Início Destaques

Envicorte com reforço de peso em Paris

Em parceria com a Lemar, a Envicorte mostrou, na última edição da Première Vision Paris, a nova valência da empresa – os plissados –, um dos resultados visíveis do investimento recente de cerca de 600 mil euros.

Na segunda presença no espaço Première Vision Accessories, a Envicorte apresentou novos trunfos. Numa parceria win-win, a empresa especializada em acessórios para a indústria têxtil usou os tecidos da Lemar para exibir, aos compradores internacionais, a sua capacidade nos plissados, uma valência recente, integrada este ano dentro de portas.

«A ideia surgiu na edição anterior da Première Vision, que foi a primeira vez que estivemos em Paris. A Sofia Botelho [diretora-executiva da ATP] apresentou-nos à Lemar e a Manuela Araújo [CEO] ficou encantada. No Modtissimo, já em Portugal, conversámos e decidimos fazer umas coisas. Fomos à Lemar, trouxemos uma série de tecidos, uma grande parte tecidos técnicos, e desenvolvemos diversos desenhos plissados», revela António Carneiro, sócio-gerente da Envicorte. Embora não se tenha ainda traduzido em vendas diretas, «sei que muita gente já viu e gostou do resultado», assume António Carneiro.

Novas valências

A integração dos plissados nas valências da Envicorte, que emprega 38 pessoas, resulta de um investimento na ordem dos 600 mil euros, que implicou também o alargamento das instalações, que ocupam agora uma área coberta de 1.500 metros quadrados, e tecnologia específica, incluindo três máquinas de plissar, uma estufa e prensas com e sem aspiração.

Mais um passo para a empresa, que pretende chegar cada vez mais longe, no leque de produtos e nos mercados onde está presente. Com uma quota de exportação que ronda os 35%, a Envicorte está presente sobretudo em Espanha, onde trabalha para confecionadores e armazenistas, França e Itália.

Um percurso de internacionalização que pretende aprofundar com um dos seus produtos “estrela”: a ligueta. «Queria muito entrar no mercado italiano com a ligueta», confessa António Carneiro. Utilizada para estabilizar tecidos, sendo amplamente usada por empresas como o grupo Inditex, a ligueta, com ponto corrido ou fitilho, é um produto específico onde a Envicorte enfrenta como principal concorrente um gigante alemão com tentáculos por todo o mundo. «A Freudenberg é uma marca de referência e é extremamente cara. Mas está muito bem implantada em Itália», refere. Um desafio para a Envicorte, que conta atualmente com um parceiro que «está a tentar vender a nossa ligueta em Itália e na Alemanha», adianta o sócio-gerente ao Jornal Têxtil.

Anos de crescimento

Fundada há 17 anos por António Carneiro e um outro sócio (que entretanto saiu da empresa), a Envicorte tem sido capaz de se afirmar no mercado. «Começámos só a fazer viés. E na altura tivemos muitas dificuldades só para descobrir quem nos poderia vender as máquinas para fazer viés», recorda António Carneiro, que depois de quase 25 anos a trabalhar como despachante oficial, trocou a Alfândega do Porto por um negócio na indústria têxtil. «Sinceramente, nunca pensei chegar a este nível nem coisa parecida», admite.

Sandra Machado, António Carneiro e Silvina Ribeiro

Apesar de uma «certa instabilidade» sentida atualmente no mercado, António Carneiro assume que 2018, tal como já aconteceu com 2017 – que encerrou com um volume de negócios de 1,5 milhões de euros –, está a ser positivo para a empresa, com os números em ascensão. «Se continuar assim, segundo a contabilidade, vamos ter um crescimento no final do ano de 8% a 10%», antecipa o fundador da Envicorte.