Início Notícias Vestuário

Envicorte diversifica negócio

A empresa adquiriu uma máquina automática que produz diariamente cerca de 20 mil máscaras sociais e, dias antes do Modtissimo, conseguiu em Espanha a certificação de nível dois, dando mais um passo na diversificação do seu negócio.

António Carneiro

O equipamento de produção automática deverá permitir à Envicorte captar novas encomendas, num investimento «grande» que, apesar de alguns percalços, deverá ser relevante para a atividade da empresa nos próximos meses. Sobretudo depois da Envicorte ter conseguido a certificação num laboratório em Espanha. «Certificaram-nos as máscaras em 15 dias», revela António Carneiro, sócio-gerente da especialista em acessórios para vestuário e têxteis-lar.

As máscaras da Envicorte estão certificadas para o nível dois e para 10 lavagens. «Se quisesse o nível 3, conseguia para 50 lavagens, porque os tecidos já estão certificados pelo mesmo laboratório», indica António Carneiro que, contudo, optou por apresentar uma máscara de nível 2 porque «tem procura e não há no mercado».

A certificação, que era antecipada, está já a gerar interesse, nomeadamente para exportação para Espanha e França. «As poucas máscaras de nível 2 que existem no mercado são muito caras e as nossas são relativamente baratas. É um risco muito grande que estamos a correr, mas não há agora volta a dar e esperamos que corra bem. É uma aposta e, auscultando o mercado, acho que vai funcionar bem», explica ao Jornal Têxtil.

As máscaras podem ainda ser customizadas por sublimação à vontade do cliente. «Podemos sublimar o desenho que entender», destaca, sendo que a sublimação é feita num parceiro. «Tínhamos um projeto para esta máquina de produção de máscaras e para outras, nomeadamente de sublimação», adianta o sócio-gerente. No entanto, embora tenha obtido «a pontuação máxima», o projeto não pôde ser financiado por falta de dotação orçamental. «Não fomos contemplados, então tivemos que diminuir o projeto que estava na nossa cabeça e deixamos cair a sublimação», admite.

Os últimos meses, afirma António Carneiro, foram «complicados», apesar de abril e maio terem sido muito ativos. «Tivemos mesmo muito serviço», garante. Os meses seguintes foram menos positivos e, depois da retoma «forte» no início de setembro, «já se está a sentir uma quebra», assume. «As previsões das pessoas com quem tenho conversado, fundamentalmente da têxtil, são que a tendência é para cair mais», acrescenta.

Desafios vs. oportunidades

Há, contudo, algumas áreas que estão mais dinâmicas, nomeadamente os plissados, onde a Envicorte investiu em 2018 e onde tem procurado inovar. «Uma das nossas apostas é apresentar plissados fora do normal», conta António Carneiro. Uma área que esteve em evidência no Modtissimo e na qual a empresa tem tido procura. «Há muitos pedidos de amostras e vamos agora ter uma grande produção», sublinha. Também os serviços de intercalar tecido e corte «estão ainda muito fortes». Já os acessórios como nervuras, pregas e machos são áreas que registam quedas.

Silvina Ribeiro, António Carneiro e Sandra Machado

2019 foi «um ótimo ano» para a Envicorte, o que permitiu à empresa atingir um volume de negócios de 1,9 milhões de euros. Para este ano, uma diminuição parece inevitável. «Ainda é uma previsão, mas quase de certeza absoluta que iremos ter uma quebra, embora tenhamos tido alguns meses bons. Mas tudo depende dos próximos meses e do negócio das máscaras – só obtivemos a certificação há uns dias», aponta o sócio-gerente.

Ainda assim, António Carneiro mantém-se otimista e já fez uma promessa às 45 pessoas que trabalham na empresa. «Se as máscaras funcionarem da forma como pretendemos, vamos aumentar salários. Não é pô-los acima da média, porque isso já estão, mas é pôr os ordenados bons para toda a gente», conclui o sócio-gerente da Envicorte.