Início Notícias Calçado

«Está na hora de comprar calçado português»

A indústria de calçado sempre esteve vocacionada para a exportação. Agora, em tempos sem precedentes, a APICCAPS lança uma campanha para os consumidores que diz que está na hora de comprar calçado português.

Luís Onofre

Responsável por mais de 40 mil postos de trabalho, a indústria de calçado, como outras, foi um dos sectores que mais sofreu com a chegada do novo coronavírus. As restrições nas negociações nos mercados onde esta indústria absorve a maioria das vendas foi um dos grandes desafios, juntamente com o confinamento do consumidor e o encerramento das lojas.
“Está na hora! De comprar calçado português” é o mote da mais recente iniciativa da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos, que desafia todos os consumidores a apostar no calçado nacional para apoiar, mais do que nunca, as marcas e empresas portuguesas de calçado.

Uma vez fechada a porta à venda dos espaços físicos como consequência da pandemia, abriu-se a janela do online que foi, durante este período, a «tábua de salvação» para vários negócios, que encontraram neste formato o único elo de ligação entre a marca e o consumidor.

«É um terror com contornos dramáticos, quase 70% da nossa indústria está em lay-off, os restantes 30% estão a trabalhar com companhias que trabalham online, ou seja, de facto tem sido incrível a adesão à compra online, não com a quantidade que gostaríamos mas, pelo menos, tem sido a tabua de salvação para muitas empresas, e a minha não é exceção», afirmou Luís Onofre, presidente da APICCAPS, na conferência online “Moda Nacional: Imunidade Coletiva”, que decorreu ontem.

«Ao longo do passado recente, fruto de uma aposta contínua na criação e gestão de marca, as empresas portuguesas que integram o cluster português do calçado e artigos de pele investiram cerca de 2 milhões de euros no reforço da sua presença online», indica a associação dos industriais de calçado em comunicado.

Deste modo, a representação online através de website próprio tornou-se uma prioridade para 75% das marcas da indústria de calçado e para 78% no caso das empresas de componentes de calçado e de artigos de pele e marroquinaria. Segundo a APICCAPS, «a percentagem de empresas com site é ligeiramente crescente de acordo com a dimensão global de negócio».

As redes sociais sempre foram, e atualmente mais ainda, também uma ponte de contacto para as marcas chegarem até ao público-alvo e a novos possíveis compradores. Neste «momento inédito», 60% das empresas estão no Facebook, 37% no Instagram e 21% no Linkedin. Ao contrário do website, a presença nas redes sociais não está relacionada com o tamanho das empresas. As empresas de marroquinaria são as mais ativas do sector neste tipo de formatos.

«Ao longo da última década, o investimento online tem sido uma das nossas principais prioridades. Isso permite-nos criar maior proximidade com o consumidor que agora se tornou ainda mais digital. As marcas estão acessíveis através de site individual, plataformas coletivas de venda e também nas tradicionais lojas físicas (multimarca e nome próprio)», revela Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da APICCAPS.

Por ano, a indústria portuguesa de calçado é responsável pela venda e produção de 80 milhões de pares e, com a campanha de sensibilização, a associação reforça que «está na hora de os conhecermos». «Cabe agora ao consumidor nacional descobrir a qualidade que mais de 163 países reconhecem e valorizam», sublinha Paulo Gonçalves.