Início Arquivo

Estendendo as Fronteiras da Competitividade

Não se distraia! Os falhanços da nova economia ocorridos no início do século XXI, agravados pela explosão da bolha especulativa das dotcom, foram um ajustamento normal aos períodos loucos que até então se tinham vivido. Apesar desse percalço, a Internet representa uma mudança revolucionária nas comunicações empresariais alterando a forma como as organizações recolhem, armazenam, distribuem e partilham informação e processos.

 

A evolução tecnológica e das práticas de gestão verificadas pela aplicabilidade das tecnologias Internet ao mundo dos negócios são uma realidade incontornável nos dias de hoje.

Máxima eficiência e inventário zero são metas desejáveis por todas as cadeias de fornecimento, sendo esses objectivos de particular relevância na ITV. No entanto, só através da integração óptima da informação entre todos os agentes intervenientes nos processos produtivos, logísticos e comerciais se poderá atingir tal optimização.

O caminho das tecnologias de informação sempre se orientou para a integração de toda a informação das empresas num único sistema. Actualmente, será necessário também que se integrem processos, informações e interacções fora das fronteiras da empresa.

A essa integração chamamos a “empresa estendida” (extended enterprise). Uma empresa estendida é aquela que para além de gerir a sua própria cadeia de valor (ambiente interno) tem também em consideração os restantes intervenientes da sua indústria, desde os fornecedores de matéria-prima até ao cliente final (ambiente externo).

Este conceito de gestão dos sistemas de informação e dos negócios tem na sua base Sistemas Integrados de Gestão (ERP) agregadores de informação empresarial, que através da sua orientação para ambientes colaborativos ao longo da cadeia de fornecimento, utilizam a Internet para integrar processos entre clientes, fornecedores e colaboradores. A Internet surge com o facilitador da integração de informação e dos fluxos logísticos, apresentando custos reduzidos e enorme eficácia e eficiência.

Quando em determinada cadeia de fornecimento, um cliente final comprar uma peça de vestuário, toda a estrutura produtiva e de desenvolvimento saberá o que produzir, em que quantidades, com que prazos e onde entregar. Facilmente se observa o potencial destas práticas de gestão e desta tecnologia, em termos logísticos, de armazenagem e de comercialização, permitindo a oferta dos produtos certos, aos clientes certos e com stocks quase nulos.

Em termos tecnológicos, as soluções existem e estão disponíveis a custos competitivos. Graças à Internet, a sistemas integrados de gestão orientados para ambientes colaborativos (SAP, Exact Software, Oracle) e a standards de comunicação e linguagens standardizadas (XML) é possível a integração nas cadeias de fornecimento de forma ágil e flexível. Relativamente à cultura empresarial, esta deverá adaptar-se aos tempos actuais e às exigências de mercado, permitindo um quadro estratégico favorável a estes desenvolvimentos.

 

Cada empresa deve definir o seu papel na cadeia de fornecimento e agir estrategicamente com base nesse posicionamento. Se controla os canais de distribuição e retalho, deverá integrar os seus fornecedores e as informações dos seus clientes de forma a gerir toda a cadeia com rapidez de resposta, stocks reduzidos e gestão das expectativas e tendências do mercado.

Caso seja um fornecedor especializado, deverá recolher a informação dos seus clientes, integrar-se na sua estrutura logística e de informação, permitir uma integração de processos e responder com base na informação que estes geram e lhe disponibilizam.

Wal-Mart, Adidas, Mango, Nike, Inditex e El Corte Inglés preferem produzir com base na procura real, ao invés de contratarem a produção com base em previsões. Fornecedores que disponibilizem estes serviços de valor acrescentado estarão a criar vantagens competitivas sustentáveis a longo prazo.

Os benefícios da empresa estendida são vastos, onde destacamos: redução do time-to-market, maiores receitas pela disponibilidade dos produtos requeridos pelo mercado, menores custos logísticos, menores custos administrativos, integração de informação, satisfação de clientes finais, redução de percentagem de produtos vendidos em saldo, redução de stock-outs e rapidez no desenvolvimento de produto.

Os tempos em que desde a concepção de uma colecção até à sua venda poderiam passar mais de um ano acabaram. Actualmente as actividades no panorama da ITV têm que ser perfeitamente integráveis, simultâneas e em tempo quase real. Um dos factores de competitividade das empresas, sejam eles produtores, distribuidores ou retalhistas é a rapidez de resposta e a capacidade de se integrarem com outros intervenientes.

As grandes empresas fazem-no cada vez mais, e começam a exigir este requisito a quem queira trabalhar com eles. É urgente assentar o modelo de competitividade nestes factores, pois eles serão determinantes na capacidade das empresas se manterem no negócio.

 

Em colaboração com Netimpact – Consultoria de Gestão e Sistemas ([email protected])