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Espremida entre as outras?

Tudo fazia prever que a Semana de Moda de Londres passaria por vÁrios problemas que a acabariam por relegar para segundo plano. Primeiro porque foi literalmente esmagada entre as Semanas de Moda de Nova Iorque e Milão – com um total de cinco dias de desfiles – e posteriormente porque, depois de ter ultrapassado tal problema, todas as atenções pareciam estar voltadas para a crise económica mundial. As empresas por detrÁs dos estilistas estão conscientes das preocupações financeiras do mundo e da cobiça dos grandes bancos, o que provocou os problemas que se vivem», afirmou no princípio do certame o veterano estilista Paul Smith, acrescentando ainda num certo tom de optimismo, que apesar disso, os nossos resultados deverão ser semelhantes ao do ano passado». Os jovens estilistas britânicos apostaram o tudo por tudo nesta semana de moda e remeteram-se às épocas de infância – dos anos 80 a 90 –, mostrando colecções coloridas, animadas, repletas de estampados e flores. Durante cinco dias, as crises foram esquecidas e, quase que por milagre, os compradores voltaram a marcar presença em grande força na capital britânica. Estamos felizes por fazer parte de um evento profissional, que apresenta mais de 50 desfiles oficiais e que representa o melhor e o mais inovador de uma indústria que movimenta 750 milhões de libras e exporta mais de 500 milhões em vestuÁrio anualmente», afirmou Nicole Robertson, compradora da loja de moda de luxo Boutique 1, do Dubai. A Semana de Moda de Londres contou com desfiles de destaque como o de Stella McCartney, que voltou a apresentar a sua colecção especial para a Adidas, desta vez com um desfile que parecia tirado das Olimpíadas. JÁ Christopher Kane apostou no 3D. Apostei na optical art, numa colecção formada a 90% por vestidos e estampados», salientou o jovem estilista britânico. Giles Deacon – que foi eleito British Designer de 2006 e que jÁ trabalhou para a Gucci – inspirou-se em elementos da década de 80, apresentando uma colecção extremamente original, sobretudo devido à aposta nos capacetes que faziam lembrar o tradicional jogo PacMan. Decidi apostar numa mistura de estilos, de forma a abranger um público distinto e variado», explicou Deacon. Por seu lado, Luella Bartley apresentou uma colecção retro, de cores leves mas alegres, onde em destaque estiveram os detalhes e os acessórios. Um trabalho totalmente maduro e inovador, que recebeu críticas bastante positivas na imprensa. Richard Nicoll voltou às cores, sobretudo ao rosa, laranja e azul, numa colecção clÁssica com novos elementos, enquanto a Topshop Unique trouxe todas aquelas tradicionais referências dos anos 80, desde os jeans, aos blazers largos com ombros marcados e a uma maquilhagem a lembrar o dark/punk. Para finalizar, Vivienne Westwood (Red Label) fez o que sempre faz: radicalizou as peças de alfaiataria e apresentou uma colecção moderna, inovadora e elegante. A inspiração da estilista recaiu – como nos restantes desfiles – na memorÁvel década de 80. Em suma, a Semana de Moda de Londres – com as suas jÁ tradicionais criações experimentais – mostrou que ainda tem um lugar “seu” entre Nova Iorque, Milão e Paris.