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Espanha reforça compras em Portugal

Os números das exportações de janeiro mostram o regresso às compras dos clientes espanhóis de têxteis e vestuário, embora não em todas as categorias. No primeiro mês de 2019, os envios para Espanha cresceram 4,2%, o que representa mais 5 milhões de euros. EUA, Itália e Suécia também registaram aumentos.

O ano começou de forma positiva para as exportações portuguesas de têxteis e vestuário, que no conjunto registaram um aumento de 1,54%, para 443,99 milhões de euros. O crescimento foi transversal tanto às vendas no mercado europeu (+1,2%) como no mercado extraeuropeu (+3,3%).

Compras espanholas crescem, mas não para todos

Em termos de mercados individuais, o grande destaque vai para Espanha, que depois de um ano de 2018 mais afastada dos fornecedores portugueses, iniciou o ano com um aumento das compras à ITV nacional, que subiram 4,2%, para 125,1 milhões de euros.

As compras de Espanha recuperaram sobretudo no vestuário em malha, que registou um aumento de 18%, para 64,2 milhões de euros, o que representa quase mais 10 milhões de euros do que no mesmo mês de 2018. A categoria pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, fios especiais, cordéis, cordas e cabos e artigos de cordoaria foi, contudo, a que registou um maior crescimento relativo (+70%), para 3,03 milhões de euros.

De Espanha, contudo, nem tudo foram boas notícias. Os clientes espanhóis diminuíram os pedidos de vestuário em tecido, que sentiram uma retração de 7%, equivalente a uma redução de 2,48 milhões de euros, para 32,7 milhões de euros. O mesmo aconteceu na categoria outros artefactos têxteis confecionados, que inclui a maioria dos têxteis-lar, onde a quebra foi de 18,8%, o que representa menos 2 milhões de euros, para 8,7 milhões de euros, e nos tecidos em malha, que registou uma queda de 15,1%, para 2,28 milhões de euros.

Mercado agridoce

Tendo em conta os dez maiores mercados da indústria têxtil e vestuário portuguesa, as exportações do primeiro mês de 2019 foram positivas também em países como os EUA, para onde os envios de têxteis e vestuário somaram mais 10,7%, para 31,2 milhões de euros, Itália, com um crescimento de 5,6%, para 29 milhões de euros, Suécia (+7,7%, para 11,7 milhões de euros) e Dinamarca (+6,9%, para 9,1 milhões de euros).

Menos positivas foram as exportações para França, que se mantiveram praticamente inalteradas em 60,8 milhões de euros (-0,14%), e para a Alemanha, onde caíram 7,2%, para 42,4 milhões de euros, o que equivale a uma perda de 3,3 milhões de euros. Os envios para a Bélgica, que encerra o top 10 dos principais mercados da ITV lusa, também baixaram 7,6%, para 8,4 milhões de euros.

Vestuário cresce

No total, incluindo artigos em tecido e em malha, as exportações portuguesas de vestuário subiram 1,6%, para 272,46 milhões de euros, equivalente a um aumento de 4,25 milhões de euros face ao mesmo mês de 2018. Esta subida foi alimentada pelo vestuário em malha, que cresceu 4,6%, para 190,2 milhões de euros, enquanto o vestuário em tecido registou uma queda de 4,7%, para 82,3 milhões de euros.

No que diz respeito aos mercados, o grande destaque foi o regresso de Espanha a terreno positivo, depois de no ano completo de 2018 ter registado uma diminuição de 4,5% das compras de vestuário português. Neste primeiro mês, os clientes espanhóis compraram 96,9 milhões de euros à indústria de vestuário lusa, equivalente a um aumento de 7,5 milhões de euros. Itália manteve a tónica positiva registada em 2018, com um crescimento de 18,9%, o mesmo acontecendo com a Suécia (+11,9%) e a Suíça (+21,2%). Em comunicado, a ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção destaca ainda o aumento dos envios para a China (+106,1%) e para o Japão (+174,2%).

«Os números relativos a Espanha são um sinal positivo para a indústria portuguesa de vestuário, sobretudo tendo em conta que o mercado representa ainda cerca de 35% de todas as nossas exportações», indica César Araújo, presidente da direção da ANIVEC. «Estar a crescer noutros países, como Itália, mas também na China e no Japão, demonstra que os empresários continuam apostados em diversificar as suas vendas e chegar a novos mercados», acrescenta.

Tecidos impregnados em alta

Entre as restantes categorias mais representativas das exportações nacionais de têxteis e vestuário, os outros artefactos têxteis confecionados, que incluem a maioria dos têxteis-lar, sentiram um aumento das exportações de 1,02%, para 51,2 milhões de euros.

Os envios de tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados, uma categoria que inclui também artigos para usos técnicos de matérias têxteis, cresceram 12,4%, para 27,4 milhões de euros, equivalente a um incremento superior a 3 milhões de euros.

Foram ainda registadas subidas nas exportações de fibras sintéticas ou artificiais descontínuas (+4,5%, para 21,8 milhões de euros) e de pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, fios especiais, cordéis, cordas e cabos e artigos de cordoaria (+8,8%, para 19,9 milhões de euros).