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EUA convocados para salvar ITV com excedente de vacinas

A indústria de vestuário, e também de calçado, dos EUA está a pressionar novamente o presidente Joe Biden para reforçar a distribuição das doses de vacina excedentes do país para nações parceiras e epicentros de covid-19, nomeadamente Vietname, Bangladesh e Indonésia.

[©Pexels]

Na segunda carta direcionada a Biden, Steve Lamar, CEO da American Apparel & Footwear Association (AAFA), aplaudiu os esforços do Governo no último mês para começar a distribuir vacinas para os principais parceiros de vários pontos do mundo. Porém, o CEO da AAFA alerta para o facto de, na mesma altura, terem surgido novos confinamentos no Vietname e no Bangladesh, enquanto a Indonésia registou o maior número de casos de covid-19 do mundo.

«Deste modo, estou a escrever para encorajá-lo a aumentar imediatamente a distribuição do excesso de vacinas dos EUA para o Vietname e para outros países parceiros importantes. Esta distribuição deverá concentrar-se na população-chave desses países, especialmente nas pessoas que são necessárias para o sucesso económico dessas nações, promovendo rapidamente a recuperação desta crise humanitária e, finalmente, a saúde e estabilidade a longo prazo», afirma Steve Lamar na missiva, divulgada pelo Just Style.

«Sem esse aumento na distribuição direcionada de vacinas, o covid vai destruir as economias das quais esses países dependem para subsistência económica. Graças à sua orientação, os EUA são o único país que pode fornecer vacinas agora e devemos assumir esse papel de liderança porque sabemos que a única forma de acabar com o flagelo do covid nos EUA é acabar com ele em todo o mundo. Sabemos que, à medida que o covid continua a prejudicar as economias desses países em desenvolvimento, a recuperação económica da América irá pagar um preço», explica o CEO da AAFA, sem deixar de destacar que o sucesso da indústria de vestuário e de calçado dos EUA e dos três milhões de trabalhadores de americanos que integram estes sectores, depende diretamente dos fornecedores de todo o mundo com uma força de trabalho saudável.

Steve Lamar [©AAFA]
O Vietname, por exemplo, é o segundo maior fornecedor de vestuário, calçado e artigos de viagem para o mercado dos EUA, respondendo por 20% de todas as importações dos EUA, um número que cresce anualmente, inclusive durante a pandemia. O país também se tornou um fornecedor fundamental para a pequena mas emergente indústria produtora de calçado dos EUA.

«Como tal, o sucesso da nossa indústria depende diretamente da saúde, literalmente, da indústria do Vietname», alerta Lamar, acrescentando que há um risco do mais recente surto de covid no Vietname se converter numa grave crise humanitária, que poderá sobrecarregar o sistema de saúde do país, que está já sobrecarregado.

«Sem vacinas não há maneira segura para os trabalhadores regressarem ao trabalho. Isto pode resultar numa trágica e desnecessária perda de vidas e colocar centenas de milhares de trabalhadores que contribuem diretamente para a economia vietnamita e americana em risco de graves dificuldades económicas e instabilidade política, com salários reduzidos e os fornecedores a fecharem portas», relata.

«O progresso feito no último mês é um grande começo mas não podemos subestimar a ameaça que o reaparecimento do covid representa para a economia mundial», salienta Steve Lamar, incitando ao aumento drástico da distribuição de vacinas, incluindo o stock de vacinas AstraZeneca da América para países como o Vietname, uma ação que «não só salvará milhões de vidas em todo o mundo mas que também pode salvar a recuperação económica da América».

Além das vacinas, a AAFA apelou ainda ao Governo que doe materiais de teste e EPIs aprovados pela Emergency Use Authorization dos EUA.

Apelo ao Vietname

A AAFA escreveu também uma carta ao primeiro-ministro do Vietname, incentivando Pham Minh Chính a tomar várias medidas urgentes para ajudar a controlar a disseminação do vírus.

[©Unplash]
Na prática, Steve Lamar pediu ao Governo vietnamita para priorizar a distribuição de vacinas para os sectores de vestuário, calçado e artigos de viagem do país em colaboração com os homólogos da associação comercial, VITAS e LEFASO, para desenvolver e implementar rapidamente protocolos flexíveis e eficazes que garantam que estas indústrias podem produzir e transportar artigos com segurança.

«[Os protocolos] incluem abordagens aos trabalhadores de apoio à segurança e mecanismos para permitir a circulação de materiais e produtos críticos. Claro, dar prioridade a esta indústria para uma distribuição equitativa de vacinas e testes vai continuar a ter um papel fundamental nos nossos esforços conjuntos para contrariar este vírus mortal. Estar num ambiente relativamente seguro no trabalho, onde as vacinas estejam disponíveis e onde o distanciamento social e os testes sejam realizados regularmente, manteria os trabalhadores e a comunidade muito mais seguros. Em conjunto, acreditamos que podemos mitigar a crise humanitária enquanto preparamos a recuperação do Vietname no que diz respeito à saúde e economia», conclui.