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Escalada dos impermeáveis

Os tecidos impermeáveis respiráveis tornaram-se populares para diferentes aplicações, do vestuário de trabalho ao athleisure, conduzindo a um aumento da procura que está a estimular a entrada de novos players no mercado e a investigação da aplicação de fibras e métodos produtivos inovadores e mais ecológicos.

Os tecidos impermeáveis respiráveis têm evidenciado enormes progressos, nomeadamente no âmbito da sustentabilidade ambiental, mas, de acordo com um estudo publicado pela especialista em informação têxtil Textiles Intelligence na mais recente edição da Performance Apparel Markets, «ainda há muito a explorar».

Os tecidos permeáveis ao ar mas não aos líquidos são atualmente usados em diferentes áreas, incluindo roupa outdoor, athleisure, vestuário de trabalho e sportswear – devido aos níveis de proteção e conforto que proporcionam.

Como resultado, muitos players entraram no mercado, a concorrência tornou-se feroz e a gama de tecidos impermeáveis respiráveis agora disponível no mercado é vária e variada.

Muitos produtores estão a realizar experiências na área da composição das fibras e a reutilizarem fibras naturais, incluindo algodão orgânico, e fibras derivadas da reciclagem de materiais plásticos.

Contudo, aponta a Textiles Intelligence, o mercado enfrenta alguns desafios, nomeadamente relacionados com a sustentabilidade ambiental.

O interesse público na sustentabilidade ambiental encontra-se num nível elevado e as marcas são cada vez mais pressionadas a demonstrar que os seus produtos são éticos e não foram obtidos com recurso a materiais e processos prejudiciais para os animais, a vida marinha ou os seres humanos.

Os materiais usados na produção de tecidos impermeáveis respiráveis incluem membranas e acabamentos repelentes de água duradouros e, quando usados, têm de comunicar as suas propriedades de impermeabilidade, sobretudo quando se trata de vestuário para outdoor.

Não obstante, muitos estão associados a químicos considerados perigosos para a saúde humana e para o ambiente, nomeadamente os compostos perfluorinados e polifluorinados (PFCs).

Deste modo, tem havido uma pressão significativa sobre os produtores para desenvolverem tecidos impermeáveis respiráveis que incorporem membranas e acabamentos repelentes de água duráveis usando químicos seguros.

Bons exemplos

Várias empresas estão, segundo a Textiles Intelligence, a responder a este desafio e a usar ingredientes de base biológica ou a inspirar-se na biomimética para o desenvolvimento de tecidos impermeáveis respiráveis.

Uma dessas empresas é a W L Gore & Associates, conhecida simplesmente por Gore, que é a maior fornecedora de tecidos e produtos impermeáveis respiráveis sediada nos EUA. A Gore estabeleceu mesmo como meta eliminar completamente os PFCs que acarretam preocupações ambientais dos seus produtos até 2023.

De igual forma, têm sido feitos progressos no desenvolvimento de membranas ambientalmente sustentáveis, com a utilização de materiais reciclados, como a TopGreen Membrane produzida pela Far Eastern New Century (FENC), uma empresa sediada em Taiwan com operações nas áreas dos petroquímicos, poliéster e têxteis. No caso específico, a membrana é feita de polímero de poliéster reciclado derivado de garrafas de plástico pós-consumo.

Independentemente destes avanços, há muito espaço para melhorar no desenvolvimento de tecidos impermeáveis respiráveis e ambientalmente sustentáveis, sublinha a Textiles Intelligence.

«Além disso, há muito trabalho a fazer para melhorar a compreensão em relação às credenciais de sustentabilidade ambiental dos materiais que usam químicos alternativos, especialmente porque os perigos associados a alguns deles – como os que incorporam dendrímeros ou nanopartículas – não estão amplamente documentados», alerta a Textiles Intelligence.