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Estelita Mendonça aponta baterias ao Japão

O designer, que tem já na Coreia do Sul um dos seus principais mercados, está atualmente empenhado numa maior internacionalização da sua marca epónima Estelita Mendonça, contando para isso com novas feiras, como a Tranoï, e o apoio de um showroom para chegar mais longe, nomeadamente ao País do Sol Nascente.

Estelita Mendonça

O designer é um dos selecionados para a mais recente colaboração entre o Portugal Fashion e a feira parisiense Tranoï, numa aposta que leva a moda desenhada por Estelita Mendonça para um mercado no qual acredita ter potencial. «Fizemos recentemente a View, em Paris, e correu muito bem. Teve um core interessante a nível de compradores e isso, para nós, é sempre bom», revela ao Portugal Têxtil.

Uma passerelle em Paris seria igualmente relevante, até porque para o designer «o sonho passa sempre por internacionalizar. Acho que Paris é um lugar que nos iria receber muito bem. Se nos recebe bem a nível de compras, provavelmente receber-nos-ia bem a nível de apresentação. É um mercado que nos interessa, é muito forte e internacional ele próprio», afirma Estelita Mendonça, salientando que é ainda «uma ponte para a Ásia».

Além de Portugal, onde está presente na loja DOP no quarteirão museológico do World of Wine, a Coreia do Sul é um dos mercados que mais se destaca nas vendas da marca de moda de autor. «A Coreia é o meu comprador por excelência, Não sei como é que eles chegam aqui, mas acho ótimo», confessa o designer. «São clientes muito interessantes, não só as lojas, mas os privados também. São clientes que compram repetidas vezes e isso é bom», garante.

Aliás, adianta, «estamos a investir na Ásia, acho que é por aí que vale a pena», assume Estelita Mendonça, que aponta o Japão como um mercado desejável. «Acho que é um mercado muito forte», admite o designer, que coloca igualmente como objetivo «acrescentar lojas àquilo que já temos na Europa», uma meta para a qual tem o apoio do showroom de Carla Reis.

As micronações da próxima estação

Da coleção para o outono-inverno 2022/2023, que foi apresentada no Portugal Fashion, fazem parte cerca de 30 referências, com designs inspirados na ideia de micronação, «que é um conceito muito estranho, muito engraçado e rico em inspiração, porque conseguimos encontrar micronações no mundo baseadas em coisas muito estranhas – é uma ideia de espaço e de fronteira muito diferente do que é costume. Trabalhei isto a partir um bocadinho do que se sabe da fronteira do eu, o que é a fronteira da roupa, a fronteira da tua personalidade e da tua identidade», explica Estelita Mendonça.

A produção, que chega às 200 peças por referência e por cor, é executada no atelier do designer e em unidades produtivas subcontratadas. «Trabalhamos com muitas fábricas. Sempre trabalhámos, mas nunca é em formato de parceria, porque acho que isso também não funciona», esclarece.

Embora apresentada por manequins masculinos, as propostas de Estelita Mendonça são, desde sempre, unissexo, sendo compradas tanto por homens como por mulheres. «Temos uma faixa de público bastante alargada a nível de idades. Tenho clientes desde os 18 aos 50 ou 60 anos. Também não desenho para um público-alvo a nível etário. Desenho mais com uma ideia de quem é esta pessoa, o que é que ela usa, o que quer usar. E, claramente, é um cliente que gosta de se questionar, de saber o que está a fazer, de ter alguma mensagem por detrás daquilo que está a usar», assegura.