricas Chanel, Dior e Givenchy, criadas em 1909, 1946 e 1952, respectivamente, as outras oito são bastante mais recentes, como Jean Paul Gaultier (1977), Christian Lacroix (1987) ou Anne-Valérie Hash (2001). Segundo Floriane de Saint-Pierre, CEO do gabinete epónimo de recrutamento na moda, «não pode haver um único modelo económico tendo em conta que há casas com mais de 60 anos e, por isso, com mais hipóteses de terem adquirido um estatuto de marca do que aquelas que são mais recentes e têm um estatuto de nicho. O fio condutor entre estas duas realidades económicas tão diferentes é a palavra excelência, fazer avançar, através de uma estética própria, a pesquisa no que diz respeito ao vestuário» Para a Chanel, a alta-costura está bem viva. é não apenas «muito importante para a imagem da casa», como as encomendas registaram também «um ano recorde» em 2008, como explica Bruno Pavlosky, presidente da divisão moda da marca. Sidney Toledano, CEO da Christian Dior Couture, acredita também no futuro da alta-costura mas «a economia e a gestão das empresas permitem dar aos criadores formas de irem mais longe. Isso não se faz num quarto. A menos que se seja um pequeno artesão». Porque não? «Se isso tiver a atracção de um artesanato de grande luxo como a Hermès ou a Louis Vuitton no seu início», responde o consultor Jean-Jacques Picart. «Falta justamente encontrar uma rentabilidade adaptada à raridade. é preciso também encontrar um financiador que queira investir num modelo que ainda não existe», considera, em referência à situação de Lacroix, que procura um investidor desde que submeteu um processo de falência. Christian Lacroix, precisamente, imagina a continuidade da sua marca «com uma costura que seja tão ligeira como a que fazemos actualmente, um pronto-a-vestir que não procura difundir-se imediatamente por todo o mundo. Não temos necessidade de ter imediatamente 36 lojas». Anne-Valérie Hash optou por um modelo económico muito modesto. A sua marca, com a designação de alta-costura desde o final de 2007, conta com 14 assalariados. Não tem linha de acessórios nem de perfumes mas a costura «pela imagem e o prestígio» – não se reproduz – e duas linhas de pronto-a-vestir (luxo e mais acessível) «que se vendem». A marca, que não tem lojas em nome próprio, conta com 150 pontos de venda em todo o mundo. 90% do volume de negócios realiza-se na exportação. «Avançamos devagar mas com segurança. O que conta amanhã é existir», defende a estilista que não desfilou esta estação por causa da crise, um momento «adequado para se colocarem muitas questões», conclui Hash.