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Etiqueta digital: a chave para o negócio circular

As retalhistas de moda sofreram um impacto significativo com a pandemia de Covid-19 e estão a lutar para que os modelos de negócio correspondam à procura dos consumidores que querem uma indústria mais circular. As etiquetas de vestuário digitais podem ser uma ajuda para a recuperação, conclui a GlobalData.

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«A crise de Covid-19 teve um impacto devastador no sector de vestuário e calçado, com a previsão da GlobalData a estimar que o coronavírus vai eliminar 395,6 mil milhões de dólares (cerca de 329,4 mil milhões de euros) de vendas da indústria global em 2020, um declínio de 19,5% face a 2019», afirma Beth Wright, correspondente de vestuário da GlobalData. «As marcas de moda estão a ouvir os apelos dos consumidores para uma indústria mais responsável, que está a trabalhar para acabar com a fast fashion, afastando-se, por isso, do modelo tradicional, passando a alinhar-se com a economia circular. Isso inclui a eliminação de resíduos e a extensão da vida útil dos produtos com o uso de materiais que podem ser reutilizados e reciclados», explica.

A evolução dos consumidores para práticas mais sustentáveis faz com que surjam novos modelos de negócio circulares. como é exemplo a revenda, o aluguer, compras por troca, a reutilização e também a reciclagem. «Todos parecem estar a ganhar importância junto dos consumidores, especialmente a geração Y e a geração Z, que estão cada vez mais conscientes do significado de compra responsável. No entanto, explorar esses novos modelos pode ser difícil, não apenas em termos da comunicação para o consumidor mas também da forma como as roupas podem ser recicladas ou revendidas», aponta Beth Wright.

Além da monetização

Para solucionar esta problemática, a Microsoft está a tentar desenvolver um projeto de marcação digital com a plataforma Eon da Internet das Coisas. O objetivo é criar uma base digital para a economia circular na moda, no vestuário e no retalho que incorpore um código QR ou RFID em cada peça, mostrando as informações de onde o artigo foi fabricado, juntamente com as instruções dos cuidados e a própria composição. Além de promover práticas sustentáveis, a iniciativa ultrapassa a relação de compra entre a marca e o consumidor, abrindo novos fluxos de receitas através de modelos de negócio circulares, dado que as marcas podem monetizar um produto mais do que uma vez, passando a ser mais valiosas quanto maior for o ciclo de vida do artigo.

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A Avery Dennison está também a trabalhar neste sentido usando um sistema digital como um código QR em que a empresa atribui informações exclusivas a cada artigo de vestuário, criando experiências diferentes por utilizador ao longo da cadeia de aprovisionamento. Deste modo será possível abranger desde a comunicação com os consumidores à forma como estes podem incluir os artigos no mercado de revenda e ainda quais são os métodos de reciclagem adequados para a peça em questão.

«A pandemia de Covid-19 deu uma reviravolta à indústria de vestuário tradicional, com a crise a estimular os consumidores a exigir práticas mais responsáveis, não só das marcas e das retalhistas, mas dos próprios colegas. Estes novos consumidores com consciência social não estão interessados ​​no fast fashion, procuram sim meios de compra mais responsáveis ​​e circulares como a revenda», garante a correspondente de vestuário da GlobalData. «As empresas de moda que procuram recuperar do impacto devastador da pandemia devem explorar como é que as etiquetas de vestuário digitais podem ser um caminho para esses novos modelos de negócio», conclui.