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Estrutura competitiva da ITV nacional em mudança

Os dados obtidos até agora relativos ao ano de 1999 confirmam mudanças estruturais na competitividade da indústria têxtil e do vestuário nacional. Ao nível macro pode concluir-se que o sector têxtil tem tido, nos últimos cinco anos, um comportamento mais competitivo que o sector do vestuário. Aliás, esta constatação não é nenhuma novidade, já que vai no sentido de uma aproximação ao padrão predominante nos países da União Europeia mais competitivos na ITV. A velocidade com que esta mudança se está a processar é que poderá surpreender algumas pessoas menos atentas às consequências da globalização. No período 1994-1999 as exportações em valor do sector têxtil (considerando as estimativas do CENESTAP para 1999) aumentaram 47%, enquanto que as exportações do sector de vestuário aumentaram 13%. A própria evolução das taxas de cobertura das importações pelas exportações, apesar de ainda muito superior no sector do vestuário, apresenta uma tendência favorável ao sector têxtil. É ao ritmo das ameaças e também das oportunidades geradas pela globalização, que a reformulação da ITV nacional tem vindo a ser processada. Tem existido ainda um outro factor (valorização do Dólar) menos duradouro e consistente que o fenómeno da globalização, mas que, no entanto, alavancou a capacidade competitiva do sector têxtil durante o ano de 1999, e de uma forma mais directa do subsector têxteis-lar, principalmente no que respeita às exportações para o mercado norte-americano. Mas sobre este assunto são mais as dúvidas do que as certezas, apesar da aparente fraqueza do Euro. O melhor comportamento competitivo do sector têxtil relativamente ao sector do vestuário, com maior ênfase nos últimos anos, deve-se também, em grande parte, à maior capacidade de adaptação à subida significativa das remunerações dos trabalhadores. No período entre 1997 a 1999, as remunerações por trabalhador/hora subiram 15%. Neste cenário e a esta velocidade, como seria de esperar, a via da tecnologia (base do novo processo produtivo do sector têxtil nacional) tem conseguido afirmar-se de forma mais fácil e célere do que a via da moda (base do desejado processo produtivo do sector do vestuário nacional e consequentemente do sector têxtil). As relações de interdependência entre os dois sectores que integram a ITV nacional são muitas e cada vez mais fortes. Um não pode ser competitivo sem o outro.

Manuel Teixeira