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Estratégias para combater a crise – Parte 1

A retoma do têxtil francês foi de curta duração. O ligeiro aumento do seu volume de negócios em 2006 e 2007 após anos de recuo levou a indústria a recuperar a esperança. Alguns prognosticavam mesmo o fim do pesadelo. Fomos os primeiros a viver a globalização, estamos agora armados para o futuro», ouviu-se da boca de alguns responsáveis da indústria. Mas isso foi antes da crise mundial que eclodiu em 2008. Uma crise com uma amplitude e uma complexidade imprevisíveis e que prejudicou seriamente o optimismo registado no ano anterior. O final de 2008 e início de 2009 foram sombrios para a indústria têxtil francesa, com uma miríade de más notícias, entre encerramentos, despedimentos e declarações de falência. Não é estranho, por isso, que, nestas condições, Emmanuelle Butaud, delegada geral do Union des Industries Textiles (Uit), apresente um cenário mais pessimista da situação. Globalmente, o ano de 2008 foi menos brilhante do que o de 2007. Houve um recuo do volume de negócios global. Após um primeiro semestre de 2008 mais positivo, a situação degradou-se subitamente no segundo semestre, sobretudo a partir de Setembro. E não tenho a impressão que os primeiros meses de 2009 – e a pequena retoma do consumo com os saldos – tenha permitido reverter a tendência». Emmanuelle Butaud evoca previsões para o primeiro trimestre de 2009, até talvez para o semestre, medíocres, com livros de encomendas muito fracos». Mas se muitos segmentos da fileira do vestuário sofrem, nomeadamente os bordados ou o enobrecimento, a linha de casa registou um bom nível de negócios no final de 2008. Na Federação de Rendas e Bordados, Lydia Grandjean, a delegada-geral, procura manter-se optimista. é verdade que a conjuntura mundial é inquietante e que os nossos sócios não são poupados. Mas é preciso ver que eles se estão a mobilizar contra a morosidade ambiente, redobram os esforços comerciais e a criatividade e propõem produtos excepcionais». Na região norte, André Bernaert, presidente da Uit Nord, pelo contrário, tem dificuldade em vislumbrar boas notícias. Após um ano de 2008 globalmente mau», qualifica o início do ano de francamente mau», esperando que as coisas retomem, talvez, a partir de meados de Fevereiro. O que mais inquieta Bernaert é a atitude brutal das seguradoras de crédito mas também os acordos sobre os prazos de pagamento. O ambiente não é de euforia, a visibilidade é quase nula e navegamos à vista», insiste. Na segunda parte deste artigo, iremos analisar o que outras empresas têm feito para enfrentar a crise e as oportunidades que, apesar de tudo, muitos têm sabido aproveitar.