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Estreia animada da Intertex Portugal

A Intertex abriu ontem portas em Portugal e o primeiro dia trouxe logo bons contactos internacionais aos 150 expositores, sete dos quais portugueses. A feira internacional da indústria têxtil e vestuário, organizada pelo norte-americano B Group e que conta com o apoio da ANIVEC, decorre até amanhã na Exponor e deverá acolher 200 compradores VIP.

Luís Hall Figueiredo, Serhan Pul e César Araújo

Com a expectativa de receber cerca de 3.000 visitantes durante os três dias, nos corredores do pavilhão 5 da Exponor que alberga a Intertex não se sentiu, no primeiro dia, uma grande azáfama, mas ainda assim os expositores presentes mostraram-se satisfeitos com os contactos efetuados.

Ricardo Teixeira e Pedro Matos

«Para já, está a ser uma surpresa. Com os contactos que obtivemos, está a correr bem. Para primeiro dia, está a ser acima da expectativa», afirmou Pedro Matos, administrador do grupo especialista na confeção de vestuário de trabalho H. R. Goup, que cita contactos de Espanha, da República Checa e da Alemanha. «Nesta primeira manhã, já conseguimos dois ou três contactos concretos da nossa área. Foi bom», considera.

João Pedro Portas

«Já tivemos um ou outro contacto de compradores estrangeiros, que andam à procura de fornecedores. Já tivemos aqui ingleses e alemães», revelou, por seu lado, João Pedro Portas, cofundador da marca de peúgas Sir Tile. «É uma experiência para apresentar a marca no mercado», explicou ao Portugal Têxtil.

Bastante ocupado durante todo o primeiro dia, Miguel Ferreira, project manager da NCFHK, uma empresa de origem chinesa que acaba de transferir a sua sede de Hong Kong para Portugal e que possui uma unidade produtiva própria no Bangladesh, contactou «com agentes europeus e compradores diretos de marcas do sul da Europa, nomeadamente Espanha e também Portugal», revelou o gestor de projeto, cumprindo assim o objetivo delineado para esta presença na Intertex Portugal.

Miguel Ferreira e Thomas Leung

«Queremos ter contacto com potenciais clientes do centro e do sul da Europa e apresentar-lhes as nossas duas soluções: produção de proximidade, com qualidade e encomendas mais pequenas em Portugal; e produções maiores com a fábrica no Bangladesh», elucidou.

Também Alberto Ferreira, project manager da Bangbanson,

Mabel Leung, Shi Ming Leung, Alberto Ferreira, Paulo Lopes e Ana Ramos

a filial em Portugal de uma empresa chinesa produtora de fechos e fitas adesivas impermeáveis para vestuário de outdoor, acredita que a feira «é uma boa porta para podermos apresentar os nossos produtos», tendo tido «contactos com variadíssimos tipos de clientes, não só portugueses, mas também estrangeiros», dando conta da presença de visitantes de Marrocos e da Alemanha, além dos compradores nacionais. «Para já está a correr muito bem, estamos a ter bastantes contactos, bastantes pessoas interessadas em conhecer mais o nosso produto. As expectativas estão a ser superadas», confessou.

Marco Gomes e Hilal Ünkoy

O mesmo aconteceu na Isla Fabrics, uma empresa turca produtora de tecidos com filial em Portugal. «Tivemos bons contactos de diversos países: Hungria, Rússia, Inglaterra, muitos de Portugal», enumerou o sales manager Marco Gomes, salientando a distinção da empresa na produção de tecidos de camisaria. «Está a correr bem. Foi uma boa aposta. Já ultrapassou as expectativas», garantiu.

Já na Tolkar Ibérica, que representa a construtora de maquinaria turca Tolkar em Portugal e Espanha, a esperança era que os

Murat Gural, Cláudio Silva e Joaquim Oliveira

dois dias seguintes trouxessem mais compradores para conhecer o que Cláudio Silva descreveu como «as máquinas mais ecológicas no mercado para lavar e tingir, com baixos consumos de água, de energia e de químicos». Na primeira manhã, «ainda está um bocadinho parada, são as primeiras horas. Espero que venham mais pessoas», admitiu o CEO da Tolkar Ibérica.

Rui Lopes

Um sentimento partilhado por Rui Lopes. «Devia ter mais gente», avançou o diretor de exportação da Lunartex, que marca presença na Intertex Portugal «para cimentar a nossa posição no mercado interno», mas também porque «atrai-nos demonstrarmos que estamos presentes numa feita que não é, de todo, portuguesa – é feita em Portugal, mas não é portuguesa. Pode ser uma boa oportunidade para nós», acredita.

 

Uma grande montra em 2023

Francisco Santos

Este feedback vai ao encontro do de Francisco Santos, representante da Intertex em Portugal, que ao Portugal Têxtil afiançou que no briefing que fez «com todos os expositores portugueses que estão a participar na feira – e a feira abriu há três horas, sensivelmente – todos me expressaram uma opinião muito positiva, quer da quantidade, quer da qualidade dos visitantes, portanto, acho que está a compensar o investimento que fizeram».

No total, esta primeira edição física da Intertex Portugal – a edição de 2020 acabou por realizar-se apenas no mundo virtual – que abriu portas ontem, 2 de junho, e se prolonga até amanhã, 4 de junho, conta com mais de 150 expositores e de 7.000 metros quadrados de exposição, segundo a organização, que está já, em parceria com a ANIVEC, a começar a trabalhar para 2023.

«Precisamos de pôr Portugal no radar dos compradores. Esta empresa tem experiência em feiras e a verdade é que já estamos a trazer clientes europeus que se mostram interessados em deslocar produções para Portugal», justificou César Araújo, presidente da ANIVEC. Com uma presença portuguesa «muito tímida porque foi tudo muito rápido», no próximo ano a ideia é multiplicar o número de expositores nacionais na Intertex Portugal.

Serhan Pul

«Estamos a trazer cerca de 200 compradores VIP de outros países, que querem ver sobretudo expositores portugueses. Espero que no próximo ano possamos ter muito mais empresas portuguesas aqui», afirmou Serhan Pul, diretor da Intertex Europe, pertencente ao B Group, até porque «Portugal é um país muito forte» no sector têxtil. «Daí querermos fazer uma feira aqui, para trazer mais compradores internacionais para que possam encontrar fornecedores muito bons e aquilo que procuram», asseverou.

Também César Araújo quer que «a montra de Portugal aqui esteja muito bem representada e mostre o que de melhor se faz em Portugal. Isso vai permitir que outros clientes consigam vir a Portugal comprar os seus produtos», acrescentando que «a ANIVEC tem aqui um papel muito importante, juntamente com a Intertex, na angariação de expositores portugueses». Segundo o presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção, «vamos fazer uma grande ilha de empresas portuguesas e quando o comprador vier, vai ver a qualidade de Portugal e ter uma montra fabulosa do que de melhor se faz no nosso país».

César Araújo