Início Notícias Têxtil

Estamparia digital soma e segue

O mercado da estamparia têxtil digital está em rápido crescimento e deverá manter-se assim pelo menos até 2023, com muitas empresas portuguesas a capitalizar a tendência.

Mário Jorge Machado

A estamparia têxtil digital tem crescido a um ritmo acelerado nos últimos anos. De acordo com o estudo “The Future of Digital Textile Printing to 2023” da Smithers Pira, em 2018, o valor do mercado de têxteis estampados digitalmente atingiu 2,83 mil milhões de euros. E o crescimento deverá continuar até 2023, com a Smithers Pira a antecipar um crescimento médio anual de 11,6% até 2023, somando um valor de mercado de 4,9 mil milhões de euros.

O estudo revela ainda que a Europa Ocidental é a segunda região mais representativa na estamparia têxtil digital, com uma quota de mercado de 30%, em termos de volume, no ano passado.

Paulo Coelho Lima

Por tipologia de produto, o vestuário é a utilização final mais comum, constituindo 64,4% em termos de metros quadrados estampados e 75,3% em valor, equivalente a 2,13 mil milhões de euros em 2018. As previsões da Smithers Pira apontam para que o crescimento anual até 2023 seja de 11,6% nesta área.

Já o mercado dos têxteis-lar é mais pequeno, estando avaliado em 234 milhões de euros em 2018. Contudo, destaca a consultora britânica na informação enviada ao Jornal Têxtil, «é onde existem oportunidades fortes para os estampadores têxteis no futuro, para produtos-chave como tapetes, roupa de cama e tecidos para mobiliário, que podem ter um valor acrescentado». Esta área, afirma, «será a que terá um crescimento mais rápido para as quatro aplicações finais principais dos têxteis estampados digitalmente analisados no estudo da Smithers e atingirá um valor de 420 milhões de euros» em 2023.

Portugal na vanguarda

Em Portugal, diversas empresas ligadas aos têxteis-lar investiram em estamparia digital, como foi o caso da Lasa e da Lameirinho. «O investimento em estamparia digital foi uma mais-valia para a empresa, em todos os sentidos. Para além de nos permitir apresentar um produto de melhor qualidade visual ao nível da nossa oferta de estampados, conseguimos, através do fabrico de quantidades mais reduzidas, chegar a outro tipo de clientes que não conseguíamos com a estamparia tradicional. Apostamos em empresas que estão a nascer e vamos acompanhando e ajudando no seu crescimento», explica o CEO da Lameirinho, Paulo Coelho Lima.

Constantino Silva

Também a Gierlings Velpor considera que a aposta na estamparia digital trouxe benefícios.

«A introdução do digital foi importante para o mercado residencial – fomos desenvolvendo produtos e alargando a nossa gama e, nos últimos três anos, estamos a atacar a sério o mercado», revela, ao Jornal Têxtil, o CEO Constantino Silva.

Ecologia e rapidez são vantagens

As vantagens da estamparia digital têm sido louvadas ao longo dos últimos anos. O facto de permitir concretizar projetos com uma infinidade de cores de maior definição, ser mais rápida e mais ecológica, ao necessitar de menos água, são algumas das mais enfatizadas, a que se acrescenta o facto de permitir facilmente, e com custos razoáveis, executar séries mais pequenas.

Ana Pimenta

«Se o cliente precisar da encomenda numa semana, desde que eu tenha a malha preparada e que seja uma daquelas encomendas de continuidade, é só trazer o desenho e numa semana pode levar a encomenda», assegura Ana Pimenta.

Além da rapidez, a ecologia é também um fator que a diretora-geral da Acatel enaltece. «Na estamparia por rolo, no final cada rolo é lavado e tem tinta lá dentro, pelo que há desperdício. Na estamparia digital isso não acontece porque a tinta é colocada em cima do substrato têxtil e só aquilo que não reagiu com a fibra é que sai, mas é corante hidrolisado e sai sempre muito menos do que na convencional», acrescenta.

Para Humberto Salgado, CEO da Tabel, «a rapidez é importante no mundo em que vivemos», mas as possibilidades que a estamparia digital abre são igualmente de salientar. Na nova coleção, a empresa vai apresentar «novas técnicas de estampar digital» que usam «novos corantes», algo que, como realça a filha e administradora da Tabel, Francisca Salgado, permite «uma grande diversidade de desenhos».

Investimentos avultados são desafio

A tecnologia, todavia, exige investimentos continuados, fruto da evolução conseguida pelos construtores de maquinaria, e uma pesquisa apurada das melhores técnicas para alcançar os melhores resultados.

Joana Garcia e Carlos Folhadela

«Tivemos muitas experiências com pastas e com revestimentos para ter rendimento e fomos cuidadosos a esse nível, incluindo em termos de vaporizador e de lavagem», admite Joana Garcia, diretora de desenvolvimento de produto na Imprimis by Gulbena. Há ainda a questão da substituição das cabeças de impressão, que são ainda pouco resistentes. «As cabeças de impressão pesam no negócio e é preciso avaliar e perceber que isso, no final do ano, tem de ser incutido nos custos fixos. Há que fazer bem as contas», reconhece, por sua vez, o diretor comercial, Carlos Folhadela.

Essa é, de resto, uma questão que tem de ser ponderada nos investimentos em estamparia digital, para além de muitas outras, a começar pela adequação da tecnologia ao trabalho que se pretende. «A estamparia digital permite ter algumas vantagens sobre a estamparia convencional em determinado tipo de trabalhos, como quando pretendemos uma qualidade próxima da fotográfica», aponta Mário Jorge Machado. Porém, sublinha, a técnica não serve todos os propósitos, nem substitui por completo a estamparia convencional. «São ferramentas complementares. Cada uma tem o seu lugar. É um pouco como dizer que por existirem automóveis, não fazem falta camiões», explica o presidente da Adalberto.