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Estudo revela tendências de consumo em Itália

Na última edição do Macef, salão de artigos para o lar e decoração que decorreu em Milão, foi apresentado um estudo efectuado pelas empresasAstra eDemoskopea, encomendado pela Fiera Milano.

Realizado no período de Maio a Agosto de 2003, o estudo denominado “As famílias italianas e as compras dos produtos para a casa”, abrangeu uma amostra de 1.000 famílias representativas da sociedade italiana (19,9 milhões de famílias), núcleos que, no período, preencheram diariamente um diário registando as compras de produtos para a casa.

O leque de produtos objecto desta sondagem era muito vasto, sendo reagrupados em cerca de dez categorias: vassouras, escovas, pincéis; têxteis-lar; vidro/cristal; panelas, talheres e acessórios em metal; artigos em plástico; jóias; artigos étnicos/coloniais; porcelanas/cerâmicas; pratas; bomboneiras.

Entre os múltiplos dados interessantes e, em parte, inesperados que emergem do inquérito está o facto de que, durante os quatro meses em que decorreu o inquérito, a maioria das famílias italianas efectuou compras em, pelo menos, seis das dez secções e que a quatro destas (substancialmente as “utilidades domésticas” tradicionais) recorreram mais de 60% das famílias.

Outro dado interessante deste estudo é que este tipo de compras verificou-se principalmente a partir do sul e apenas em parte pelo nordeste; por parte das classes média e média-baixa mas com uma elevada propensão a consumos simbólicos e de status (TV com écran gigante, DVD, hidromassagem, etc.).

Esta tendência resulta particularmente enfatizada mesmo por tipologia de bens que de “doméstico” não têm nada: é o caso dos artigos de ourivesaria – comprados por 53% dos italianos com um pico de 69% no sul/ilhas, residentes em centros com mais de cem mil habitantes (59%) e, seja como for, pertencentes à classe superior ou médio superior (60%).

Muito baixa, pelo contrário, é a média dos que compraram jóias e produtos de ourivesaria no noroeste (34% das famílias) ou no nordeste (49%). O luxo não atrai os solteiros (apenas 34%).

Trata-se de uma tendência sociológica? É difícil afirmá-lo, visto repetir-se com uma dimensão idêntica também no sector dos produtos étnicos/coloniais (que têm características opostas aos produtos de luxo), em que a uma média nacional de 48% se contrapõem compras efectuadas por 54% das famílias meridionais.

Qual o período ideal para as compras para a casa? A Primavera, como será fácil de imaginar. Como curiosidade adicional pode assinalar-se que – relativamente às utilidades domésticas – os italianos em Março e Abril compram principalmente vassouras, escovas e pincéis, em Maio vidros e cristais, em Junho artigos de plástico, em Julho e Agosto têxteis-lar. A ourivesaria vende-se muito bem em Maio, as pratas em Maio/Junho enquanto que os artigos de estilo étnico-colonial não possuem pico sanzonal propriamente dito. Sanzonais são contudo as compras das bomboneiras, fortemente concentradas no mês de Maio, quando os casamentos se multiplicam.

Porque é que os italianos compram artigos para a casa? Dir-se-ia que o fazem “por dever” bastante mais do que por prazer (93,5% responde “por necessidade de utilização”, mesmo se acompanhado por 61,4% “para oferecer a si próprio ou para a família”) e isto contribui certamente para explicar o trend depressivo dos consumos que persiste em Itália desde há alguns anos. Mas em pormenor: quem compra produtos para oferecer a quem casa (listas de casamentos) privilegia as pratas, os vidros/cristais e as porcelanas/cerâmicas (as jóias representam apenas 2,5%). Quem compra para si mesmo, ao contrário, escolhe as jóias e os produtos étnicos enquanto as compras “por necessidade de utilização” são “um verdadeiro assalto” às panelas e aos produtos para a limpeza da casa.

O estudo daAstra toma também em análise o local onde foram efectuadas as compras. E é talvez surpreendente ver que 82,8% dos italianos escolheu a loja especializada, contra 65,5% (estavam previstas respostas múltiplas) do já consolidado supermercado.

Por fim, uma alusão também à Internet, que como se sabe, ainda não se enraizou nos hábitos dos consumidores italianos. E o estudo daAstra confirma-o, dado que apenas 0,5% da amostragem recorreu às comprason-line nos meses de objecto da sondagem e fê-lo com uma larga predominância (52,4%) procurando produtos de porcelana e cerâmica.