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Escravatura assombra Europa

A crise migratória que tem vindo a atingir a União Europeia (UE) aumentou o risco de escravatura moderna em 20 Estados-membros, segundo um novo ranking mundial. A lista mostra também que o trabalho forçado continua a ser alarmante nos principais destinos de aprovisionamento na Ásia.

O segundo Modern Slavery Index, publicado anualmente pela consultora Verisk Maplecroft, avaliou 198 países com base na legislação e eficácia da sua execução e na gravidade das violações.

A pesquisa descobriu que o risco de escravatura moderna cresceu em quase três quartos dos 28 Estados-membros da União Europeia no ano passado. Os cinco países da UE que apresentam maior risco de escravatura moderna são a Roménia, Grécia, Itália, Chipre e Bulgária – portas de entrada de migrantes extremamente vulneráveis à exploração.

Roménia e Itália apresentam as piores violações relatadas na UE, incluindo formas severas de trabalho forçado, como servidão e tráfico.

A Organização Internacional para as Migrações estima que mais de 100 mil migrantes tenham entrado na Europa pelo mar em 2017, com 85% a chegarem a Itália. As entradas na Grécia diminuíram drasticamente desde a assinatura do Acordo de Refugiados UE-Turquia de 2016, mas o país tem um número significativo de migrantes e continua a ser um destino-chave para o tráfico de seres humanos.

De acordo com a Verisk Maplecroft, a presença dessas populações migrantes vulneráveis nos países de chegada é um dos principais agravantes do aumento da escravatura em vários sectores, como agricultura, construção e serviços.

Aprovisionamento escravo

«A crise migratória aumentou o risco dos incidentes de escravatura que aparecem nas cadeias de aprovisionamento de vestuário em toda a Europa», afirmou Sam Haynes, analista de direitos humanos na Verisk Maplecroft, em declarações ao Just-style.

«Já não são apenas os hotspots tradicionais de aprovisionamento nas economias emergentes. As empresas devem prestar atenção ao risco avaliando os seus fornecedores e as commodities que eles fornecem», acrescentou.

Considerando o nível de risco, nem as maiores economias da UE estão imunes ao crescendo da escravatura moderna.

Alemanha e Reino Unido assistiram a atualizações negativas às suas pontuações, deixando a categoria de “baixo risco” para entrarem no “risco médio” do índice.

Os dados recentes revelaram lacunas na inspeção do trabalho no Reino Unido, enquanto a Alemanha experimentou um aumento nas violações registadas de tráfico e servidão.

Já a Turquia entrou na categoria “alto risco”. O influxo de 100 mil refugiados sírios fez com que milhares integrassem a força de trabalho clandestina.

Ao longo do ano passado, várias marcas que se aprovisionam em fábricas têxteis turcas foram associadas a incidentes de trabalho infantil e escravatura.

Os casos de trabalho forçado continuam também a crescer nos principais destinos de aprovisionamento da Ásia.

Apesar da nova legislação sobre escravatura moderna e direitos humanos no Reino Unido, França, Holanda e Austrália, a pesquisa da Verisk Maplecroft sublinha que os destinos de aprovisionamento nos mercados emergentes devem, no entanto, continuar no radar das empresas.

Os principais centros asiáticos de aprovisionamento – Bangladesh, China, Índia, Indonésia, Malásia, Myanmar, Filipinas e Tailândia – apresentam categorias de “risco extremo” ou “de alto risco”.

Coreia do Norte, Síria, Iémen, República Democrática do Congo, Sudão, Irão, Líbia, Eritreia e Turquemenistão apresentam o maior risco entre todos os países analisados no Modern Slavery Index.