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Espanha deprime exportações

Os números mais recentes do INE mostram que, desde o início do ano e até agosto, as exportações portuguesas de têxteis e vestuário para Espanha caíram mais 4%, representando menos 48,7 milhões de euros de negócios para as empresas nacionais. Entre os 10 principais mercados, só EUA e França estão a crescer.

No total, as exportações portuguesas de têxteis e vestuário baixaram 1,1%, para 3,57 mil milhões de euros, o que representa uma perda de 38,8 milhões de euros.

A queda nas vendas para Espanha, o principal mercado das exportações portuguesas, faz-se sentir sobretudo, em termos absolutos, nas categorias vestuário e seus acessórios, de malha, com uma descida de 3,5%, equivalente a 20,5 milhões de euros), e outros artefactos têxteis confecionados, que incluem a maior parte dos têxteis-lar, que perderam 18,3 milhões de euros entre janeiro e agosto (-19,1%).

Mas nem tudo são “maus ventos” de Espanha, com “nuestros hermanos” a aumentarem as compras de vestuário e seus acessórios, exceto de malha em mais de 7 milhões de euros (+2,5%), para 296,5 milhões de euros.

Entre os 10 maiores mercados dos têxteis e vestuário “made in Portugal”, apenas os EUA e a França se mantiveram no verde. Para os EUA, as exportações aumentaram 9,6%, para 228,8 milhões de euros, enquanto para França o crescimento foi de 0,9%, para 459,5 milhões de euros.

Em sentido contrário, destaca-se, além de Espanha, a quebra sentida nos envios para a Bélgica (-6,3%, equivalente a 4,6 milhões de euros) e para a Alemanha (-4%, o que representa menos 12,4 milhões de euros em vendas).

Vestuário em malha em queda

Em termos de produto, a categoria vestuário e seus acessórios em malha registou a maior queda (-3,2%) nos primeiros oito meses do ano, com uma perda de 48,5 milhões de euros, para 1,47 mil milhões de euros.

Além de Espanha, as exportações de vestuário e seus acessórios em malha baixaram também particularmente na Alemanha (-6,7%, equivalente a 9,5 milhões de euros), Reino Unido (-6,9%, representando menos 9 milhões de euros) e Bélgica (-10,7%, equivalente a 3,6 milhões de euros). A categoria, contudo, continua a crescer em Itália (+3,8%, representando mais 4,5 milhões de euros) e nos EUA (+4,8%, equivalente a mais 2 milhões de euros).

A descer estão também os envios de outros artefactos têxteis confecionados, uma categoria que engloba a maior parte dos têxteis-lar, com menos 13,4 milhões de euros de exportações entre janeiro e agosto, para 416,2 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 3,1% face ao mesmo período do ano anterior.

O mesmo acontece com a categoria algodão, que engloba, entre outros, fios e tecidos com esta fibra, cujas exportações desceram 10,6%, para 99,8 milhões de euros – o que representa menos 11,8 milhões de euros de vendas.

Tecidos de malha e vestuário em tecido crescem

Pela positiva, há categorias de exportação que estão com crescimentos a dois dígitos. É o caso da das pastas (ouates), feltros e falsos tecidos (que inclui também artigos de cordoaria), que de janeiro a agosto somou mais 19,1 milhões de euros em comparação com o ano passado, para cerca de 194 milhões de euros, e da de outras fibras têxteis vegetais, que cresceu 11,3%, para 4,6 milhões de euros.

Os tecidos de malha estão igualmente em expansão, tendo aumentado as suas exportações em 4 milhões de euros, para 97,6 milhões de euros. Apesar da queda de quase 3 milhões de euros nas vendas para Espanha, os exportadores de tecidos de malha estão a incrementar os envios para os EUA (+46%, equivalente a 3,1 milhões de euros), para França (+18,5% ou 2,6 milhões de euros) e para a Turquia (+242%, o que representa mais 2,1 milhões de euros).

O vestuário e seus acessórios, exceto malha, foi, contudo, a categoria com maior crescimento em termos absolutos, com um aumento de 25,2 milhões de euros (+3,9%), para 674 milhões de euros. A maior subida da procura foi sentida, entre os 10 principais mercados, nos Países Baixos (+11,7%, representando mais 2,4 milhões de euros), em Itália (+7,9%, equivalente a 1,7 milhões de euros), na Alemanha (+6,8%, representando mais 2,85 milhões de euros) e em França (+6,8%, que significa mais 5,6 milhões de euros).