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Espanha quer reduzir subsídios a desfiles

O presidente do Conselho Intertêxtil Espanhol, Joan Canals, considera que é necessário «reduzir o dinheiro público» que se destina a subsidiar os desfiles de moda Gaudí e Cibeles, já que os certames de Paris, Milão, Nova Iorque ou Londres «não recebem nem uma moeda». Canals, numa entrevista concedida à Europa Press, afirmou que a polémica entre os desfiles de Barcelona e Madrid se tornaram num debate “irracional” e “politizado”, e que é necessário deixar que o «mercado decida». Além disso, assegurou que «se pagassem os desfiles» apenas desfilariam uma dezena dos estilistas que agora o fazem. O dirigente da associação têxtil perguntou-se como é possível que, apesar da normativa europeia que prevê baixar as ajudas, os subsídios do desfile Gaudí já aumentaram de 0,18 milhões de euros em 1985 e 3,01 milhões de euros este ano, aumentando também nessa proporção o desfile Cibeles. Indicou ainda que é necessário relembrar quantas empresas ou estilistas exportam realmente e têm uma infraestrutura industrial e comercial por trás, já que em alguns casos há estilistas que só vendem na sua loja situada em algumas das ruas de prestígio de Madrid ou Barcelona. Canals afirmou ainda que o Instituto de Comércio Exterior (ICEX) deve apoiar os “bons” na sua projecção internacional, e voltar atrás em relação às actuações sem visão para «satisfazer os políticos que se sentam na primeira fila nos desfiles». O presidente do Conselho Intertêxtil recordou que os únicos estilistas que triunfaram nos desfiles dos Estados Unidos e Europa foram Custo Barcelona, Amaya Arzuaga e Armand Basi, e assegurou que só têm por trás estruturas industriais Armand Basi, Roberto Verino, Adolfo Dominguez, Antonio Pernas e mais alguns. Na opinião do presidente, o Plano Global da Moda de Espanha, apresentado no passado mês de Dezembro num acto presidido por José Maria Aznar, não devia ter entrado na questão dos desfiles, «que deve ser privada». No mesmo contexto, afirmou que nenhuma consultora internacional «nos tem que dizer» se Barcelona ou Madrid são a situação mais adequada para um desfile único com projecção mundial. Os estilistas de Barcelona e Madrid decidiram encomendar cinco estudos a empresas consultoras independentes de Nova Iorque, Milão, Londres, Paris e Tóquio, cujo custo será suportado pelo ICEX. Na sua opinião, Gaudí e Cibeles são duas realidades que não se podem afastar. «Barcelona e Catalunha possuem 50% da indústria têxtil espanhola, e além disso Barcelona foi a primeira cidade a fazer desfiles há 30 anos atrás, dando a conhecer figuras como Balenciaga e Pertegaz», explicou. Canals assegurou que o desfile da Cibeles, adquiriu já alguns direitos «naturais», existindo já há mais de uma década, depois do plano da moda ter sido impulsionado nos anos 80 pelo socialista Miguel Angel Feito, que lhe deu um impulso importante. Além do mais, reconheceu que a Cibeles «tem tido mais presença mediática». Por tudo isso, Canals sublinhou que a «solução salomónica», ou seja, repartir entre Barcelona e Madrid as edições da temporada, «era a melhor solução» e recordou que uma proposta similar já foi formulada por Feito em 1986. Esta partilha de papéis obteve recentemente o apoio do Gremio de la Confección de Barcelona – Associação da Confecção de Barcelona. A citada associação defendeu que o desfile de moda para mulher se devia fazer em Madrid, o de homem em Barcelona e o de criança em Valência.